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Bulletproof Boy Scouts (em coreano: 방탄소년단) é um grupo masculino sul coreano de hip-hop formado pela Big Hit Entertainment. Geralmente conhecidos como BTS, são também chamados de Bangtan ou Bangtan Boys. Eles estrearam em 13 de junho de 2013 com sua... LEIA MAIS
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Publicado em 01.11.2018
Como o BTS alcançou o sucesso que outros grupos não conseguiram?
O jeito diferente de trabalhar os permite atingir uma audiência maior

Depois da BTS World Tour: Love Yourself esgotar em todo mundo, não foi incomum ver a mídia americana comparando a turnê do grupo coreano com a chegada dos Beatles aos EUA e a Invasão Britânica de 1960. O BTS tem deixado em seu caminho uma longa trilha de estádios lotados de fãs gritando por eles. A comparação veio quando o grupo se apresentou em dois grandes locais — o Citi Field em Nova Iorque e a O2 Arena em Londres — trazendo de volta a imagem da histórica apresentação da banda inglesa no Shea Stadium.

Ser a maior boyband do mundo não é pouca coisa. Há alguns anos, era difícil imaginar que um grupo de Kpop herdaria o trono antes ocupado por nomes como New Kids on the Block, N’SYNC e One Direction. — todos de países com a língua materna inglesa e quase todos brancos. Mas um olhar mais atento à música e a mensagem do BTS pode mostrar que até mesmo chamá-los de boyband pode, na verdade, estar diminuindo o que eles realmente são.

O termo “boyband” é um produto da história da música pop anglofônica e vem com um conjunto de suposições. Começando com o Jackson 5 e The Osmonds e culminando com New Kids on the Block, o termo era usado para denominar um ato de pop formado por jovens bonitos, apresentando músicas criadas por produtores gananciosos. Seu público alvo eram garotas adolescentes, no qual as músicas e mensagens da boy band eram dirigidas. As letras eram geralmente melosas, e as músicas sobre entrar ou sair de um relacionamento romântico com uma mulher jovem. Normalmente, as músicas das boybands raramente eram ousadas, e consistiam em músicas pop chiclete, fáceis e previsíveis.

De certa forma, não é errado chamar o BTS de “boyband”. O sistema de produção de ídolos no K-Pop é totalmente associável com a produção de ídolos nos EUA e no Reino Unido. As boybands do mundo pop anglófono também tiveram enorme popularidade na Coreia do Sul, tanto que quando o New Kids on the Block fez um show em Seul em 1992, o tumulto foi tão grande que chegou a matar um fã e hospitalizar outros 50. Os produtores coreanos procuraram imitar o sistema que criou o Jackson 5 e New Kids on the Block. Isso eventualmente resultou no terrível sistema de trainees do K-Pop, que também criou o BTS sobre o apoio da Big Hit Entertainment. Como outras boybands e grupos de K-Pop, o BTS é um grupo formado de jovens bonitos que apresentam músicas que se apoia fortemente na estética visual.

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Mas é aí que as similaridades acabam, já que muitos conceitos históricos sobre boybands não se aplicam ao BTS. Acima das semelhanças superficiais, o BTS trabalha de um jeito diferente que os permite atingir uma audiência maior do que os reinos anteriores desse cenário.

Nesse ponto, as bandas de K-Pop estão musicalmente em um lugar diferente. Enquanto alguns grupos de K-Pop que se entregam ao pop chiclete, os principais artistas do gênero frequentemente apresentam músicas ousadas e inovadoras. Em sua música “Rum Pum Pum Pum”, o f(x) estabeleceu novos limites para a música pop eletrônica e “The 7th Sense” do NCT U deu certo por ser construída com um som minimalista e hipnótico. Essas músicas são ousadas ao ponto de não terem muito em comum com outras músicas de K-Pop.

As boybands ocidentais dos anos 90 também experimentaram sons inovadores que iam além da música pop, mas os grupos de K-Pop deram um passo adiante. Nesse sentido, eles são herdeiros musicais de Michael Jackson, cujo a música deixou uma marca inesquecível na cena pop coreana dos anos 90 (O Seo Taiji and Boys, a fonte do K-Pop moderno, eram obcecados pelas músicas do Rei do Pop). É válido lembrar que Jackson também começou sua carreira com o Jackson 5, a boyband protótipo que surgiu antes mesmo que o termo “boyband” fosse tão usado. Michael Jackson levou sua música a um nível único visualmente e audivelmente, hipnotizando os fãs. Seguindo o padrão dos Jacksons, os grupos de K-Pop sempre procuram apresentar um pacote completo, coreografias excelentes e presença de palco carismática. Esse aspecto do K-Pop tem sido crucial para reviver o gênero dos grupos masculinos que vem decaindo nos EUA e no Reino Unido. O BTS tem tido sucesso porque eles são os melhores apresentando todo esse pacote. Eles são um grupo diversificado, composto de três rappers e 4 cantores, em contraste aos EUA/Reino Unido, onde em tais grupos geralmente todos são cantores com um ou dois papéis principais.

Para as boybands dos EUA e do Reino Unido, o produtor é inseparável do produto. É difícil imaginar o New Kids on the Block sem Lou Pealrman, ou One Direction sem o Simon Cowell. O mesmo modelo foi importado para o K-Pop, e a maioria dos grupos estão intimamente ligados às suas produtoras geralmente SM Entertainment, JYP Entertainment ou YG Entertainment, todas com os nomes correspondentes às iniciais de seus fundadores. Mas com a Big Hit Entertainment e seu fundador Bang Si-hyuk, que enfatizou a liberdade artistística no “house style”. Com a ajuda de um pequeno número de produtores, os integrantes do BTS participaram da produção de músicas desde o começo, compondo as próprias músicas e escrevendo as próprias letras.

Apesar da influência de Bang Si-hyuk e os produtores da Big Hit esteja claramente presentes nas músicas do BTS, tal influência é menos pronunciada em comparação com as marcas que por exemplo, dá Starr em New Kids on the Block ou Max Martin no Backstreet Boys e N’SYNC. A música do BTS é orgânica porque sai naturalmente da mente dos integrantes. Não é uma coincidência que o BTS começou sua jornada musical com o hip-hop, gênero que talvez tenha a maior barreira para a autenticidade. No começo, o BTS estava mais perto de ser um grupo de hip-hop em formato de boyband do que uma boyband experimentando o hip-hop.

A autenticidade artistística do BTS brilha ainda mais em suas letras e mensagens. Enquanto o BTS canta sobre amor e namoro, é mais frequente a autorreflexão e a observação sobre as pessoas e o mundo ao redor. Eles olham para dentro, em vez de cantar apenas sobre o exterior. O grupo é honesto em suas lutas; e eles são críticos e desafiadores aos problemas impostos por seus adversários na sociedade em geral. A sua mensagem — que ultimamente se resume a amar a si mesmo —  é positiva e otimista, pois vem originalmente de sua energia juvenil. Essa nota esperançosa, que ecoa a mensagem de Michael Jackson “Heal The World”, coloca o BTS em lugares que raramente estrelas pop chegariam, como a campanha da UNICEF contra a violência e um discurso proferido durante a Assembleia Geral da ONU.

O que diferencia o BTS da maioria das maiores boybands anteriores é também o que permite que o septeto atinja um alcance maior de fãs do que seus antecessores. Os fãs do BTS são mais diversificados culturalmente, eticamente e geracionalmente do que qualquer outro grupo que veio antes deles. A fanbase ARMY é realmente uma força global, com centenas de milhões de fãs espalhados pela Ásia, Oriente Médio e África. Notavelmente, a BTS World Tour: Love Yourself atraiu um grande número de fãs de meia-idade. Para a maioria das boybands, uma multidão de fãs de meia-idade só viria em um show de reencontro, mas em qualquer show do BTS, não é incomum ver três gerações de ARMYs presentes, ou uma mãe e uma filha em que a mãe é a fã e a filha apenas uma acompanhante.

A média falante da língua inglesa ainda está tentando processar o aumento súbito do BTS. Como o  BTS apareceu completamente do nada, houve uma dificuldade em encontrar um quadro de referência, que é como chegamos a “boyband”. Embora a chegada do BTS nos EUA tenha sido comparada com a chegada dos Beatles e a invasão britânica, podemos estar realmente vendo os herdeiros do Michael Jackson do século XXI.

Fonte: Vulture
Trans eng-ptbr; natália feitosa @ btsbr



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