Amar o BTS: Como um show me inspirou a seguir meus sonhos

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Amar o BTS: Como um show me inspirou a seguir meus sonhos

“Eu sei que eles falam como se vocês fossem ingênuos demais, (como) se fossem muito jovens, mas, eventualmente, os tolos mudam o mundo. Eu acredito nisso”.

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Isso é o que Kim Namjoon (também conhecido como RM), líder do grupo de música coreana BTS, disse aos seus fãs num lindo dia de 2017. E, em março de 2019, o septeto mudou meu mundo numa escala muito maior do que eu poderia imaginar.

Eu descobri o BTS em 2013-2014, e imediatamente me apaixonei por sua música. Eu sempre quis assistir aos sete músicos – Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Min Yoongi (SUGA), Jung Hoseok (J-Hope), Park Jimin (Jimin), Kim Taehyung (V), e Jeon JungKook (JungKook) – ao vivo num show. A cada ano que passava, essa vontade só crescia. A conexão entre os sete integrantes e seus fãs, carinhosamente conhecidos como ARMYs, é algo que eu gostaria de fazer parte, um dia. Eu finalmente tive essa chance semana passada.

Em 2015, me mudei de Abu Dhabi para Mumbai para estudar num lugar melhor. Foi um período solitário da minha vida, quando o BTS lançou “Nevermind”, a faixa de introdução do seu álbum HYYH Pt. 2. As letras me atingiram num nível pessoal. Eu procurei conforto neles com toda minha alma e as letras me motivaram a seguir minha vida ao invés de pensar sobre o passado.

Ao continuar seguindo sua música, percebi que uma parte da popularidade do BTS se dá pelo fato que o grupo usa sua música para dar voz às preocupações sociais e problemas contemporâneos, através de complexas narrativas. Construir esperança em tempos de desespero, lembrar que você nunca caminha sozinho, não importa em qual situação você esteja – é isso que o grupo acredita firmemente ao contar aos seus fãs. É alguma surpresa que eu estivesse tão ansiosa para comparecer a um de seus shows?

No terceiro mês de 2019, finalmente tive meu sonho realizado. Hoje percebo que a jornada foi tão satisfatória quanto o destino.

Begin

“O que eu verei: No fim desta estrada, onde você estará?” – Road/Path (Lançado em 2013)

O BTS e sua agência Big Hit Entertainment são conhecidos por surpreender os fãs, fazendo grandes anúncios sem aviso prévio. Eles fizeram isso em 10 de outubro, quando anunciaram os shows para a parte asiática da turnê “BTS World Tour: Love Yourself”. Os shows aconteceriam em Taiwan, Singapura, Hong Kong e na Tailândia. Fiquei desapontada ao ver que a Índia não estava incluída na lista, mas também estava determinada a não perder a chance de finalmente vê-los, mesmo que precisasse viajar os sete mares.

Depois de horas de planejamento e opiniões da minha família, escolhi Hong Kong como o lugar no qual realizaria meu sonho. O BTS se apresentá por quatro dias – 20, 21, 23 e 24 de março – e escolhi 20 de março porque tinha ouvido falar que os primeiros shows do grupo eram sempre os melhores de cada turnê. O BTS ainda não tinha anunciado a data que os ingressos entrariam à venda, e fui tomada por dúvidas por alguns momentos – eu conseguiria chegar onde queria? Devia arriscar e já comprar passagens de avião mais baratas ou devia esperar?

Sem pensar, preenchi meus dados do cartão de crédito no site da empresa aérea e cliquei em “próximo”.

Blood, Sweat and Tears

“Onde há esperança, sempre haverá obstáculos” – Sea (Lançado em 2017)

Nenhum guia, grupo de rede social e simulações de compra podem preparar você para o caos chamado Compra de Ingressos. Os ingressos para o show entraram à venda no dia 20 de dezembro. Depois de entrar em contato com várias pessoas que já haviam passado por essa tempestade, eu me sentia um pouco mais confiante em garantir um ingresso para mim. Mas não fazia ideia do que estava por vir.

O local do show em Nova York, o CitiField, que contava com aproximadamente 40 mil ingressos, esgotou em questão de minutos. E lá estava eu, esperando conseguir um ingresso para o AsiaWorldExpo, que tinha uma capacidade de 12 mil a 15 mil pessoas, competindo com fãs de Hong Kong, que tinham a conexão de internet mais rápida do mundo. A sorte definitivamente não estava em meu favor.

Foi um furacão. Quedas no site e servidores extremamente lentos devido ao tráfego no site definitivamente não é uma visão agradável de se ver pela manhã. Para melhorar o dia caótico, as tensões aumentaram quando os promotores do evento anunciaram que as vendas seriam suspensas temporariamente, devido a “ações não-autorizadas”, o que causou erros sistemáticos no site de vendas. Era seguro dizer que eu havia perdido toda a fé no sistema e minhas esperanças de ver BTS ao vivo estavam sendo destruídas.

Quando o site retornou ao ar, comecei a rotina maçante de fazer login no site novamente, só que, dessa vez, com menos fervor. No entanto, 15 minutos processo adentro, um milagre aconteceu. Meu laptop, um dos sete dispositivos logados na página de vendas, conectou e o show não estava esgotado. Rapidamente, selecionei os assentos e fiz o pagamento. Minha confiança destruída havia sido substituída por um sentimento de tontura e náusea.

Mesmo depois de garantir meu ingresso para 20 de março, demorei um tempo para processar a informação. Eu finalmente assistiria BTS ao vivo.

Entrando na Magic Shop

“Abra a porta e esse lugar estará te esperando. Tudo bem, pode acreditar, a Magic Shop vai te confortar” (Lançado em 2018)

Três meses depois, finalmente era o Dia D. 15 mil de nós, de todas as partes do mundo, faltando algumas horas para experienciar o primeiro show do BTS em Hong Kong para a Love Yourself Tour, e a atmosfera estava carregada na arena AsiaWorld Expo.

O show só começaria às 20h (horário de Hong Kong), no entanto, era um evento que durava o dia todo, repleto de novas amizades e muitas filas para diversas experiências de fãs. O BTS é famoso por fazer os fãs sentirem que são parte do grupo, se chamando de “ARMYs”. As vendas de produtos oficiais e o BTS Studio foram montadas especialmente para fãs de todas as partes do mundo.

Com o lightstick do grupo em mãos (a ARMY Bomb), entrei na fila da minha categoria de ingresso para entrar na arena. A espera não pareceu nada longa quando comecei a fazer  novos amigos de diferentes caminhos da vida e conversávamos sobre de onde viemos e o que esperar para a noite.

Com um ingresso que me colocava na seção A2 (pista comum), que era logo ao lado do palco estendido, eu estava ansiosa para todas as interações que experienciaria. Contudo, acompanhado de doces palavras de encorajamento, também estavam os avisos sobre a pista. Meus novos amigos, mais experientes nesse assunto, me avisaram que na pista os fãs se empurram para tentar ficar o mais próximo possível do palco.

Conforme eu entrei na arena, no entanto, os avisos não foram necessários. Os fãs locais estavam preocupados comigo, já que mal conseguia ver o palco graças a minha altura abaixo da média. Eles imediatamente me levaram para frente da grade e me protegeram dos empurrões da multidão. Eu serei eternamente grata a eles.

Depois de horas de espera, os sete integrantes finalmente ascenderam ao palco, em meio a gritos e um oceano de ARMY Bombs. Os garotos definitivamente estavam em sua melhor forma enquanto se apresentaram em grupo e nos seus solos. O que mais se destacou, no entanto, foi a paixão que o grupo trouxe ao palco durante o show. Desde de exibir seus melhores passos durante IDOL, a relembrar faixas clássicas como Baepsae e Dope durante um medley, o BTS estava aqui para deixar sua marca.

Gravações de vídeo exibidas num telão conectavam os pontos entre os solos e as músicas em grupo, formando uma história em frente aos nossos olhos. Mas o que roubou o show foi a interação entre o BTS e os ARMYs. Os sete integrantes frequentemente ficavam na beirada do palco, acenando para os fãs e dançando com eles, fazendo desaparecer a barreira entre artista e fã.

O show logo chegou ao fim com uma poderosa apresentação de Love Yourself: Answer. Depois de meses de antecipação, o show terminou de modo emocionante, com os fãs segurando faixas com a frase “Bangtan 52 Hertz – ARMY sempre está ouvindo seus corações” (uma referência à música Whalien 52).

Enquanto saía do local do show, cinco meses depois de decidir que realizaria meu sonho, tive a sensação de realização. Também me senti inspirada pela paixão deles – se esses sete jovens conseguem trabalhar dia e noite por vários anos para perseguir seus objetivos, por que eu também não posso? Eu olhei para o céu e senti que meus objetivos não eram mais tão distantes quanto as estrelas. Eu esperava que essa paixão que tenho agora para alcançar meus objetivos não morresse ao longo dos anos.

“O limo sempre cresce numa pedra que não rola. Se você não pode voltar, atravesse seus erros e se esqueça de todos eles. Deixe pra lá. Não é fácil, mas entalhe isso no seu peito. Se você sente que vai se quebrar, acelere mais, seu idiota” – Nevermind (Lançado em 2015)

Fonte: Prakuti Bhatt @ Mumbai Mirror Online

Artigos | por em 31/03/2019
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