Crítica: BTS aquece a noite fria de Chicago com um show de pegar fogo 🔥

Anúncio

Crítica: BTS aquece a noite fria de Chicago com um show de pegar fogo 🔥

Em 2014, os integrantes do BTS literalmente andaram por Los Angeles tentando convencer as pessoas a irem ao seu show gratuito — cerca de 200 pessoas apareceram. Semana passada, o grupo começou a turnê mundial Love Yourself: Speak Yourself, com um par de shows esgotados no estádio Rose Bowl, em Los Angeles, e, em uma gelada noite de sábado, se apresentaram em dois shows lotados no estádio Soldier Field, em Chicago.

Nas duas horas e meia de show, o grupo provou que cresceu para palcos maiores. RM, Jin, SUGA, J-Hope, Jimin, V e JungKook fizeram uma entrada teatral, acompanhados por um par de panteras negras. A música de abertura, “Dionysus”, do álbum recordista Map of the Soul: ‘Persona’, fez referência a esse progresso: “Se aparecermos em qualquer lugar do mundo/Será um festa em um estádio,” SUGA diz no rap. “Nascido idol do K-pop/Reencarnado artista… O que importa se sou idol ou artista?”

O show continuou com o hit de 2017, “Not Today”, que começa com um grito às ovelhas negras: “Todos os desfavorecidos do mundo/ O dia em que perderemos chegará/ Mas não será hoje/ Hoje, nós lutamos!” Apesar da popularidade do grupo, essa música é declaração sobre sua carreira: claro, a fama do BTS é devido às músicas e aos visuais — mas também é por causa das mensagens poderosas sobre perda, desigualdade e a pressão que os jovens enfrentam. “Nossa geração já enfrentou muitas dificuldades,” eles dizem em “Baepsae”.

As músicas também incluem elementos familiares para coreanos de gerações mais antigas. “IDOL” — que soa ainda mais como um hino quando apresentada ao vivo em um estádio cheio de fãs que entoam todos juntos — tem suas raízes no pansori, um gênero de música folk coreana que, originalmente, era tocada por e para plebeus, antes de cair nos gostos da elite. Com camadas de batidas africanas e elementos do trap, a música possui uma sonoridade rica e global que é tradicional e moderna ao mesmo tempo.

Até o hit atual, “Boy With Luv” — uma canção pop chiclete com versos de rap —, tem um significado mais profundo. É uma referência à música “Boy in Luv”, de 2014, e desconstrói um antigo pensamento juvenil. A letra da música inclui o trecho “Estou voando alto no céu com as duas asas que você me deu,” com as asas servindo tanto como metáfora para os fãs, quanto como referência ao título do seu segundo álbum de estúdio.

Muitas das baladas do BTS evocam o sentimento de “han”, que não possui tradução direta em português. Em coreano, a palavra serve como uma combinação melancólica entre anseio e pesar. Essas sensações ficam evidentes em músicas como “The Truth Untold” e “Epiphany”, que começa de forma silenciosa com Jin tocando piano antes da música crescer em uma série de notas agudas que deixou o público às lágrimas.

Cada integrantes teve uma chance de brilhar em solos. JungKook flutuou sobre a plateia com arames enquanto cantava “Euphoria”. Jimin surgiu dentro de uma bolha transparente para “Serendipity”, antes de mostrar uma coreografia que se encaixaria perfeitamente em um grupo de dança moderna. V trouxe uma performance ardentes para a música mais sexy da noite, a soul-R&B “Singularity”. Os rappers J-Hope, RM e SUGA mostraram todas as suas habilidades com “Trivia: Just Dance”, “Trivia: Love” e “Trivia: Seesaw”, respectivamente.

O grupo também desvendou o aspecto mais desafiador de shows em estádios: como fazer os espetáculos mais intimistas. O charme de garoto-da-casa-ao-lado, piadas animadas (em inglês e em coreano) e as interações constantes com o público projetaram um calor que alcançou a arquibancada mais alta do Soldier Field. Mesmo a barreira da língua não distraiu do aspecto narrativo das músicas: a maioria dos fãs no estádio naquela noite já haviam, há muito tempo, traduzido as canções.

E, ainda que tivessem muitos gritos do público majoritariamente, mas não exclusivamente, jovem, era mais um rugido empático de apoio do que ganidos frenéticos. Fãs berravam de pura alegria quando os rostos dos integrantes eram mostrados nos telões e torceram quando Jimin e JungKook mostraram os tanquinhos. Mas guardaram os aplausos mais altos para as músicas em si.

Elas também, provavelmente, ajudaram a manter o calor naquela noite úmida e irracionalmente fria — RM brincou que pareceu ser o primeiro show de inverno do grupo. Ainda assim, V prometeu que o BTS voltará no ano que vem — um comentário que fizeram os fogos de artifício que surgiram em seguida pareceram quase anti climáticos.

Setlist:

  1. “Dionysus”
  2. “Not Today”
  3. “Outro: Wings”
  4. “Trivia: Just Dance” (J-Hope solo)
  5. “Euphoria” (JungKook solo)
  6. “Best of Me”
  7. “Serendipity” (Jimin solo)
  8. “Trivia: Love” (RM solo)
  9. “Boy With Luv”
  10. “Dope”
  11. “Baepsae”
  12. “Fire”
  13. “Idol”
  14. “Singularity” (V solo)
  15. “Fake Love”
  16. “Trivia: Seesaw” (SUGA solo)
  17. “Epiphany” (Jin solo)
  18. “The Truth Untold”
  19. “Outro: Tear”
  20. “Mic Drop”

Encore:

  1. “Anpanman”
  2. “So What”
  3. “Make It Right”
  4. “Mikrokosmos”

Fonte: Variety

Artigos | por em 16/05/2019
Compartilhe:

Comentários:


Anúncio