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Publicado em 07.08.2018
Como é ser fã do BTS e seu trabalho voltado à juventude sendo um adulto
Se apaixonar pelo BTS não é exatamente algo que você decide - apenas acontece

Se tornar um fã do BTS não é exatamente a melhor decisão a se tomar quando você não dispõe de muito tempo livre. Entre álbuns, video-clipes, apresentações ao vivo, Bangtan Bombs, e episódios do Run BTS, para apenas nomear alguns – o grupo possui e renova a cada dia uma quantidade enorme de conteúdo que pode, literalmente, te manter tão ocupado tal como um segundo emprego. Se você se juntar ao ARMY um pouco tardiamente, assim como eu, fica quase humanamente impossível se manter em dia com seus conteúdos.

Mas se apaixonar pelo BTS não é exatamente algo que você decide – apenas acontece; você nunca consegue prever quando e como. Comigo, mesmo que já escute as músicas deles há anos, minha real admiração começou quando eu fui pesquisar sobre quem realmente era o cara do BTS que foi promovido como um membro oficial da KOMCA.

Independente de seus motivos, realmente conhecer o septeto é algo que vale a pena independente de sua faixa-etária. Entretanto existe uma peculiaridade de ser um ARMY quando se está no final de seus vinte e muitos anos ou mais. Você se pega tirando uma folga no intervalo de suas reuniões de trabalho para assistir à uma apresentação antiga do Bangtan com suas carinhas de crianças cantando sobre estar no segundo ano em “2nd Grade”. Você arranja espaço para produtos coloridinhos e fofos, álbuns e photo cards entre sua conta de luz e milhares de outras contas à pagar.

Eu não estou sozinha nisso – ouso dizer que uma grande parte da base de fãs do BTS é composta por adultos (em sua maioria mulheres) em seus 20, 30, 40 anos; mesmo que muitos ainda dizem com ignorância que os fãs de artistas pop são apenas “garotinhas imaturas”, fala essa usada constantemente para deslegitimar o talento de artistas e seu sucesso.

A música do BTS, as personalidades dos integrantes e suas respectivas histórias podem inspirar empatia, amor e admiração por pessoas de qualquer idade. O mesmo pode ser dito de muitos outros grupos de K-pop ou qualquer artista pop de indeterminada cultura. Entretanto, no caso do Bangtan, algo parece adicionar um significado particular à paixão dos “fãs mais velhos” pelo grupo: o interessante (e talvez contraditório) fato de que toda a carreira deles é inteiramente focada na juventude. Eu não posso falar por todos os adultos ARMYs existentes, mas para mim, esse particular aspecto da artisticidade do BTS é uma das coisas que fez com que me apaixonasse por eles – mesmo que eu não seja, supostamente, jovem o suficiente para me identificar com a narrativa contada pelo grupo.

 

 

Na verdade, estou bem longe de ser ‘velha’ – sou apenas dois anos mais velha que Jin, o integrante mais velho do grupo. Entretanto, alguns poucos anos podem fazer muita diferença quando você está na sua adolescência ou em seus anos como jovem adulto. Por exemplo: a desproporção entre o fato do caçula do septeto, Jungkook, ganhou o prêmio de “Artista do Ano” aos dezenove anos enquanto eu estava em meus vinte e seis e ainda sem saber ao certo o que fazer da minha vida, seria o necessário para fazer com que me sentisse um fracasso. Mas na verdade, quanto mais escavo na história dos sete, acabo sentindo exatamente o oposto.

Talvez alguns já em idade adulta podem achar que é tarde demais para correr atrás de sonhos e fazer coisas significativas como o BTS faz. Mas através da música deles nós descobrimos que eles, assim como nós, se sentem inseguros e com medo mesmo após conquistar tantas coisas.

 

 

O quão irônico é que estes sete meninos tenham escolhido falar sobre as belezas e dores da juventude, ainda que estejam soterrados com sua agenda de trabalho que mal conseguem ter a chance de aproveitar a própria? Estamos falando de um grupo que está lançando seu quarto álbum em menos de 12 meses, enquanto se preparam para sua turnê mundial com mais de 20 paradas, todas esgotadas. Esses caras não descansam. Mesmo assim, eles sempre parecem entusiasmados com o que fazem, não é como se pensassem que eles estão “desperdiçando sua melhor época.”

Como jovens pessoas no mundo, temos tantas coisas à nosso favor e tantas outras mais contra nós, tudo ao mesmo tempo, e acabamos por não saber o que fazer com nossa juventude – como a famosa citação atribuída à Oscar Wilde e George Bernard: “a juventude é desperdiçada nos jovens.” A flor da idade pode ser, emprestando as palavras do título da série de álbuns do BTS, “o momento mais bonito da vida”; ainda assim é cheia de contradições. A sociedade espera que um adulto saiba tudo sobre a vida; porém, todos parecem concordar que antes de se tornar esse adulto você deve aproveitar a sua época de ser “jovem, aventureiro e livre”. Como nós devemos aprender e construir tudo o que é necessário para nos tornarmos adultos bem-sucedidos, e viver as mais divertidas e malucas aventuras tudo ao mesmo tempo? Qual dos caminhos devemos escolher?

Por vezes é inevitável pensar sobre o quão diferente a vida seria hoje se eu tivesse sido menos como “eu mesma” no passado; se eu tivesse estudado e trabalhado mais, ou talvez menos e tivesse tido tempo de aproveitar minha juventude de uma maneira diferente. Apesar disso, eu de alguma forma me sinto mais confortável quando vejo Jin, SUGA, RM, J-Hope, Jimin, V e Jungkook. Assim como todos nós, eles estão dando o máximo de si mesmos em sua “melhor fase”. Eles optaram por seguir seus maiores sonhos, porque eles possuem um – mas também falam que está tudo bem em não ter sonhos. Eles estão dando tudo que eles têm e tentando lidar com o fato de que esse tudo, talvez, não seja o suficiente para se sentirem orgulhosos e satisfeitos. E se é dessa maneira com sete seres incrivelmente talentosos, por que seria diferente comigo? Quando penso nisso consigo achar um conforto e até paro de culpar o meu ‘eu’ mais novo. Pois eu fiz o meu melhor. Eu fiz o que podia fazer sendo aquela pessoa naquela época.

Ver os sete e suas diferentes peculiaridades também ajuda aos fãs a se identificarem com o BTS de muitas maneiras. Em “Reflection”, por exemplo, um menino aparentemente confiante o suficiente para se nomear como monstro do rap confessa que, mesmo após ter alcançado muitas coisas, ele ainda deseja poder se amar. Em “Awake”, o integrante com a auto-estima mais forte do grupo canta que ele está ciente que talvez nunca consiga voar tão alto quanto gostaria. É triste, mas também emponderador porque soa humano; é genuíno.

O fato que insegurança e  medo coexistem com confiança e determinação, para o grupo, é o que faz a música deles e suas personalidades individuais serem tão alcançáveis para pessoas de 12 anos como também para as de 60 anos.  E eles compartilharem tudo isso conosco nos dá a sensação de que ‘estamos todos juntos nessa’, independente de idade, gênero, raça ou cultura. Me faz pensar que não somos tão diferentes apesar de tudo – e se pessoas que se sentem ‘perdidas’ podem se identificar com sete meninos que inspiram tantas pessoas, então, bom, talvez não estejamos assim tão perdidos. Talvez estamos fazendo algo certo.

Quando você tem 28 anos, assim como eu, você realmente acha que já deveria ter sua vida resolvida e decidida. Leitores mais novos, se estiverem lendo isso, peço desculpas, mas eu preciso dizer algo pra vocês: é possível que daqui cinco, 10 ou 20 anos no futuro você ainda não saiba sobre a vida. E está tudo bem. Nós todos temos dúvidas, inseguranças e desafios a enfrentar, independente de termos nos encontrado ou não. Com a devida proporção, a vida é a mesma para todo mundo: nada é garantido e as lutas ficam mais difíceis a cada vitória. E está tudo bem.

Me lembro de assistir a uma das muitas entrevistas que o BTS fez nos Estados Unidos para sua primeira apresentação no American Music Awards em 2017, e eu fiquei muito emocionada por um dos comentários feitos durante o vídeo. Era de um senhora de 60 anos que disse: “Eu acabei de descobrir esses garotos e eu estou me sentindo tão bem assistindo-os, eles me fazem me sentir jovem outra vez.” Eu acredito que seja a mesma razão pela qual eu me apaixonei pelo BTS. Eles me fazem sentir ok sobre não ser o que eu pensava que seria atualmente – e isso é se sentir jovem também.

Até porque, independente de idade, podemos ser todos jovens enquanto aceitarmos o fato de que não sabemos de tudo e que podemos sempre aprender e melhorar – como SUGA diz em “Nevermind”: “Nós ainda somos jovens e imaturos, não se preocupe sobre isso.”

 

 

Fonte: Ana Clara Ribeiro @ Kult Scene
Trans eng-ptbr; Bia Rehm @ BTSBR



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