btsbr.co.vu/archive & btsbr.wordpress.com
SITE: Bangtan Brasil - Fã Base
VERSÃO: 1.4 - SPEAK YOURSELF
DESDE: 29.03.2013
VISITAS: 5.272.752 ARMYs
Bulletproof Boy Scouts (em coreano: 방탄소년단) é um grupo masculino sul coreano de hip-hop formado pela Big Hit Entertainment. Geralmente conhecidos como BTS, são também chamados de Bangtan ou Bangtan Boys. Eles estrearam em 13 de junho de 2013 com sua... LEIA MAIS
SEJA BEM VINDO À BANGTAN BRASIL, A PRIMEIRA E MAIOR FÃ BASE BRASILEIRA DO BTS. FEITA DE FÃ PARA FÃ!

Categoria: Artigo

Publicado em 04.07.2018
Side B: BTS encontra força na vulnerabilidade
BTS tem o compromisso de contar histórias através de suas canções.

Neste mês, o BTS comemora seu quinto aniversário. Os últimos cinco anos trouxeram um mar de mudanças para o grupo, da mesma forma que mostrou a evolução da sua música. Entre as transformações, no entanto, algo permanece constante: seu compromisso em contar suas histórias através das canções.

Analisando sua discografia, parece que é nas B-sides mais vulneráveis e honestas onde está o lado mais humano e cativante do BTS. Essas faixas encontram-se em cruzamentos de contrastes, delineando os sonhos e dificuldades do grupo, bem como suas esperanças e medos, através de uma produção evocativa, a qual favorece letras sinceras.

 

 

Abrindo The Most Beautiful Moment in Life Part.1 de maneira marcante, “Intro: The Most Beautiful Moment in Life” conta com uma produção de tirar o fôlego, a qual evoca uma solitude intensa – um sentimento que, frequentemente, caracteriza as canções de Suga. A música inicia curiosamente, como se estivesse terminando ao invés de começando, com um sintetizador que plana nostalgica e melancolicamente, como raios de sol no fim de tarde atravessando cortinas que se movem com o vento. Isso é pontuado por respirações leves e irregulares, um motivo aural recorrente durante a canção. A esfera sonora sombria e desoladora ilustra como o caminho de Suga em direção ao seu sonho, carregado de circunstâncias hostis, parece estar terminando antes mesmo de começar. Uma batida abafada, acompanhada do ruído de passos emborrachados em uma quadra, entra junto ao rap de Suga. É o som da batida de uma bola de basquete no chão, como também da de seu coração, com adrenalina ou terror. Suga cospe seus amargos medos sobre sua decisão de ir atrás de seu sonho:

 

Minhas notas estão no chão mas

Eu prefiro fazer isto

Mas na verdade o mundo me dá medo

Ao invés da bola, eu jogo meu futuro

O horóscopo que os outros pintam

Desqualificado pelos critérios de sucesso

Graças a (estas) preocupações se espalha como câncer

 

Toda a vez que existe uma faísca de esperança, ela é inundada por uma corrente de inseguranças. Mesmo com todas as dúvidas expressadas, as letras são proferidas sem pausa. Pode conter hesitação, mas não há paradas nessa jornada à beirada de um sonho que parece impossível, mas ainda sim é almejado. De encontro à batida contínua, o rap de Suga chega a um momento de questionamento: “Eu estou feliz agora?”

“Essa resposta já está estabelecida”, Suga compreende, e o som abafado para ao passo que ele revela o entendimento. A entrega desta última linha é engenhosa, porque ele brinca com a estrutura da linguagem para criar uma tensão. Em coreano, o principal verbo, “feliz”, tem de ser conjugado com um verbo auxiliar, “sou” ou “não sou”, para determinar seu significado. Por pausar logo antes da conjugação do verbo principal, Suga deixa o ouvinte no mistério sobre ser ou não ser feliz, aumentando a angústia sobre a declaração que logo faz: “Eu sou feliz”.

A canção é um drama de catarse: Suga tem que proferir todos os medos que o consomem por dentro antes de poder ver o sentimento instintivo que permanece. O sintetizador deslizante retorna; o sol está se pondo na quadra, e o dia está chegando ao fim. A percepção de Suga é uma lembrança de que o fim sempre vem com um começo: sua manhã o espera.

 

 

“Intro” provou-se estranhamente presciente; The Most Beautiful Moment in Life Part.1 tornou-se a grande oportunidade que o BTS vinha trabalhando para conseguir. No período em que lançavam a segunda parte da série com The Most Beautiful Moment in Life Part.2, eles estavam numa escalada confusa a alturas nas quais eles tinham posto seus objetivos, mas não sonhavam alcançar tão cedo. Parecia apenas normal que o episódio final da série, The Most Beautiful Moment in Life: Young Forever, deveria celebrar suas conquistas.

Mesmo neste ponto alto eufórico de suas carreiras, eles apresentaram “Epilogue: Young Forever” extraordinariamente, confessando seus medos na transição de seu sucesso:

Quando o calor do show vai embora

Eu deixo assentos vazios para trás

O enorme aplauso, eu não posso tê-lo para sempre

 

A atmosfera sonora é, como em “Intro”, profundamente evocativa no que diz respeito à imagem sensorial que cria. Ela abre com sintetizadores ecoando gentilmente e um brilho distante como uma estrela cadente cortando o céu à noite. Uma batida que cai como gotas de suor entra junto ao verso de RM; ela também soa como um batimento cardíaco desacelerando após uma injeção de adrenalina de performances.

As reverberações conduzidas junto aos versos de Suga trazem à mente o palco vazio ao qual ele se refere. A imagem é reforçada pelo eco das últimas palavras em cada linha de seu segundo verso e do primeiro de J-Hope. O efeito de auditório desocupado forma um paralelo ao vazio emocional expressado por eles. A medida que os versos de J-Hope alcançam o tema central, batidas rápidas e de percussão acentuam cada sílaba, mas, de repente, o instrumental desaparece, expondo uma simples e comovente confissão sobre a verdade: “Eu quero permanecer jovem para sempre”.

Um refrão com um sentimento de hino surge, mas com cada repetição, o instrumental some camada por camada. O refrão final se assemelha a uma canção de rodas de fogueira de acampamentos cantada na noite anterior à partida, com um ar agridoce. Alguns momentos você já enxerga como uma memória, mesmo que eles ainda estejam acontecendo; esse é o efeito escolhido pela produção para ser evocado. A canção pode ser vulnerável, empolgante, triste e bonita.

O tema de “Young Forever” – a transição do sucesso – é um ao qual o BTS retornaria quando sua trajetória como artistas alcançara um nível que eles nunca poderiam ter imaginado quando debutaram. No encalço da sua conquista do prêmio Top Social Artist no Billboard Music Awards em 2017, Love Yourself: Her é um álbum divertido e animado, sinalizando o começo de uma nova trilogia. Acolhida entre a aura otimista está “Sea”, uma canção lançada como uma faixa escondida no álbum físico, porque ela expressa suas preocupações que, como o BTS acredita, os fãs entenderão melhor que ninguém.

Dentro da cena K-Pop, histórias sobre adversidades, frequentemente, são contadas por um ponto de vista encorajador, seguindo o padrão de “Foi difícil, mas agora estamos felizes”. “Sea” leva embora a ilusão de que, com o sucesso, tudo toma seu lugar e as dificuldades chegam ao fim. Ela expõe o quão competitiva e inconstante é a indústria através de uma metáfora sobre paisagens naturais contrastantes:

Eu quero ter o mar, eu te bebi rapidamente

Mas eu estou com mais cedo que antes

Tudo que eu conheço é o mar de verdade

Ou é um deserto azul

 

A canção inicia com o som de ondas, porém logo evade-se, sendo substituída por um motivo tranquilo na guitarra, lembrando a paisagem infértil de um deserto. Um chocalho distante junto aos vocais de Jungkook cria a imagem de uma cascavel. Os instrumentais são calmos, mas a sua uniformidade produz uma inquietação quando contrastada com a mistura de incertezas dos versos cantados.

O refrão mostra-se com resignação persistente. A letra conta com uma reviravolta à retórica comum de obtenção de recompensas após a superação de obstáculos, enfatizando “Onde há esperança, há dificuldades”. Uma batida contínua inserida na segunda parte do refrão constrói um momentum, prometendo um som mais otimista, mas desaparece antes do último verso. O instrumental volta ao motivo anterior quieto e perturbador da guitarra, ressaltando como o BTS teme que seu sucesso seja realmente uma miragem desértica que continua a retornar. Os aspectos musicais e a letra de “Sea” expressam de forma franca o lado vulnerável do grupo, sem tentar transformá-lo em algo mais esperançoso ou inspiracional.

Outras faixas encontram um equilíbrio entre a expressão de sentimentos específicos do BTS e uma abertura a interpretações diferentes aos ouvintes, permitindo que estes possam compreender da sua própria maneira. O solo de Jin em Wings, “Awake”, exterioriza as lutas que ele enfrenta como um membro escolhido, primeiramente, para o papel de visual do grupo. A letra conta sobre a percepção dolorosa de sua inadequação em contraste aos talentos dos outros membros, mas revela, também, a sua determinação em nunca parar de tentar. É a sua história, mas o sentimento pode ser compartilhado por qualquer um que já se sentiu insuficiente mesmo ao dar o seu melhor.

Um ornamento melódico de cordas abre a canção, com glissandos que lembram o Swing de 1930. O efeito é teatral, no entanto há uma mudança surpresa a um instrumental de piano que permite a voz sincera do Jin tomar o lugar central. Os versos são pensativos, como um monólogo interpretado em um teatro com um cenário simples, quadrado, de paredes e chão pretos. Não há sinos nem assobios no instrumental; a produção não chama atenção para si, mas sim apoia os altos e baixos dos vocais de Jin ao longo da sua história.

Através de tremolos expressivos nos versos de abertura e glissandos concluindo cada linha do pré-refrão como um suspiro, Jin revela suas incertezas quanto às suas limitações. Entretanto, ao mesmo tempo, sua elocução estável e bem sustentada da melodia demonstra como ele começou lentamente a transcender suas limitações.

2018 acompanhou novos recordes e incursões do BTS no cenário musical norte-americano. O grupo combinou esses passos com um movimento introspectivo em Love Yourself: Tear, buscando alguns de seus medos mais profundos nos cantos de seus corações. Vindo do mesmo produtor que canalizou uma idealização diferenciada no remix de “Mic Drop”, o som simples e sem excessos de “The Truth Untold” é um choque visceral, um abalo atordoante de vulnerabilidade.

A maturidade do BTS como liricistas é evidente na maneira em que a canção expressa um medo muito específico mas ainda permanece aberta a outras interpretações. Para o grupo, poderia ser o sentimento perturbante de que eles não estão mostrando aos fãs tudo o que são, mas na verdade apenas seus melhores lados. Esta é uma brecha que pesa a eles, considerando que um de seus objetivos como artistas é a conexão com seus ouvintes como pessoas, humanas e com defeitos, e não ídolos perfeitos.

No começo de seu documentário recente, Burn the Stage, Suga observa, “Eles acham que mostramos nossas vidas sem filtrar nada, mas escondemos muitas coisas”. RM complementa, “Eu na verdade… tenho outros lados como pessoa. Mas se eu permitir que eles vejam… eles podem não gostar de mim”. Esse medo ganha corpo em “The Truth Untold”:

Tenho que me esconder

Porque sou feio

 

Eu tenho medo

Eu sou patético

Eu tenho muito medo

Caso você também me deixe no final

Mais uma vez eu ponho uma máscara e vou te encontrar

 

Para alguns ouvintes, no entanto, a canção captura as lutas de se viver com depressão. A melodia é acompanhada por um piano só que, algumas vezes, traz a lembrança da balada impactante “My Immortal”, do Evanescence. Os vocais de BTS ainda podem adquirir maior conhecimento de técnicas, mas há um nível de sofisticação em sua entrega emocional ao passo que revelam os conflitos entre seus medos e desejos. O verso lastimoso de Jungkook no pós-refrão, “Mas eu ainda te quero’, é, particularmente, de arrancar o coração.

Analisando essas B-sides, fica claro que existe algo se movimentando no que tange a honestidade do BTS ao confrontar suas imperfeições. Coragem não precisa vir na forma de capacidade de mudanças internas; ela pode ser, simplesmente, o enfrentamento de lados desagradáveis de si sem se esconder atrás de desculpas. Espero que, mesmo que eles experimentem novos sons e temas, o BTS não perca de vista o fato de que a vulnerabilidade pode ser uma de suas maiores forças.

 

(YouTube, Imagens via Big Hit Entertainment, Letras via Bangtan Subs, Ktaebwi no Tumblr).

Fonte: Seoulbeats
Trans: eng-ptbr; cláudia @ btsbr


Publicado em 03.07.2018
Quem é V? Aprenda sobre o amante de música e sua jornada de fã para celebridade
“Eu sou a mesma pessoa e eu ainda tenho o mesmo sonho."

V, o segundo mais novo do BTS, é conhecido como o integrante barulhento e divertido do grupo. Sua voz rouca dá outra dimensão ao som do BTS e ele co-escreveu e co-produziu alguns de seus sucessos.

A única coisa perto da grandiosidade do grupo sul coreano é o seu fã clube: o exército do BTS. *

Há tantos fãs que eles poderiam formar exércitos de verdade nos países de origem dos ARMYs. De acordo com os números, o maior número de fãs vive nas Filipinas, seguido pela Coreia do Sul, Tailândia, Vietnã e Indonésia.

E enquanto os fãs comemoravam o prêmio que o Bangtan recebeu na Radio Disney Music Awards no dia 23 de junho deste ano, eles também ganharam um prêmio de melhor fã clube.

Junto com os garotos do BTS, como RM e SUGA, um dos integrantes favoritos dos fãs é o segundo mais novo, V. Aqui nós damos uma olhada em sua vida e jornada até agora.

Sua vida

Kim Taehyung nasceu em Daegu, terceira maior cidade da Coreia, e é o mais velho de três irmãos. Se formou na Korean Arts School em Seoul, onde passou de um admirador da música pop para um talentoso ator e dançarino. E quando a BigHit o ofereceu V, Six e Lex como nomes artísticos, ele escolheu “V” vindo de “vitória”.

Seu papel no BTS

V é vocalista e dançarino de apoio do grupo. Descrito como empolgado e divertido, seus companheiros de grupo dizem que V os distrai de forma muito divertida. “Para sua idade, V é muito imaturo e incapaz de ser sério. Ele realmente não liga para o que as pessoas pensam.”, o Suga disse.

“Eu sou um adulto, mas ainda sou uma criança de coração. Eu ainda gosto de jogar e eu tenho muitos sonhos… Então ainda sou um menino de coração,” V disse sobre seu jeito adorável em uma entrevista de 2016 para o photobook “Now 3” do BTS.

 

Sua imagem

Suas músicas preferidas incluem faixas como “Hello There” do Joan Baez e Blue Room do Chet Baker, mostrando que ele aprecia diversos tipos de música.

De todos os membros do BTS,  V é visto como o mais conhecedor de música. Em alguns de seus álbuns, particularmente The Most Beautiful Moment In Life Part 1, V co-escreveu e co-produziu faixas incluindo “Hold me Tight” e a letra de “Fun Boyz”.

Seu trabalho solo

Além de várias faixas solo, incluindo “Stigma” do álbum Wings e “Intro: Singularity” de Love Yourself: Tear, V é conhecido por sua voz baixa e rouca, que se adapta a tudo, de músicas de Kpop estilo balada a covers de músicas da Adele. Ele também se interessou em atuar em K-dramas: em 2016, fez sua estréia como ator em Hwarang: The Poet Warrior Youth, novela coreana que também apresenta seu canto na trilha sonora. No dorama, ele interpretou um jovem guerreiro na Coreia na era Silla**, ao lado dos atores Park SeoJoon e Go Ara.

Em suas palavras

“Eu gosto de peças (de roupa) que apareça contra todo o resto. Eu gosto de camisas chamativas, ou eu usaria uma camisa simples com uma gravata fantasia. Eu também gosto de peças vintage, mais peças de destaque. Você pode encontrar muitas camisas incríveis sem marca, eu uso muito isso.” Disse ele em entrevista com a revista Vogue ano passado.

“Eu sou a mesma pessoa e eu ainda tenho o mesmo sonho. A única coisa que mudou é que agora eu estou fazendo tudo o que queria fazer, e tentando alcançar novos sonhos. Naquela época, eu gostava de cantar na frente das pessoas. Agora, eu ainda canto na frente das pessoas e recebo bastante amor. Eu cresci muito. Agora, eu quero ser melhor do que eu sou. Eu acho que posso ter me tornado um adulto.” ele disse.

* Ele faz um trocadilho com o fato de “army” significar “exército”
** Um dos três reinos que existiu na Coreia antiga

Fonte: scmp
Trans eng-ptbr; natália feitosa @ btsbr

 

 


Publicado em 02.07.2018
As 25 pessoas mais influentes da internet
O BTS possui grande impacto global nas mídias sociais e habilidade em gerar [...]

Para a quarta rodada anual da lista de pessoas mais influentes na internet, o TIME avaliou os concorrentes através de seu impacto global nas mídias sociais e pela sua habilidade geral de gerar notícias. Aqui estão os que entraram na lista deste ano.

BTS

O BTS é citado como uma das celebridades mais influentes da internet pelo site “Time”

Quase meia década desde que fizeram o debut como grupo, o BTS continua ganhando impulso global. Ele já quebraram pelo menos um dos próprios recordes nos Estados Unidos, lançando o álbum de K-pop mais bem colocado na história dos charts (Love Yourself: Tear que estreou no no topo da Billboard 200). Mas a real máquina por trás do sucesso do Bangtan são seus fãs apaixonados, que se chamam de “ARMYs” e consomem qualquer coisa relacionada ao grupo, de tweets a vídeos. Por exemplo, as visualizações do Youtube de “Fake Love” quase ultrapassaram os maiores recordes de todos os tempos, da Taylor Swift e do Psy. O grupo chegou a marca de mais de 89 semanas no topo do chart Social 50 da Billboard, superando Justin Bieber, e recentemente ganhou o prêmio de Top Social Artist na Billboard pelo segundo ano consecutivo. A constante aparição dos meninos em mídias sociais reforça ainda mais o grupo, que conta com pelo menos 50 milhões de seguidores nas plataformas de mídia social em inglês.

 

As partes que não se referiam ao Bangtan foram omitidas. Você pode conferir o post completo em inglês aqui: [http://time.com/5324130/most-influential-internet/]

 

Fonte: Time
Trans eng-ptbr; natália feitosa @ btsbr


Publicado em 02.07.2018
BTS escreveu a história do K-Pop
O MV de “Fake Love” atingiu 100 milhões de visualizações em nove dias.

A frase que eles ouviram na época do debut – “ele vão sumir logo” – convenientemente desapareceu. A cada ano, o BTS evoluiu como se estivesse subindo uma escadaria. Eles alcançaram muitos primeiros lugares e quebraram diversos recordes pelo mundo. Até mesmo o presidente Moon Jae parabenizou o grupo e seu fandom – ARMY. Isso demonstra que a primeira metade de 2018 foi dominada pelo BTS.

O grupo ganhou o prêmio de Top Social Artist no BBMA’s pelo segundo ano seguido com uma grande diferença em relação aos outros artistas nominados, os quais incluíam Justin Bieber, Ariana Grande e Shawn Mendes. O BTS foi o 15º artista a performar em um total de 16 stages. Eles apresentaram seu single, “Fake Love”, do seu novo álbum, Love Yourself: Tear pela primeira vez mundialmente.

Muitos fãs cantaram junto a canção que havia sido lançada dois dias antes do evento. A presença do grupo mudou muito no período de um ano. Kelly Clarkson, que foi a anfitriã do evento, apresentou o grupo como “a maior boyband do mundo” e celebridades como Tyra Banks, Taylor Swift e John Legend mostraram grande interesse no grupo.

O BTS também comprova milagres quando fala de seus objetivos. Sua meta era entrar no Top 10 do Hot 100 das Billboard. “Fake Love” conquistou o 10º lugar. Esse é o primeiro e melhor recorde atingido por um grupo de K-Pop. “Fake Love” ainda permanece na parada (por quatro semanas) mesmo com o final das atividades promocionais.

As pré-vendas chegaram a 1,5 milhões e, em 14 dias de lançamento, foram vendidas 1,664,041 cópias, quebrando recordes do Gaon e vendendo a maior quantidade de cópias em um mês. Faz 17 anos e oito meses desde às 1,705,127 vendas de Jo Sung em setembro de 2000.

O MV de “Fake Love” atingiu 100 milhões de visualizações em nove dias, quebrando novos recordes e, nos programas de músicas coreanos, eles ganharam 12 prêmios.

 

Fonte: Naver
Trans ko-eng; firstsight_jk
Trans eng-ptbr; cláudia @ btsbr


Publicado em 01.07.2018
A história do BTS nos charts da Billboard: uma linha do tempo
Essa é uma das realizações mais prestigiosas do BTS, seguindo diversas [...]

O grupo de superestrelas sul-coreano, BTS, acabou de elevar o K-pop à um território desconhecido: esse maio, seu último álbum, Love Yourself: Tear, disparou para o número 1 na Billboard 200, fazendo do grupo o primeiro da indústria k-pop a reivindicar o cobiçado lugar depois de vender impressionantes 135.000 unidades de álbuns – 100.000 delas em vendas tradicionais de álbuns – nos Estados unidos durante a semana terminada em 24 de maio.

Esses números se somam à maior quantidade de vendas unitárias e semanais do K-pop de todos os tempos. A entrada nos charts do Love Yourself: Tear no Top 10 é a segunda para um álbum de K-pop, seguindo apenas o álbum do próprio septeto, Love Yourself: Her, que atingiu o 7º lugar outubro passado. Como se não bastasse isso, Love Yourself: Tear é também o primeiro álbum de língua estrangeira a liderar o chart em 12 anos, seguindo o Ancora, de Il Divo.

Essa é uma das realizações mais prestigiosas do BTS, seguindo diversas inovações. Em 2017, as estrelas do K-pop destronaram Justin Bieber ao ganhar o prêmio de Top Social Artist no Billboard Music Awards (BBMAs). Eles conseguiram manter seu título, em 20 de maio, quando se tornaram o primeiro grupo de K-pop a se apresentar no BBMAs. Em outubro passado, “DNA” quebrou todos os recordes, fazendo do BTS o grupo de k-pop com a mais alta posição no Hot 100, em 67º lugar – um feito que eles mesmos superaram em dezembro quando o remix de “MIC Drop” se tornou o primeiro hit no Top 40, na 28ª posição.

Essa última conquista escapou à indústria do k-pop por muito tempo, mas o BTS vem lutando para subir na Billboard 200 desde a 171ª posição alcançada pelo The Most Beautiful Moment in Life Pt. 2, em 2015. Para o lançamento do álbum Love Yourself: Tear, o grupo buscou seu lugar no mercado americano mais agressivamente. A data de lançamento (18 de maio), combinada com o padrão americano de lançamento, às sextas-feiras, e a apresentação do comeback de “Fake Love” no palco do BBMAs foi uma raridade em uma indústria que depende principalmente do circuito de shows de música coreano.

Mas os esforços do BTS para o lado americano não estão sozinhos. O k-pop tem perseguido o mercado americano há muito tempo: Wonder Girls fez uma turnê com os Jonas Brothers, apresentou “Nobody” no [programa de talentos] So You Think You Can Dance e deteve o título de grupo de K-pop em maior posição no Hot 100 por nove anos. Então, a inevitável viralização de “Gangnam Style” do PSY invadiu o Hot 100 com a segunda posição em 2012 – antes de seu momento de sucesso no exterior passar, ele colaborou com Snoop Dogg em “Hangover”, que apresentado no American Music Awards, e foi ao palco do Madison Square Garden ao lado da Madonna.

Mas a trajetória da carreira do BTS merece um olhar mais profundo, para que possamos entender as conquistas que os levaram ao marco mais recente.* Qual história as informações nos contam quando colocadas em ordem cronológica? Como azarões de uma agência pequena, o BTS já estava excedendo expectativas logo no início de sua carreira, que começou em junho de 2013. E a reputação de recordistas do grupo não vem do nada: o septeto expandiu progressivamente em diversos charts enquanto crescia cada vez mais à cada comeback. Parafraseando “DNA”, nada disso é uma coincidência.

*A PopCrush limitou a linha do tempo ao chart da Billboard dos Estados Unidos. Nós omitimos alguns charts, incluindo a Billboard 100 canadense, assim como os charts do paywall** da BillboardBiz, por exemplo, o World Digital Song Sales.

 

  • 1 de março de 2014

BTS fez seu debut no chart de álbuns mundiais com Skool Luv Affair na 3ª posição.

 

  • 16 de maio de 2015

The Most Beautiful Moment in Life Pt. 1 alcançou o número 6 nas paradas de álbuns Heatseekers, número 2 nas de álbuns mundiais e número 20 na de álbuns independentes.

 

  • 19 de dezembro de 2015

BTS estreou na Billboard 200 com o The Most Beautiful Moment in Life Pt. 2 chegando ao número 171. Eles se tornaram o primeiro grupo de K-pop fora da YG Entertainment ou SM Entertainment – duas das “3 Grandes” empresas na indústria musical sul-coreana – a entrar no chart. O álbum alcançou a 1ª posição nas paradas de álbuns HeatSeekers, 1º lugar nos álbuns mundiais e 9º lugar nos álbuns independentes.

 

  • 21 de maio de 2016

The Most Beautiful Moment in Life: Young Forever, um álbum repackage da era HYYH, chegou ao número 107 da Billboard 200, 10ª posição no álbuns Heatseekers, 2ª nos álbuns mundiais e 42ª nos álbuns independentes.

 

  • 28 de maio de 2016

“Fire” alcançou número 30 no Hot 100 do Japão.

 

  • 29 de outubro de 2016

Wings conseguiu a 26ª posição na Billboard 200, 1ª no álbuns mundiais, 7ª nos álbuns digitais, 9ª em álbuns independentes e número 20 nos álbuns de melhores vendas. “Blood, Sweat & Tears” alcançou o 18º lugar no Hot 100 do Japão. BTS também estreou no Social 50, na segunda posição.

 

  • 26 de novembro de 2016

BTS chegou ao topo do Social 50 pela primeira vez – o que eles viriam a fazer por 76 semanas não consecutivas! Atualmente, eles estão em segundo lugar por mais semanas no número 1, atrás das 164 semanas do Justin Bieber.

 

  • 4 de março de 2017

You Never Walk Alone, um álbum repackage da era Wings, atinge a 61ª posição na Billboard 200, 1ª nos álbuns mundiais, e 19º lugar nos álbuns independentes. Enquanto isso, “Spring Day” quebra as paradas no Bubbling Under Hot 100, no 15º lugar – um fato sem precedentes que previu os hits posteriores no Hot 100, “DNA” e o remix de “MIC Drop”. A música também alcançou a 11ª posição no chart de músicas do YouTube e 48º lugar no Hot vendas digitais de música do Canadá.

 

  • 11 de março de 2017

“Not Today” entrou na lista de músicas do YouTube na 10ª posição e conseguiu o 23º lugar no Hot 100 japonês.

 

  • 21 de maio de 2017

BTS fez história como o primeiro grupo de k-pop a ganhar a categoria “Top Social Artist” no Billboard Music Awards, destronando estrelas ocidentais como Justin Bieber e Selena Gomez. “Nós ainda não conseguimos acreditar que estamos aqui nesse palco no Billboard Music Awards”, RM disse durante o discurso de recebimento do prêmio. “Mais importante, esse prêmio pertence à todas as pessoas ao redor do mundo que direcionam amor e luz à nós aos milhões que fazem o BTS orgulhoso.”

 

  • 27 de maio de 2017

“Spring Day” alcança a 38ª posição no Hot 100 japonês.

 

  • 29 de julho de 2017

Desde julho de 2017, o BTS vem reinando no top da parada Social 50 por 45 semanas consecutivas e contando.***

 

  • 29 de setembro de 2017

Em uma entrevista com a rede coreana, KBS, RM nomeou os próximos objetivos do grupo: 1º lugar no Billboard 200 e entrar no Top 50 do Hot 100. Agora, podemos já podemos dizer: missão cumprida.

 

  • 7 de outubro de 2017

Em uma das semanas mais agitadas dos charts do septeto, Love Yourself: Her se tornou, naquele momento, a entrada em chart mais alta do grupo no Billboard 200, subindo à 7ª posição. O álbum também chegou ao 1º lugar nos álbuns mundiais, 3º nos álbuns digitais, 6º nos top de venda de álbuns e 14º no chart oficial de álbuns do Reino Unido.

“DNA” também se tornou a estréia do grupo no Hot 100, inicialmente na 85ª posição da lista. Além disso, “DNA” atingiu o 4º lugar no chart de músicas do YouTube, 37º nas vendas de álbuns digitais e 49º no Hot Vendas Digitais de Música do Canadá.

 

  • 14 de outubro de 2017

“DNA” consegue o número 67 no Hot 100, fazendo do BTS o grupo de k-pop com posição mais alta nos charts. Anteriormente, o título pertencia à Wonder Girls, com “Nobody”, que alcançou a 76ª posição, em 2008. PSY continuou a ser o artista coreano com posição mais alta nos charts, com “Gangnam Style”, que chegou ao segundo lugar, em 2012. “DNA” também subiu à 38ª posição no streaming de músicas e 22ª no chart de músicas mais pedidas em streaming.

 

  • 28 de outubro de 2017

Love Yourself: Her alcançou o segundo lugar nos álbuns independentes.

 

  • 16 de dezembro de 2017

O remix de “MIC Drop” com Steve Aoki e Desiigner disparou para o 28º lugar no Hot 100, destronando “DNA”. Essa conquista também colocou o remix como a primeira entrada para qualquer grupo de k-pop no Top 40. A música também atingiu a quarta posição nas vendas de músicas digitais e sétima no Hot Vendas de Músicas Digitais canadense.

 

  • 23 de dezembro do 2017

BTS estreou no Pop Songs do chart de tocadas em rádio com o remix de “MIC Drop” no número 37. Essa foi a segunda música de k-pop a “dar o ar da graça” no chart, após a aparição do PSY com “Gangnam Style” na décima posição em 2012.

 

  • 30 de dezembro de 2017

“DNA” atinge a 18ª posição no Billboard K-pop 100 coreano.

 

  • 13 de janeiro de 2018

“Spring Day” chega à posição 28 no Billboard K-pop 100 coreano. Enquanto isso, “Blood, Sweat & Tears” podia ser encontrada no 77º lugar e “Best of Me” pairava na 86ª posição do chart.

 

  • 27 de janeiro de 2018

BTS reapareceu no Billboard K-pop 100 coreano com “Go Go” no 52º lugar.

 

  • 14 de abril de 2018

O último álbum japonês do grupo, Face Yourself, atingiu a 43ª posição no Billboard 200, primeiro lugar nos álbuns mundiais, décimo nos álbuns digitais e 41º no Top Vendas de Álbuns. Enquanto isso, “Go Go” e “Best of Me” – ambas músicas do Love Yourself: Her – alcançaram números 58 e 73, respectivamente, no Hot 100 japonês

 

  • 28 de abril de 2018

“Let Go” sobe à posição de número 40 no Hot 100 do Japão.

 

  • 20 de maio de 2018

BTS se tornou o primeiro grupo de K-pop a se apresentar no BBMAs com “Fake Love”, após levarem seu segundo prêmio de Top Social Artist consecutivo.

 

  • 24 de maio de 2018

Em uma conferência de imprensa em Seul, SUGA nomeou alcançar o topo do Hot 100 e ir ao Grammy como os próximos objetivos do grupo. “Apesar de parte de mim sentir como estivéssemos falando de sonhos muito altos, eu também acho que sonhar grande é algo bom” ele disse, de acordo com o [site] Soompi. “Nós queremos alcançar o primeiro lugar no Billboard Hot 100 e Billboard 200, e queremos ir ao Grammy”

 

  • 27 de maio de 2018

Foi anunciado que o Love Yourself: Tear conseguiu o primeiro lugar no Billboard 200 na semana de 02 de junho do chart.

 

  • 29 de maio de 2018

A Billboard anunciou que o BTS entrou no Top 10 do Hot 100 pela primeira vez com “Fake Love” na décima posição. A posição da semana de 02 de junho no chart estabelece “Fake Love” como a primeira música de um grupo de K-pop no Top 10 e a 17ª música estrangeira a chegar no Top 10 do Hot 100 em 59 anos. “Fake Love” também é a primeira música do K-pop a entrar no Top 10, após “Gangnam Style” (2012) e “Gentleman” (2013), do PSY.

 

 

**Paywall é um sistema de assinatura de veículos de comunicação digitais que permite acesso à conteúdo restritos.

***Hoje (28 de junho de 2018), o BTS permanece em 1º lugar do Social 50 da Billboard por 89 semanas seguidas.

Fonte: PopCrush
Trans eng-ptbr; Jojo Viola @ BTSBR


Publicado em 29.06.2018
Quem fez esse sucesso que não é um sucesso? Aprendendo a estratégia de sucesso inverso do BTS
O BTS reescreveu a fórmula do sucesso no K-pop.

▲ BTS ganhou o prêmio Top Social Artist no Billboard Music Awards, que ocorreu no último dia 20 de maio nos Estados Unidos.

Park Yong-suk, 45 anos e gerente de departamento de uma pequena empresa de moda, ficou muito surpreso ao ver a notícia de que o BTS havia conquistado o primeiro lugar na Billboard 200. Ele se perguntou como “idols sem privilégios”* como eles, de uma empresa pequena, chegaram ao primeiro lugar no mundo. Park ficou intrigado pelo sucesso, uma vez que ele mesmo estava encontrando dificuldades para encontrar a estratégia de marketing correta para não ser esmagados pelas grandes corporações. Ele, então, chamou a sua equipe para ministrar seminários e aprender as estratégias que levaram ao sucesso do BTS.

Entre empresários e políticos, todos estão ocupados analisando o sucesso do BTS. Em março passado, o centro de pesquisa de administração de empresas no KB Financial Group lançou um relatório investigativo chamado “Comunicação do BTS”. De acordo com Kim Ye-gu, autor do relatório, disse: “O setor financeiro deve ser remodelado nos moldes do BTS para comunicação com clientes via canais digitais” e que eles estão “implementando novas estratégias de promoção.” O Yeouido Institute, o think tank** ligado ao Partido Liberal da Coreia, também lançou um relatório chamado “O que Aprender com o BTS”, que sugere que “assim como o BTS usou as mídias sociais de forma proativa, políticos, também, devem expandir suas operações em redes sociais.”

Uma pergunta relacionada ao BTS também apareceu em uma entrevista de admissão universitária. Em dezembro, o departamento de história ocidental da Universidade Nacional de Seul perguntou aos candidatos, “por que o BTS foi capaz de ter sucesso nos Estados Unidos, apesar de cantar em coreano?” Ademais, muitos livros já foram publicados, como “Filosofando o BTS” e “A revolução artística do BTS”, examinando a significância do sucesso do grupo.

O BTS vem reescrevendo a história. No dia 27 de maio, o álbum “Love Yourself 轉 Tear”, chegou ao primeiro lugar da Billboard 200, um recorde batido em dez dias após o lançamento. O feito não só é sem precedentes para artistas coreanos, mas também para álbuns que não são em língua inglesa: o último que chegou ao primeiro lugar da Billboard 200 foi do quarteto Il Divo, em 2006 — há 12 anos.

Tendo debutado em junho de 2013 com o álbum “2 Cool 4 Skool”, o BTS estabeleceu sua presença na indústria, levando o prêmio de New Artist of the Year em diversas premiações domésticas. Álbum após álbum, eles continuaram a crescer e quebrar recordes de vendas de álbuns, além de visualizações no YouTube sendo constantemente chamados de “o primeiro grupo coreano a…”. Eles não só conquistaram o mais alto número de álbuns vendidos em 10 anos, após anos de dominação de vendas por artistas gerenciados pela SM Entertainment, o álbum mais recente do grupo vendeu um milhão de cópias em menos de dez dias. Não é coincidência que o BTS ganhou o prêmio de Top Social Artist por dois anos consecutivos e chegou ao primeiro lugar da Billboard.

Alguns simplesmente atribuem o sucesso do BTS a sua atividade nas redes sociais ou apresentações cativantes. No entanto, dizer que esses fatores explicam completamente não é o suficiente. Existem diversos grupos com garotos bonitos que dançam bem, e o uso de redes sociais é uma ferramenta muito comum na indústria do mercado de idols. Se os “idols de ouro”*** preparados pelas empresas mais proeminentes do país não atingiram o sucesso nos Estados Unidos, como que “idols sem privilégios” de uma empresa pequena conseguiram? Há um padrão diferente para o BTS. Mais do que qualquer coisa, existe a filosofia inversa da quebra dos moldes que sempre os acompanhou ao longo do desenvolvimento do grupo. Vamos examinar a “estratégia de sucesso inverso” do BTS em seguida.

▲ BTS no palco do Billboard Music Awards.

  1. Formar um grupo idol com habilidades totalmente desenvolvidas → Enxergar a autenticidade de um idol em crescimento

Baek Jang-woo, 52 anos, descobriu o BTS através de sua filha, Yoo-jin, 18 anos. Ela mostrou ao pai a apresentação de Fire, do BTS, quando ele a perguntou por que ela estava sempre no telefone. O primeiro pensamento dele foi, “o que é isso?”, mas virou “isso é muito bom”, e, ao fim da apresentação, ele pensou “incrível!”.
Algo que não pode se deixar de mencionar quando o assunto é BTS são as danças precisas e cortantes. Eles se movem de forma uniforme como se pertencessem ao mesmo organismo, e faz todos pensarem que são dançarinos talentosos por natureza, mas existem lágrimas escondidas por trás da coreografia perfeitamente executada; Son Sung-deuk, diretor de coreografia do BTS, comenta que “os integrantes nem sempre foram bons dançarinos como são agora” e que eles “superaram as dificuldades com muito treino”.
O mesmo vale para o talento vocal. Diferente dos rappers do grupo, que desenvolveram suas habilidades através da experiência na cena independente, os vocalistas considerados como sendo tecnicamente menos desenvolvidos. Entretanto, os vocais se tornaram mais fortes com o tempo e o famoso DJ Steve Aoki nomeou os vocalistas do grupo para trabalhar com ele, na balada The Truth Untold.
O BTS continua a progredir. J-Hope, que era dançarino antes de se juntar ao grupo, agora escreve músicas. RM e SUGA, que eram rappers e não possuíam talento na dança, agora se apresentam com coreografias intensas. Jin, que estudava para ser ator, não começou como um vocalista forte, mas hoje arrebenta nas notas altas. Quando começaram, o BTS não eram como os idols polidos e concisos das grandes companhias de entretenimento, mas eles superaram as dificuldades pela perseverança e crescimento. Bang Shi-hyuk, CEO da gravadora do BTS, BigHit Entertainment, conta que ele “procurava, em primeiro lugar, pelo desejo de fazer música e pela sinceridade enquanto escolhia os integrantes.” A raiz do sucesso do BTS está na determinação e na sinceridade.

Colocação consecutiva dos álbuns do BTS na Billboard 200.

 

  1. Músicas contagiantes de compositores renomados → Participação na produção e composição de músicas, conversas com fãs que se tornam canções

Kim Ho-won, 21 anos, ficou impressionada quando ouviu Paradise pela primeira vez. As palavras que o integrante SUGA falou em um vídeo — “está tudo bem se você não tem um sonho, contanto que você esteja feliz” — se tornaram a letra da música. “Está tudo bem parar, você não precisa correr sem rumo, está tudo bem não ter um sonho, se você tem momentos em que você saboreia a felicidade.”
O líder RM falou em um show, “quando debutamos, tínhamos muito medo de falhar. Vocês nos encontraram e vocês podem conseguir, também.” Essas palavras se tornaram a letra da música Magic Shop. “Nós fizemos um milagre do que não é um milagre? Não, eu estava aqui e vocês vieram para mim.”
O BTS incorpora suas próprias histórias às músicas que escrevem. Suas mensagens aos fãs, entregues através das redes sociais, se tornam letras, e à medida que os fãs se lembram desses momentos, eles se sentem profundamente e emocionalmente comovidos. Algumas músicas, onde o BTS aponta os absurdos da sociedade moderna ou as contradições das gerações mais antigas, levam os fãs à catarse. RM nota, “os jovens são perturbados por questões similares em qualquer lugar do mundo,” e ele acredita que o BTS “traz as experiências de jovens não só da Coreia, mas do mundo, e é provavelmente por isso que há respostas positivas às nossas músicas.”
Ao mesmo tempo, o BTS não hesita em desafiar os seus semelhantes, como amigos fariam. Com palavras como, “sapatos que custam dezenas, casacos que custam centenas, relógios que custam milhares, ostentação sem necessidade, você reclamou e lutou para conseguir, culpado?”, em Spine Breaker, ou “a vida não é vivida, é sobrevivida, sobreviver desse jeito e simplesmente desaparecer um dia, se você está fascinado, será levado”, em Tomorrow. Além disso, eles não têm medo de falar de problemas sociais. “A mídia e os adultos nos vendem como preguiçosos, como se fossemos ações (financeiras)”, criticam, em Dope, enquanto também endereçam a “teoria das colheres”, uma forma comum de categorizar status sociais: “que tipo de colher você é para se referir às pessoas como colheres; eu sou uma pessoa”, em Fire.
Bang Shi-hyuk sempre enfatizou “a voz que vem de dentro” ao BTS desde os primeiros dias do grupo, por isso todos os integrantes participam na escrita de músicas e letras. Muitos grupos de K-pop compram canções de compositores renomados e somente as cantam e apresentam. O que dominava a indústria eram músicas viciantes ou faixas sobre amor. Bang comenta, “eu sentia que as músicas de grupos idol eram muito focadas em se divertir” e que “o BTS fez o caminho contrário.” Apesar da ridicularização de que grupos idol não foram feitos para o hip-hop, eles continuaram a dar voz a si mesmos. Por fim, ainda que diferente dos outros, o caminho do BTS se tornou o caminho certo, como os números agora indicam.

 

Ranking de países com as maiores visualizações ao BTS no YouTube, de 5 a 27 de maio. Total: 356,081,350. 1) Vietnã 2) Estados Unidos 3) Coreia do Sul 4) Japão 5) Indonésia 6) México 7) Filipinas 8) Brasil 9) Tailândia 10) Taiwan 11) Peru 12) Argentina 13) Malásia 14) Turquia 15) Chile 16) Alemanha 17) Reino Unido 18) Índia 19) França 20) Rússia.

 

  1. Comunicação vertical → Comunicação horizontal: sendo um amigo ao invés de um idol

Kwon Mi-jung, dona de casa de 40 anos e mãe de uma criança de 7 anos, sorriu e deu risadas enquanto assistia as recentes entrevistas dadas pelo BTS os Estados Unidos. “Esse rapaz bonito estava falando besteira em ‘Konglish’**** sem remorso algum ao longo da entrevista. Ele sequer parecia envergonhado sobre não ser bom em inglês; ele estava confiante! Eu os assisti rir entre eles e se divertirem, o que me maravilhou e me fez pensar se eles sequer ficam nervosos. Me fez pensar que quero criar meu filho para ter orgulho e confiança como o BTS.”

A honestidade é o ponto forte do BTS; sua natureza descontraída e acessível cativa os fãs. As estrelas do passado costumavam ser mais discretas e manter uma nuvem de misticismo ao seu redor. Idols se esforçaram para serem ícones que só demonstram os aspectos bonitos e descolados de suas vidas. O BTS, por outro lado, se comunica com seus fãs como amigos, através de diversos meios. Eles já comentaram que são “muito curiosos a respeito das histórias dos fãs” e que “gostariam de interagir com eles mais diretamente.”

Essa sinceridade pode ser vista claramente em suas canções. A pressão que sentem à medida em que sua popularidade aumenta é contada em
Anpanman: “honestamente, tenho medo de cair, de desapontar todos vocês.” Em Airplane pt. 2, eles também revelam ser pessoas normais: “um dia as coisas vão muito bem, no próximo, é um caos.” Ademais, eles são muito engajados nas redes sociais. O integrante V tweetou uma carta à mão para um fã, uma criança, estudante do ensino fundamental, que escreveu uma carta dizendo não ter amigos na escola: “Agora eu sou seu amigo, vamos nos encontrar com certeza quando você crescer.” As respostas que seguiram eram cheias de elogios, dizendo que “eles não haviam mudado mesmo depois de terem se tornado estrelas globais.”

O fato de serem “caipiras do interior” os fazem ainda mais queridos. Embora a formação de grupos com integrantes estrangeiros para ajudar a avançar a popularidade do grupo nos mercados do exterior tenha se tornado extremamente comum, Bang Si-hyuk não aderiu à prática. Todos os membros do BTS são de fora de Seul; sendo de cidade como Busan, Daegu, Gwangju e da província de Gyeonggi, os integrantes não escondem as suas origens, mas sim, cantam sobre elas com orgulho: “vocês não sabem que minha cidade natal é Daegu, então hoje eu faço um rap em dileto, senhoras e senhores, de qualquer modo, vamos festejar”, em Satoori Rap.

Tal exibição de orgulho não é apelativo somente aos fãs domésticos, mas também aos internacionais. No mundo ocidental, as pessoas tendem a valorizar muito mais a privacidade e a única abertura para a vida das celebridades é através de fotos de paparazzi. O número de estrelas que usam redes sociais vem aumentando bastante, mas ainda é raro encontrar aquelas que compartilharão suas “caras limpas” em tempo real. Não é de se espantar, portanto, que haja surpresas com celebridades que sejam “como amigos” ao invés de “ídolos inatingíveis”. Os fãs são atraídos para esse tipo de interação horizontal, em vez de uma comunicação vertical.

Vendas dos álbuns do BTS. 2 Cool 4 Skool: 130 mil cópias; Dark & Wild: 230 mil cópias; HYYH: Young Forever: 510 mil cópias; WINGS: 890 mil cópias; LY: Her: 1,6 milhões de cópias; LY: Tear: 1,7 mihões de cópias.

 

  1. Redes de televisão nacionais → Tirando proveito das redes móveis, “a próxima melhor coisa”

Na Coreia, não é exagero dizer que o destino de um idol é determinado pelo poder da sua empresa. Na estreia, um grupo como BTS, novatos de uma gravadora pequena, tem de pouca à nenhuma chance de aparecer em grandes redes de televisão nacionais. Essa é a razão pela qual quando a popularidade do BTS começou a ter cobertura massiva da mídia, muitas pessoas se perguntaram: “mas como? Eu nunca nem ouvi falar deles!”

A BigHit Entertainment mirou na mídia digital como alternativa às redes de televisão, utilizando principalmente o YouTube, VLive e Twitter. No seu canal do YouTube, BANGTANTV, o BTS compartilha ensaios de dança, bem como vídeos deles relaxando por trás das câmeras. No site de transmissões ao vivo do Naver, o VLive, eles lançam episódios do seu próprio programa de variedade, Run BTS!, onde participam de diversos desafios, seja em parques temáticos ou se apresentando de forma improvisada.

A “próxima melhor” opção se tornou a melhor rota de acesso, uma vez que se adequou aos hábitos de consumo das gerações mais novas, que assistem vídeos em seus dispositivos móveis e se comunicam por meio de redes sociais. Acesso móvel fácil também é porta de entrada eficaz para fãs internacionais — que têm acesso limitado aos conteúdos transmitidos nas redes de TV coreanas –, especialmente porque permitem que assistam a uma variedade de conteúdos oferecidos de graça, quando lhes for conveniente.

O centro de pesquisa em administração de empresas da KB Financial Group, em seu estudo, concluiu que a estratégia chegou ao “3C”, um canal apropriado para prover diversos conteúdos digitais, resultado em uma comunidade leal de consumidores.

▲ Fãs internacionais à espera do BTS.

 

  1. Controle restritivo → Liberdade: a confiança que os permite se desenvolver.

Idols são “produtos” feitos pelas gravadoras, por isso as empresas gerenciam cada detalhe de suas vidas. Integrantes de grupos idols muitas vezes revelam na TV que eles “não são permitidos de namorar por três anos”, ou que eles “ainda não tem celulares próprios.” O que pode ser considerado característico de idols “de fábrica”, grupos pertencentes às mesmas empresas geralmente compartilham de similaridades em visual ou estilo musical.

Bang Si-hyuk foi diferente. Em vez de manter controle, ele deu liberdade. Desde o começo, ele não impôs restrições especiais. Os integrantes do BTS foram capazes de se conectar com os fãs livremente por meio das redes sociais, sem que a empresa constantemente censurasse suas palavras e comportamentos. Sem os limites do que a gravadora queriam que os artistas fossem, o grupo foi capaz de exibir suas individualidades sem restrições.

Redes sociais, quando usadas de forma eficiente, podem ser uma ferramenta poderosa de relações pública (RP), mas também pode disseminar mensagens negativas tão rápido quanto. Bang deu essa espada de dois gumes ao BTS devido a confiança entre eles. Apesar da comunicação em tempo real poder levar a mal-entendidos e polêmicas baseadas na espontaneidade das palavras ou ações, Bang confiou no grupo.

Os integrantes do BTS, também, se responsabilizam por suas ações. Todos os sete rapazes, em vez de usarem contas pessoais individuais, compartilham uma única conta no Twitter. Eles concordaram em ter regras, como “sem palavrões”, “sem tweets quando tiver bêbado”, e “sem fotos nus”. Com a liberdade, eles tomam responsabilidade sobre seus erros.

Em resposta às críticas que apontaram letras misóginas, o BTS mudou a letra da música em questão durante seus shows. “Enquanto homens fumam e mulheres traem”, em Cypher pt. 3, foi mudada para “enquanto alguns fumam e alguns traem”. Desde que receberam tais críticas, os integrantes do BTS procuraram uma professora de estudos da mulher para aconselhamentos e, também, leram literatura feminista.

A professora Choi Soon-hwa, da Escola de Administração Internacional da Universidade Dongduk para Mulheres (Dongduk Women’s University), propõe em seu livro, Marketing na Idade do Novo Normal (tradução livre), “palavras que transmitem empatia, consolação e sinceridade movem os consumidores e mudam seus comportamentos; quando uma relação humana é formada, consumidores se tornam mais complacentes aos erros ou maldades de um negócio.”

 

  1. Fã-clubes que agem como sombras → Fã-clubes que são parceiros solidários: consumindo e produzindo ao mesmo tempos, fãs se tornam “pro-sumidores”

Números de Tweets que receberam mais ‘Likes+RTs’ no Twitter em 2017: BTS (rosa), Trump (cinza), Shawn Mendes (azul), Justin Bieber (verde).

O fã-clube do BTS, os ARMYs, foi brevemente uma das palavras mais procuradas no Naver depois que o presidente Moon Jae-in publicou uma carta ao BTS, parabenizando-os pelo primeiro lugar na Billboard 200 com a seguinte mensagem: “Parabéns aos sete garotos amantes da música e às suas asas, ARMY!” A imprensa internacional também se atentou ao leal fã-clube do grupo. Quando o BTS chegou no aeroporto dos Estados Unidos na sua viagem mais recente, os fãs formaram uma barreira com fitas roxas para proteger os integrantes da multidão, o que atraiu as atenções do público. Os ARMYs já viraram sua própria marca, ganhando reputação proeminente, como o BTS.

Os ARMYs não seguem o BTS meramente como fãs, mas produzem os seus próprios conteúdos, agindo como “pro-sumidores”, sendo parte tanto do processo de consumo quanto do processo de produção dos conteúdos. Existem três categorias principais de criação por parte dos ARMYs: a primeira são as traduções dos conteúdos em coreano para várias línguas; a segunda são os vídeos que mostram as reações dos fãs internacionais; e a terceira são os vídeos recriados a partir da montagem de vídeos engraçados

Quando o BTS publica mensagens em coreano nas redes sociais, elas são imediatamente reproduzidas como conteúdo traduzido. Como resultado, há pouca ou nenhuma barreira linguística. Vídeos de reações também servem como uma passagem para se tornar fã; de fato, o interesse internacional pelo BTS cresceu dramaticamente quando YouTubers populares começaram a falar sobre o MV de Dope, a ponto que Bang Si-hyuk, também, admite que tais vídeos foram um grande componente em atrair a atenção dos fãs internacionais.

Comunicação boca a boca entre ARMYs foi outro elemento crucial que teve impacto na popularidade do BTS. De acordo com Hong Suk-kyung, professor do departamente de comunicação da Universidade Nacional de Seul, “diferentemente de outros idols “fabricados”, o BTS é auto-estudado. Os fãs têm orgulho do BTS escrever suas próprias músicas e letras, logo eles demonstram interesse pelo grupo e o recomendam para outras pessoas com confiança.” O especialista em marketing, Jack Trout, no livro Differentiate or Die, assegura que “pode ser mais efetivo fazer com que outras pessoas contem vantagem por você, do que você mesmo contar suas próprias vantagens.” Ou seja, significa que o poder dos fãs em espalhar a palavra é muito mais forte do que a gravadora colocando os artistas na mídia para promovê-los. Como uma pequena onda que lentamente se transforma num tsunami, a popularidade do BTS vem se disseminando de pessoa em pessoa.

▲ BTS interage com os fãs através das redes sociais. Run BTS!, no VLIVE (esquerda), e Twitter (direita).

 

  1. Encorajar os fãs a amar os artistas → Encorajar os fãs a amarem a si mesmos: influência positiva.

“Por favor, ARMY, lembrem-se do que sempre falamos: amar a mim mesmo, amar a vocês mesmos,” o líder RM comentou no Billboard Music Awards quando o BTS recebeu o prêmio de Top Social Artist pela primeira vez no ano passado. Eles não pediram por mais amor para eles mesmos, mas encorajaram os fãs a se amarem. De fato, o BTS colocou suas palavras em ação, dando início a campanha Love Mysef, junto da UNICEF, em novembro passado, com o objetivo de “prevenir o sofrimento de crianças expostas à violência.” Para a campanha, os integrantes do grupo doaram 400 milhões de won (cerca de R$ 1,35 milhões), e a BigHit, 100 milhões de won (cerca de R$ 339 mil), totalizando 500 milhões de won (cerca de R$ 1,7 milhões) em doações.

O BTS também não aceita mais presentes dos fãs. Alguns dos fãs mais apaixonados praticam o chamado “jogong”, o ato de dar presentes muito caros aos seus artistas favoritos. Muitos se preocupam que essas ações saem de controle por se tratarem de presentes extremamente caros. Em função disso, o BTS declarou que não irá mais aceitar presentes que não sejam cartas, encorajando os fãs a focarem em si mesmos.

Ao ser perguntado acerca do segredo do sucesso do BTS em entrevista, Bang Si-hyuk disse que queriam que eles “fossem além de serem estrelas brilhantes e se tornassem artistas que interagem de forma próxima com os fãs para possibilitar a troca de influências positivas.” Ele continua, “eu não tinha o objetivo de torná-los estrelas globais quando formei o BTS. A empresa também não era grande. Eu nunca poderia prever que esse seria o resultado, mas eu sempre quis fazer algo significativo com esses rapazes.”

O expert em marketing, Philip Kotler, no livro Marketing 4.0, fala que “o marketing é feito para apelar ao coração, mente e espírito de todos,” que “consumidores buscam não só satisfações funcionais e emocionais, mas também espirituais,” e ainda, “tudo deve começar com o ser humano.” Pode-se dizer que a maneira que o BTS encontrou de trocar influências positivas e agradar corações, mentes e espíritos através da música foi a chave do seu sucesso, ou a sua “estratégia de marketing vencedora.”

O BTS se assemelha à franquia Harry Potter em alguns aspectos. Ninguém hoje a série Harry Potter meramente como “filmes para crianças”, dado os seus efeitos visuais incríveis, história bem construída e personagens intrigantes. De forma similar, na superfície, o BTS pode até parecer como qualquer outro grupo idol amado por adolescentes. Entretanto, se olhar de perto, conseguimos discernir suas apresentações cativantes, músicas com histórias, e a atração exercida pelas sete personalidades que se complementam como um arco íris. O BTS não é, de jeito maneira, um idol só para as crianças.

O BTS reescreveu a fórmula do sucesso no K-pop. Ao irem pelo caminho invicto que ninguém havia escolhido antes, eles estão construindo um caminho pelo qual ninguém esteve ainda.

 

 

N/T: *No original, “흙수저 아이돌” (heulksoojeo aideul), literalmente “idol de colher suja” é uma expressão coreana para idols que não tiveram privilégios se comparados àqueles de grandes empresas de entretenimento.

**Think tanks são instituições cujos objetivos são influenciar ideias e decisões na sociedade e na política.

***No original, “금수저 아이돌” (geumsoojeo aideul), literalmente “idol de colher de ouro”, é a expressão contrária a 흙수저 아이돌. Se refere a idols privilegiados, associados a grandes empresas de entretenimento.

****Konglish é a mistura dos idiomas coreano (Korean) e inglês (English).

 

Fonte; Chosun
Trans ko-ptbr; nalu @ btsbr


Publicado em 29.06.2018
Encontrando as soluções para as inovações econômicas da Coreia do Sul com o BTS
O grupo é considerado um “unicórnio”, valendo mais de ‎₩ 1 bilhão.

O maior produto inovador da economia coreana deste ano é o BTS. Uma corporação caminhante e falante de sete pessoas, o grupo é considerado um “unicórnio”, valendo mais de ‎₩ 1 bilhão (cerca de R$ 3,4 bilhões)

Desde a sua primeira vitória em um programa de música da Coreia, em 2015, o BTS vem fazendo um caminho incrível e crescendo ano após ano, expandindo o seu domínio internacional. Uma estimativa de 15 milhões de ARMYs são ativos ao redor do mundo e, devido ao seu trabalho árduo, as letras em coreano são traduzidas para cada idioma e compartilhadas entre eles quase que em tempo real. O BTS é pioneiro em uma área onde ninguém foi capaz de chegar antes, chegando ao décimo lugar da Billboard Hot 100 e provando que o K-pop é um produto globalmente comercializável.

 

Por que o BTS é mais inovador que outros grupos?

Em primeiro lugar, eles tiveram sucesso na reforma da missão. A missão do BTS é de formar vínculos empáticos e consolar os jovens, similar à filosofia do ubuntu. O ubuntu é a filosofia fundacional da República da África do Sul, e a expressão pode ser traduzida como “eu sou porque nós somos”. É um ideal que é conhecido, também, por ter servido como fonte de influência para o ex-Secretário Geral das Nações Unidas, Kofi Annan. Estudantes do ensino médio que se identificam como ARMYs nos Estados Unidos gritam “Bangtan, Bangtan, Bang-bangtan” e agradecem ao BTS por fazerem ótimas músicas, prometendo apoiá-los para sempre. As pessoas crescem por causa de outras pessoas. Letras que falam sobre tópicos como depressão e as dificuldades do futuro e palavras que levam os fãs às lágrimas se tornaram a força de uma “influência positiva”, o que estabeleceu um fandom sólido. Uma missão que não tenha uma influência positiva não é capaz de sobreviver nos tempos de hoje. Consequentemente, também significa que a música que segue um “sistema de fábrica”, comercialmente movida, não é mais capaz de segurar o interesse do público por muito tempo. Com a missão inovadora de derrubar problemas sociais, o BTS está se posicionando como “artistas de impacto”.

Em segundo lugar, eles tiveram sucesso na adaptação da comunicação “inteligente” em um mundo “inteligente”. Estamos na era dos humanos-que-só-andam-com-smartphones, os chamados “Phono sapiens”. Na época dos Homo sapiens e no mundo dos impérios, a comunicação humana era feita através de jornais e transmissões televisivas. Phono sapiens e fandoms, no entanto, interagem através das redes sociais.

Quem é o presidente global do Twitter? O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump? Ou o BTS? A influência no Twitter é determinada pelo número de tweets e retweets. Em 13 de junho de 2018, a conta no Twitter de Trump contava com 37,800 tweets e 52,7 milhões de seguidores, enquanto o BTS tinha 10,906 tweets e 15,2 milhões de seguidores. Se contado o número de tweets compartilhadores por outros usuários por meio de retweets, no entanto, o BTS está à frente com liderança significativa.

Por que são tantos os retweets? Porque esses são os tweets que as pessoas querem compartilhar com outras pessoas. Elas querem se juntar ao movimento do BTS e prevenir preconceitos e opressões sociais. A música do BTS é uma maneira de assegurar seus argumentos e querem passar a mensagem para outras pessoas. As redes sociais são o meio perfeito para comunicar tais ideias, dando vida aos seus pensamentos e ações. Os ARMYs não estão meramente fazendo um favor ao BTS; eles seguem o grupo ativamente por causa de seus próprios valores e crenças.

Em terceiro lugar, eles tiveram sucesso em reformar o valor do seu produto e em oferecer um produto inovador. Diz-se que o cantor mais triste se torna uma “estrela cadente” — o cantor que fracassou em oferecer um novo e atraente produto deve deixar o palco após cantar uma só música. O BTS, no entanto, está sempre produzindo novas músicas baseadas nos conteúdos que jovens do mundo todo discutem nas redes sociais. A habilidade de escrever letras e músicas é o ponto forte deles. Para fazer uma analogia com os negócios, eles são como uma corporação que é dona de toda a pesquisa e desenvolvimento da sua cadeia de valor, promoção de produto e serviços. Se o BTS continuar a produzir incessantemente canções que contam as histórias e os sentimentos de seus fãs, adolescentes e com seus vinte e poucos anos, o seu sucesso será inevitável.

 

Fonte; Kim Ki-chan @ 매경 ECONOMY
Trans ko-ptbr; nalu @ btsbr


Publicado em 28.06.2018
BTS e a história de como RM se tornou a origem do grupo de K-Pop
As habilidades do rapper deram luz à ideia de formar um grupo de hip-hop.

O popular grupo sul-coreano de sete integrantes surgiu inicialmente na mente de um chefe de uma pequena agência, antes de conhecer o rapper que agora é o líder do grupo.

BTS, que é de uma agência de entretenimento pequena na Coreia do Sul, conquistou o público gradativamente, mas constantemente, e agora tornou-se sucesso internacional. Seus sete integrantes com suas músicas e apresentações criaram um laço com sua fan base em crescimento desde junho de 2013.

Contudo, obviamente, o grupo possui uma história de antes do Debut, antes de terem aparecido aos palcos pela primeira vez. A faísca que começou esse projeto que está acontecendo até hoje, surgiu após Bang Si Hyuk, o chefe da BigHit Entertainment, ter conhecido Kim Namjoon, hoje conhecido como RM.

Em entrevista para o jornal sul-coreano XSports, o senhor Bang revelou que após ver RM adolescente em ação, e que depois que o incorporou à sua agência, o motivou a criar o BTS. As habilidades do rapper deram luz à ideia de formar um grupo de hip-hop.

A primeira coisa que me motivou a criar o BTS foi o seu líder, Rap Monster.” Nome artístico de RM na época.”Eu comecei a pensar que eu deveria criar um grupo de hip-hop depois de ouvir ao rap dele” disse o chefe da BigHit, totalmente convencido de ter um projeto com um grande potencial em mente.

Bang então foi atrás de quem poderia ser os parceiros de grupo de RM, não apenas focado em buscar jovens talentos “Eu pensei então que esse não deveria ser apenas um grupo de “Idols” do hip-hop, mas que cada um deles pudessem contar suas próprias histórias” disse ele.

Essa ideia ainda repercute na música do BTS até hoje,” ressalta “eu não queria apenas poder escrever e compor músicas, mas também produzir músicas e apresentações independentemente, e aos poucos eles estão conquistando isso.” admitiu.

BTS surgiu da premissa do também produtor. “Se eles acreditam no time e dão o melhor em seus ofícios, eu os ajudarei a serem reconhecidos como um grupo de produtores, não apenas idols. Eles acreditaram em mim e fiz o meu melhor para honrar minha palavra, e não apenas nesse instante, é uma convicção de agora e também do futuro.” concluiu Bang.

Fonte; El Comercio
Trans esp-eng @RM_Peru
Trans eng-ptbr; Kauã @ btsbr


Publicado em 28.06.2018
Como o BTS derrubou estereótipos asiáticos e dominou os Estados Unidos
O grupo se tornou o primeiro artista de K-pop ao chegar ao primeiro lugar [...]
No dia 27 de maio, o grupo sul-coreano de sete integrantes, BTS, se tornou o primeiro artista de K-pop ao chegar ao primeiro lugar da Billboard 200 com o seu terceiro álbum de estúdio, Love Yourself: Tear.

Uma semana antes, o BTS havia ganhado o prêmio de Top Social Artist pelo segundo ano consecutivo no Billboard Music Awards 2018, derrotando artistas como Justin Bieber e Ariana Grande. Durante a premiação, eles apresentaram a música “Fake Love” para o delírio dos adoradores fãs americanos, que pareciam não encontrar problemas para cantar as letras em coreano.

Como alguém que estuda e ensina sobre cultura coreana moderna, eu venho seguindo os altos e baixos da popularidade do K-pop nos Estados Unidos com uma mistura de interesse e ceticismo. Como Euny Hong, autora do livro “The Birth of Korean Cool” (2014), eu, também, sou mais familiarizada com um tempo em que a Coreia era simplesmente considerada “fora de moda” pelos padrões ocidentais.

Por décadas, os americanos pareciam enxergar a Coreia somente através das lentes da Guerra da Coreia e das tensões diplomáticas com a Coreia do Norte. A música pop coreana mal era reconhecida.

Mas, quando escutei “MIC Drop” e “Fake Love” em uma estação de rádio local durante uma viagem ao meu campus, eu percebi que talvez o K-pop tenha entrado em uma nova fase. A crescente popularidade do gênero diz tanto sobre o talento de grupos como o BTS quanto sobre o gradativo papel [da Coreia do Sul] nos assuntos globais.

A estética “perfeita”

O K-pop é um estilo particular de música popular sul-coreana que é distinta de outras formas de música popular coreana, como o trot e baladas sentimentais. Muitos traçam a sua origem ao começo dos anos 1990, mas o gênero só se tornou algo próprio entre os anos 2000 e 2010, com artistas como BoA, Wonder Girls, Girls’ Generation, TVXQ, Big Bang e 2NE1 se tornando imensamente populares na Ásia e além.

A parte “pop” do K-pop parece fácil de se entender; você escutará as influências musicais americanas — principalmente dance pop, mas também rap, hip-hop, R&B, jazz, techno e rock — nas músicas do K-pop.

Mas e quanto ao “K”? É aqui que o estilo único da Coreia entra em cena: melodias contagiantes cantadas quase que inteiramente em coreano, algumas palavras em inglês estrategicamente posicionadas no refrão contagioso, e grupos compostos por integrantes do mesmo gênero, tendo de 7 à 15 membros.

Ao meu ver, o maior aspecto atrativo do K-pop é a busca incansável dos integrantes dos grupos pela perfeição. Suas apresentações envolvem coreografias perfeitamente sincronizadas. Eles também tendem a ter um visual muito específico, que reflete os padrões de beleza idealmente caucasianos: feições esculpidas, olhos grandes, nariz reto, pernas longas e roupas da moda.

A ambição global do K-pop é outra qualidade que diferencia o gênero de outras músicas coreanas. A exportação do K-pop para o resto do mundo não é só um objetivo da indústria musical coreana, mas também uma prioridade governamental. Por exemplo, nas Olímpiadas de Inverno de Pyongchang, os organizadores deram preferência para a apresentação de artistas como EXO e CL na cerimônia de encerramento.

Durante décadas, a Coreia do Sul foi um país devastado pela guerra e pela pobreza. Mas, começando entre os anos 1960 e 1970,  sob a administração do ditador Park Chung-hee, o país embarcou em um ambicioso programa de desenvolvimento econômico e, em menos de meio século, a nação se transformou em um dos principais poderes econômicos do mundo.

Para muitos jovens coreanos, as estrelas do K-pop representam a imagem ideal deles mesmos; para os líderes coreano, eles simbolizam o futuro promissor do seu país.

Uma atração única

Mesmo assim, até recentemente, a maioria dos americanos conseguiam nomear apenas um ou dois grupos de K-pop.

Muitos tiveram seu primeiro contato com o K-pop após o hit global de Psy, “Gangnam Style”, em 2012. A música, um hino irônico à deslumbrante superficialidade do distrito de Gangnam, uma área rica de Seul, acumuluou 1 bilhão de visualizações no YouTube ao final de 2012.

Mas alguns não consideram Psy e seu hit como um verdadeiro reflexo do K-pop.

Em “Gangnam Style”, os ocidentais foram expostos a uma paródia do K-pop, uma performance zombeteira que transmite sensações de orientalismo e exotismo. O público, principalmente no ocidente, gostou da música não porque viam Psy como um artista, mas porque “Gangnam” era divertidamente estranho.

O sucesso do BTS mostra que em apenas seis anos, o K-pop — e a visão americana sobre o K-pop — percorreu um longo caminho.

O que o BTS fez de diferente? Por meio das redes sociais, os integrantes do BTS foram capazes de ir contra alguns dos estigmas que permeiam os asiáticos que, no passado, podem ter atrapalhado a popularidade do K-pop nos Estados Unidos.

Pesquisas mostram que os ocidentais tendem a estereotipar asiáticos como uma massa coletiva e vaga que imitam o ocidente de forma robótica. Dão a eles as qualidades negativas do capitalismo — materialismo e competitividade desumana — enquanto subestimam a autoafirmação e individualidade asiáticos, que são qualidades validadas pelas sociedades ocidentais.

Mas, diferente de outros grupos de K-pop, o BTS fez mais do que aperfeiçoar suas coreografias e visuais. Eles também mostraram totalmente as suas personalidades.

Através das redes sociais, eles se conectaram com e cultivaram uma comunidade de fãs absolutamente devotados. No Twitter — em inglês e coreano — os integrantes dão aos fãs uma abertura para as suas vidas, se expressando e falando sobre assuntos importantes para os jovens, de saúde mental à autoimagem.

https://twitter.com/sugafull27/status/947500950964629505

“Está tudo bem se você não tem um sonho! Seja feliz no ano que vem! Você não precisa de um sonho para ser feliz!” — Min Yoongi, 2018.

Como um dos meus estudantes me disse, “os fãs sentem que enxergam os ‘verdadeiros’ integrantes e suas personalidades.”

A nova identidade global da Coreia

Não se engane, o BTS é um produto da Coreia. Seus integrantes são movidos pela mesma ética de trabalho que move milhões de jovens coreanos a se enfiarem nos livros em “hagwons”, os famosos cursinhos.

Mas o grupo também parece representar uma nova e mais confortável negociação da Coreia com as identidades globais que surgiram em anos recentes.

Em 1997, a Coreia passou por uma crise financeira. O país estava à beira de um colapso econômico, resultando em paralisações e demissões massivas. A crise, conhecida no país como “a crise do FMI” devido ao duro pacote de medidas que o Fundo Monetário Internacional (FMI) forçou a Coreia a aceitar, devastou muitas famílias.

Mas também levou a um programa de intensa globalização econômica e cultural, que abriu portas para investimentos externos, fez da Coreia do Sul o país mais conectado do mundo e expôs os coreanos a cultura e mídias globais.

Em contraste com os coreano-americanos ou os nascidos em Gangnam, de Psy, todos os sete integrantes são originários de cidades regionais como Busan e Gwangju. Nascidos de 1992 a 1997, eles são parte da geração que cresceu na Coreia do Sul na era pós-reformas do FMI que os expuseram à cultura americana e a língua inglesa desde o momento que aprenderam a falar e a andar.

Mais tarde neste ano, durante a participação do BTS no “The Ellen DeGeneres Show”, a apresentadora Ellen comparou o pandemônio que os recepcionou no aeroporto de Los Angeles com a Beatlemania.

No entanto, nos Estados Unidos, o BTS enfrenta duas barreiras que a banda britânica nunca teve que se preocupar: etnia e língua. A cultura popular americana tem um longo histórico de exclusão de asiáticos, e foram percebidas insinuações de racismo e xenofobia após a primeira vitória do BTS na Billboard, há um ano.

Pode ser cedo demais para dizer se o BTS estará à frente da “Invasão K-pop”. Mas fica claro que eles foram capazes de construir pontes e derrubar algumas das barreiras que impediam o K-pop de ser sucesso nos Estados Unidos.

Vimos isso durante o Billboard Music Awards quando, durante o discurso, o BTS agradeceu aos seus fãs — em inglês e em coreano.


Fonte; Susanna Lim @ Salon.com
Trans eng-ptbr; nalu @ btsbr


Publicado em 28.06.2018
A arte dos MVs coreanos
Como a cinematografia grandiosa está atraindo fãs ao redor do mundo, sem [...]

K-Pop sempre foi associado à visuais memoráveis, mas agora a percepção evoluiu para complexa e criativa ao invés de apenas excêntrica e escandalosa, cortesia da artisticidade da sensação global atual, BTS.

Quando as pessoas descobrem que eu sou fã de pop coreano é inevitável que me perguntem, “Mas como você entende o que eles estão dizendo?”. Há uma confusão imediata na cabeça delas de como é possível se conectar com artistas que se apresentam numa língua que não seja o inglês. Quando respondo à elas que não necessariamente preciso saber a letra para entender a mensagem do artista sou recebida por alguns olhares incrédulos ou risadas, ou ambos. A outra pergunta é quase sempre sobre se é a beleza ‘exótica’ que me atrai! Se você não é um fã de pop coreano, talvez você já tenha experimentado isso também.

Para ficar mais fácil de entender, acho importante retroceder bastante dessa narrativa: filmes mudos. Nascidos diretamente da fotografia, o cinema mudo perdurou por décadas sem áudio e língua e mesmo assim as mensagens eram transmitidas e o público entretido. Quer tenham sido pistas escondidas dentro de cenas para transmitir um mistério ou uma piada na comédia simples,  cada filme gerava uma emoção, reação e discussão sem depender do diálogo. Eu acredito que a analogia com o cinema mudo um bom jeito de entender a indústria musical coreana, onde os vídeos e elementos visuais algumas vezes expressam mais que palavras.

Primeiramente, Moda

Vestido em um terno listrado com estampa de estrelas, cabelo longuíssimo ruivo raspado na lateral e olhos delineados, G-Dragon se mostrou confiante, andrógino e poderoso no MV de “Fantastic Baby” de 2012.

Todo fã tem um artista específico que o introduziu no cintilante mundo do K-Pop. Para mim, foi o grupo veterano Big Bang com a música de 2012 “Fantastic Baby”. O escandaloso vídeo-clipe distópico destacou-se de tudo que eu já tinha visto e a cena de abertura com o líder do grupo, G-Dragon, sentado num trono me causou um particular e poderoso impacto. Vestido em um terno listrado com estampa de estrelas, cabelo alaranjado extremamente longo e olhos delineados, ele parecia confiante, andrógino e poderoso – sem mencionar a completa oposição da ideia social do que um homem não deve ser. O grupo inteiro com cabelos neons combinando e com estética cyberpunk, criou choque e admiração em medidas iguais.

O grupo de mesma empresa de Big Bang, 2NE1 teve um efeito parecido comigo com “I Am The Best”, um hino glamuroso cromado em prata e empoderamento feminino. Usando correntes, látex e estilo urbano de alta-costura, o quarteto feminino quebrou tudo ao redor com vigor, dirigindo carros caros e apresentando coreografia poderosa em cima de salto-alto – elas equilibraram sex appel e poder feminino como instrumentos para contar algo, ao invés de apenas excitar o público.

A moda sempre foi o sustentáculo pelo qual os MVs coreanos optaram para construir seu universo ao redor. De volta ao tempo dos originadores do K-Pop, Seo Taiji & Boys incorporaram o estilo de rua norte-americano e hip-hop com as calças largas dos anos 90. Isso deu aos fãs coreanos um gostinho da cultura ocidental e por outro lado, tornou os artistas coreanos mais acessíveis ao público ocidental. Quanto mais idols eram lançados, eles começaram a combinar com cuidado seus figurinos que refletiam as tendências de cada época. Logo, os videoclipes começaram a experimentar com conceitos  e temas completos. “Chained Up” do grupo masculino VIXX é sensualmente memorável, assim como o revival dos anos 60 proporcionado por Wonder Girls em “Nobody” de 2007.

 

O revival dos anos 60 de Wonder Girls em “Nobody”, 2007.

É apenas natural agora que grandes nomes da moda colaborem com essas estrelas da nova geração; a maioria dos artistas coreanos atualmente optam pela estilo urbano de grife combinando com looks saídos diretamente das passarelas, geralmente cruzando as fronteiras ocidentais com roupas uma estação adiantadas. O quarteto feminino BLACKPINK é um exemplo elogiado pelo estilo urbano em suas apresentações ao vivo e MVs.

 

Referências à arte e cultura pop

Cena de “Singularity” à esquerda incorpora uma alusão à famosa pintura de ‘Ophelia’ de John Everett Millais (e consequentemente, ‘Hamlet’ de William Shakespeare”), ‘O retrato de Dorian Gray’ do inglês Oscar Wilde e o mito grego de Narciso.

Com o passar do tempo e do início da dominação global do K-Pop, os figurinos e estilo dos artistas nos videoclipes se tornaram apenas a ponto do iceberg. Os diretores e artistas procuravam agora incorporar metáforas visuais em seus filmes.

“Em termos de simbolismo, o primeiro vídeo que vem à minha mente é ‘Doom Dada’ de T.O.P”, diz Ruchi Sawardekar (diretor de filmes e ardente fã do gênero). “A quantidade de referências visuais ao cinema e arte pós-moderna – foi um prazer para meus olhos de nerd e cinéfilo.”  

O MV lançado em 2013 demonstra o entendimento sagaz de história da arte e cultura pop de T.O.P. “Doom Dada” por si só já se refere ao movimento do Dadaísmo, que rejeita a lógica e utiliza a irracionalidade e absurdidade para criticar à sociedade. O vídeoclipe ainda carrega referência à diversos filmes aclamados pela crítica, incluindo “2001: Uma Odisséia no Espaço”, “A Bruxa de Blair” e muitos outros.

Há uma sequência com T.O.P dentro de um zootrópio, o perpetuador do cinema, com imagens de esqueletos correndo ao redor dele. Em uma entrevista à Fuse em 2014, T.O.P disse, “Eu queria criar um vídeo único que parecesse como um filme cult com alguns elementos divertidos, um vídeo com uma mensagem.” O vídeo inteiro é uma reflexão sobre a arte ser um caminho para a rebelião.

“É um paraíso para estudantes de literatura, realmente,” diz Meghna, pós-graduada em literatura inglesa em referência à “I Need U”, “Prologue” e “Run”, que fazem parte da série The Most Beautiful Moment In Life do BTS. Meghna é uma das fãs mais famosas por suas teorias divulgadas no Twitter (onde é conhecida como @Kookminvasion) e ganhou reconhecimento graças a sua análise cena por cena de MVs de K-Pop. Ela revela que foi The Most Beautiful Moment In Life que motivou esse hobby inicialmente. Com esses vídeos, o BTS deu início aos três anos de saga de seu universo fictício.

Cada integrante representou diversas dificuldades enfrentadas pelos jovens na sociedade atual, como vício em drogas, abuso, suicídio e assassinato e como as amizades podem ser uma válvula de escape dessas realidades. De longe, é uma das narrativas mais atraentes já existentes no K-Pop, quebrando diversos estereótipos, normas culturais e barreiras de linguagem para alcançar  notável apelo universal. “Esses três vídeos sozinhos geraram tantas teorias e possibilidades em todo o fandom que é inacreditável que eles tenham feito tudo isso em… que, 25 minutos de vídeo?”

Com seu álbum de 2016, Wings, eles levaram a mitologia ainda mais longe e começaram a explorar os limites da vida e morte, universos paralelos, literatura, mitologia e simbolismo religioso em seu trabalho. Muitos vídeos desde então possuem referências à literatura, arte e cultura pop que são reconhecidas pelas pessoas ao redor do planeta. “Eu acho que cada vídeo do BTS é explêndido por si só, pois as vezes uma cena só tem cinco elementos diferentes que eu preciso analisar, e alguns deles são impossíveis de se explicar em uma simples postagem no Twitter exatamente pelo extenso contexto que há por trás,” explica Meghna.

Livros como “Demian” de Hermann Hesse, “Aqueles que se afastam de Omelas” de Ursula K. Le Guin e “O pequeno príncipe” de Antoine Saint-Exupéry são as principais fontes de inspiração para o enredo construído pelo BTS, enquanto muitos outros moram escondidos entre as cenas. O vídeo para o recente comeback do grupo, “Singularity” é particularmente chamativo – ele incorpora alusões à pintura ‘Ophelia’ de Sir John Everett Millais, ao clássico de Oscar Wilde “O retrato de Dorian Gray” e o mito grego de Narciso.

Muitos fãs buscam por eles mesmos a leitura de todos esses conteúdos literários para entender a narrativa e acompanhar a atenção aos detalhes que o grupo mostra. Em uma entrevista com a Rolling Stone India em 2017, o líder do septeto, RM, falou sobre como a história deles é interligada: “Star Wars foi lançado há décadas, mas hoje pai e filho ainda vão ao cinema para assistir. Não é apenas algo de cinco ou dez anos, você me entende? Então nossa empresa entendeu isso e sempre reforçou a importância de construir um universo como o de Star Wars ou Marvel.”

 

Metáforas meticulosas e piadas visuais

Além de amplificar a letra de uma música, simbolismos visuais também servem como um substituto para ela. “Coup D’etat’ de G-Dragon é um ótimo exemplo”, aponta Sawardekar. “É uma música auto-expressiva que ficou ainda mais poderosa com seu vídeo. Ele consegue falar de sua experiência como artista em relação a liberdade criativa, sobre lidar com a constante crítica e ter dificuldades com sua própria identidade artística até para alguém que não entende a letra.”

Em “Coup D’etat” o ‘rei do K-Pop’ mergulha em sua própria psique para dar início a uma revolução interna. Ele precisa matar uma parte de si mesmo para nascer mais forte e criar uma nova narrativa. O MV é repleto de metáforas sobre autodestruição, capitalismo, relacionamentos tóxicos e as armadilhas da indústria de entretenimento. Ele também é autodepreciativo quando utiliza Easter eggs de músicas antigas de sua própria autoria para zombar de sua própria frivolidade. Simbolismo, piadas visuais e Easter eggs inteligentes se tornaram uma marca do trabalho de G-Dragon.

Todos concordamos em algo entretanto: VIXX são os líderes nesse jogo. O sexteto masculino construiu uma reputação como os ‘bonecos dos conceitos’ no K-Pop, fazendo uso de diversos enredos, alusões à literatura e mitologia desde seu vídeo com temática vampírica de 2013 para a música “On and On”. “Eu não acho que eles vão abrir mão de tal título,” diz Meghna. “Eles provavelmente são recordistas em quantidade de enredos já trabalhados.” Ela aponta “Fantasy” em particular, o single dark e sensual de 2016. “Eu tive que me sentar e tirar prints de diversas cenas para entender melhor,” ela relembra. O single faz parte da trilogia conceitualizada e nomeada à três diferentes deuses da mitologia grega: Zeus, Hades e Kratos. Os vídeos de cada single dos míni-álbuns da trilogia refinaram o simbolismo que conectava os integrantes naquela mitologia. “Esse foi um dos muitos momentos chocantes, eu acho, quando percebi que um dos integrantes representava Hades e o outro Perséfone, sua esposa.”

Simbolismo não é restrito apenas ao mundo K-Pop, porém, é uma arte que a maioria dos artistas coreanos botam fé. O cantor R&B Dean tirou inspiração da cultura norte-americana e história para contar suas próprias. Seu vídeo de 2016 de “Bonnie and Clyde” reconta a trágica história do infâme casal homônimo, desta vez num cenário por volta dos anos 80. Seu mais recente trabalho, “Instagram” é um vídeo de apenas uma tomada que utiliza trechos de importantes momentos e figuras históricas projetadas ao seu redor para criticar o desespero moderno das mídias sociais.

Os artistas coreanos frequentemente escolhem não explicar o significado de seus vídeos, permitindo à audiência liberdade para criar sua própria interpretação do trabalho – isso permite que se crie inevitavelmente um vínculo único entre artista e público que são livres para absorver o que é preciso de cada narrativa para os entreter.

 

Todos os movimentos certos

Não há como negar que visuais com coreografias impecáveis as vezes podem ter um impacto ainda maior. “Eu entrei para o K-Pop logo após assistir ‘Lucifer’ de SHINee em 2013, naquele tempo foi realmente a música e a coreografia que me atraíram para o gênero.” Sawardekar relembra. De fato, muitos fãs mais antigos apontam o quinteto masculino como seu primeiro encontro com o K-Pop.

Sawardekar admite que “Lucifer” é um tanto formuláica, mas desde lá a evolução criativa foi meteórica. “Ver grupos dançando em cenários fechados para agora combinar isso à narrativas complexas é bem impressionante. Em 2013-2014 percebi que muitos grupos tentavam ser inovativos e diferentes mesmo com suas típicas coreografias muito trabalhadas. ‘Growl’ do EXO é um bom exemplo.” Ela explica que “Growl” foca na coreografia com um cenário minimalista e uma câmera em take único que se movimenta durante o vídeo. “Save Me” do BTS e “Be Natural” de Red Velvet possuem técnicas visuais semelhantes.

Grupos maiores como Seventeen, com seus treze integrantes e NCT, com dezoito, dependem mais do visual rápido, complexo e preciso de seus passos de dança. Tidos como os reis da sincronia, Seventeen é responsável pela maioria de suas próprias coreografias e utilizam sua quantidade em próprio favor. Por exemplo, seu MV de 2017 para o single “Don’t Wanna Cry” contém cenas aéreas que mostram as formações impecáveis que o grupo utiliza.

Muitos artistas também incluem vídeos próprios para mostrar a coreografia – performance versions – o maknae do SHINee, Taemin, é conhecido por ser um dos melhores dançarinos da indústria e possui a tendência de preferir esse específico formato de MV (como visto em “Drip Drop”, “Press Your Number” e “Move”), para favorecer onde ele é mais forte.

Há também o aspecto ‘chave’ da coreografia, que se refere ao movimento que os fãs amam aprender e seguir ou uma parte específica da coreografia que a resume de maneira visualmente atraente. O viral de PSY, “Gangman Style” é um exemplo desse aspecto, onde o mundo todo aparentemente aprendeu a copiar os movimentos do produtor e artista veterano.

O futuro em cena

O grupo feminino LOONA utiliza múltiplas realidades, possível relacionamento homoafetivo e referências bíblicas em seus vídeos. Aqui, uma cena da música “Egoist”.

O K-Pop sempre foi associado à visuais memoráveis, mas agora a percepção evoluiu para complexa e criativa ao invés de ‘excêntrica’ e ‘exagerada’, cortesia da artisticidade do BTS. “O engajamento de um fã de K-Pop com a música e cultura é na maioria das vezes através dos MVS.”, diz Sawardekar. “Levando isso em consideração, é compreensível que os fãs criem expectativas nos MVs de seus artistas favoritos. Especialmente também porque a indústria está se tornando saturada de novos artistas, e mais músicas e consequentemente novos vídeos. O público está constantemente procurando por algo novo e interessante.”

A competição para lançar o melhor trabalho é intensa e grupos mais novos estão carregando a tocha com sucesso; as séries de vídeos do Monsta X que explora viagem no tempo, rebelião e reformas sociais é um exemplo, assim como o grupo de 12 integrantes, LOONA, que explora realidades múltiplas, possível relacionamento homoafetivo e referências bíblicas.

Meghna explica que os enredos e simbolismos nos MVs coreanos também desafiaram as atitudes desdenhosas que o público pode ter em relação à artistas asiáticos e/ou não falantes de inglês. “Isso alimenta discussões entre fãs que amam esses grupos e que querem saber o que exatamente aconteceu – ou o que pode vir a acontecer no futuro,” diz ela. Especulações online mantém o fandom em sincronia enquanto os fãs se juntam para conversar sobre teorias. Amizades são instantaneamente formadas quando fãs engajam nesses contextos para decifrar metáforas.

Ano passado RM apontou o quão impressionado ele fica com os fãs que com muita eficiência sempre estão ali estudando e analisando os vídeos do BTS. “Na verdade eu já vi algumas teorias e eu não sei quem foi, mas era um vídeo – tipo uma interpretação da história num geral – que estava realmente próximo,” ele revelou à Rolling Stone India sobre o fã misterioso que chegou muito perto de descobrir o segredo da narrativa de mais de três anos do septeto. “Eu acho que eles estão ficando muito espertos e talentosos demais!”

 

Fonte: Rolling Stone India
Trans eng-ptbr; Bia Rehm @ BTSBR


Publicado em 27.06.2018
[FOTOS] 26.06.18 – Desiigner e Steve Aoki comentam vitória de “Mic Drop” no RDMA
Os artistas comemoram sua vitoria junto de BTS!

“Mic DROP” ganhou o prêmio do Rádio Disney Music Awards, Desiigner e Steve Aoki comemoraram a vitória e agradeceram aos ARMYs.

Desiigner:

“Nós apreciamos todo o apoio e suporte! Continuem assim ARMY”

 

Steve Aoki:


“Nós vencemos!! Amo todos os nossos fans, obrigado!”

 

Steve Aoki também comentou um artigo da Billboard Dance que fala sobre a vitória de “Mic DROP”:


“Tão empolgado!!!!!”

 

via; bts_national @ twitter


Publicado em 26.06.2018
SUGA é listado como idol com a pele mais maravilhosa
Sua pele de porcelana impressiona à todos.

O Dailypop listou os 4 idols com as peles mais maravilhosas e macias que criam um efeito sinérgico junto aos seus rostos. SUGA é um dos idols escolhidos por combinar com qualquer cor.

cr; dailypop