Speak Yourself Tour: Um show construído para emocionar

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Speak Yourself Tour: Um show construído para emocionar

É notória a consolidação do BTS diante do mercado musical. Os integrantes agora deixam para trás aquele show para 7.000 pessoas no Citibank Hall para duas apresentações esgotadas no Allianz Parque. Reunindo um público de 84.728 pessoas, é mais do que certo afirmar sua influência na indústria, e até diria na cultura pop. Não é comum um grupo sul-coreano ganhar o mundo e tanto destaque como o BTS tem feito. São inúmeros os fatores que os tornaram a boyband da atualidade, contudo o objetivo deste texto não é elenca-las, mas sim trazer um pouco dos momentos inesquecíveis que vivenciei nestes dois dias de show.

Como sabemos, nos dias 25 e 26 maio ocorreu em São Paulo a BTS World Tour: Speak Yourself, que chegou ao Brasil rodeada de expectativas. Algo totalmente compreensível já que a última vinda do grupo às terras tupiniquins foi em 2017 com a The Wings Tour. Os ARMYs estavam ansiosos para o seu retorno e para um show que fizesse jus aos status do grupo, já que mesmo o Brasil sendo uma figurinha marcada nas turnês desde 2014, convenhamos que a infraestrutura sempre deixou a desejar. Sendo assim, o primeiro ponto que merece destaque é a infraestrutura do show em si. Para muitos pode ser algo irrelevante, mas não desistam de mim ou desse texto, que irei explicar.

Já fui em inúmeros shows na minha vida, sejam nacionais ou internacionais, mas nunca vi o nível de infraestrutura igual ao trazido pelo grupo. O nível de complexidade e grandiosidade envolvido nessa montagem é algo absurdo. Talvez o choque se dê pelo fato do Brasil, na verdade América Latina como um todo, não ter o costume de receber infraestruturas completas de uma turnê de um artista internacional, já que não somos a galinha de ovos dourados quando o assunto é investimento. Contudo, o BTS chegou a São Paulo com três aviões completamente lotados de equipamento – cerca de três toneladas – para os seus shows, algo que já demonstrava o nível de perfeccionismo do BTS para com suas apresentações, mas também, de comprometimento com o público ao possibilitarem uma imersão completa.

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Posso definir a BTS World Tour: Speak Yourself como algo inesquecível do começo ao fim. No primeiro dia de show, sábado, confesso que passei por momentos estressantes, principalmente na questão de organização de filas, mas toda a preocupação desapareceu quando entrei na manhã do dia 25 no estádio para vivenciar o Soundcheck. Eu sei que é um ingresso extremamente caro e que nem todos tem a condição financeira para adquiri-lo, mas o que eu posso dizer é que vale MUITO à pena.

A partir do momento que recebi meu laminado e pulseira, parecia que tinha entrado em uma espécie de realidade alternativa? Eu sabia que iria ver os meninos pela primeira vez – o que já tinha me deixado ansiosa, pois era meu primeiro show –, mas eu ainda não tinha me dado conta da situação. A realidade realmente caiu quando eu os vi na minha frente, e eu digo literalmente na minha frente, porque o que nos separava era uma grade. Nenhuma foto, vídeo ou qualquer outro tipo de mídia faz jus a presença de palco ou beleza dos meninos. Durante 20 minutos – que foram por sinal os mais rápidos da minha vida – pude cantar “FAKE LOVE”, “IDOL” e “MIC DROP” em meio a muitos sorrisos, gritos e animação. Nunca esquecerei o Namjoon gritando “Brazil is the best”, a fofura de JungKook mandando corações para toda a platéia, a animação de J-Hope por estar de volta a sua terra BrazilHope, o sorriso de Taehyung, a energia do Jin, a presença de palco de SUGA e a doce voz do Jimin. Foram momentos únicos que tive oportunidade de vivenciar e ainda acompanhada por um incrível grupo de amigas. Algo que jamais esquecerei. BTS mais uma vez criando momentos tão especiais em minha vida.

Após esse carrossel de emoções que foi o Soundcheck, iniciou-se a longa espera até às 19h, hora marcada para o início do show. Ainda estava baqueada do que tinha presenciado a poucos minutos, mas me mantive calma, porque tinha que guardar minhas lágrimas e garganta para o show.

Para ser sincera que não me mantive muito antenada sobre a turnê, pois queria vivenciar e ser surpreendida no dia, principalmente com relação ao setlist e creio que esta foi a melhor decisão que tomei, o arrepio que senti ao ver eles de branco em meio a chamas e tigres gigantes enquantos os primeiros acordes de Dionysus ecoavam pelo estádio foi maravilhoso e fez com que eu balançasse minha Army Bomb como se não houvesse amanhã.

No meio de tantos gritos, fanchants e um espetáculo visual, estava presenciando o poder que o BTS emana quando está no palco. Sufocante e ao mesmo tempo hipnotizador, é perceptível como as personalidades de cada integrante são incorporadas em suas coreografias e músicas. Interagindo a todo momento com a platéia, é clara a intenção do grupo em fazer com que você se sinta especial. Um claro exemplo, foi a pequena surpresa do grupo ao cantar o trecho de “Airplane Pt.2” onde o Brasil é mencionado, como forma de agradecimento aos B-ARMYs, que estiveram presentes desde o início de sua carreira. Pequenas ações que trazem um enorme significado.

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Extremamente dinâmicos, o BTS se revezava entre o palco principal e o segundo palco de forma muito orgânica, sabendo muito bem intercalar as apresentações em grupo com os seus respectivos solos. Não quero ficar falando de cada música do show até porque acho que isso tira um pouco o foco do texto, mas posso compartilhar minhas favoritas.

Não sei quanto a vocês, mas sou clara apoiadora de “Outro: Wings”, e ouvi-la ao vivo logo no começo do show foi uma grande surpresa. É a música perfeita de transição para um solo, uma vez que você vê neste momento um BTS muito mais leve, circulando pelo palco e interagindo com os ARMYs sem a preocupação de uma coreografia ou de demarcação de lugares. Com um ambiente bem leve e descontraído, o solo de J-Hope com “Just Dance” entra em cena para fazer com que você abra um enorme sorriso, já que é impossível vê-lo e não se contagiar pela sua alegria.

Acho que o apelido de sol, é a definição perfeita para descrevê-lo. Ele é um showman e sabe conduzir o público como ninguém, mas presenciar sua felicidade durante a apresentação no Brasil é algo inesquecível. Foi algo realmente impactante ouvir um estádio inteiro clamar seu nome e a surpresa deste ao perceber a onda de amor que estava recebendo. Sabemos que todos os integrantes sentem um enorme carinho pelo nosso país, mas com J-Hope é algo a mais, como dito pelo mesmo “vocês sabem como são especiais para mim”, e presenciar esse brilho que ele emanava nos dois dias de show foi surreal. Com toda certeza, foi algo memorável tanto para nós como para ele.

Seguindo a tour de músicas favoritas, acho que “The Truth Untold”, “Trivia: Love” e “Epiphany” dispensam comentários já que são três das minhas músicas favoritas da discografia do BTS. Entretanto quero apenas fazer um pequeno parênteses. “The Truth Untold” é lindíssima e mostra as nuances vocais de cada integrante da linha vocal, realmente é uma música feita para você ouvir ao vivo e se emocionar. Eu que já estava chorando fui aos prantos ao perceber a emoção de Jimin. Em primeiro momento fiquei preocupada, mas vê-lo suspender o microfone para que os ARMYs cantassem sua parte é uma cena que guardarei para sempre em minha memória. Foi algo realmente único, sendo clara a emoção dos integrantes naquele momento, ao perceber que todos tinham retirado seus pontos para nos ouvirem. Demonstrando mais uma vez, a sintonia entre o público e o BTS.

Contudo, gostaria apenas de comentar que logo após essa enxurrada de emoção ouvir “Outro: Tear” não faz muito sentido. BTS como você quer que eu chore que nem uma condenada e depois comece a fritar em questões de minutos? Claramente impossível. O resultado fui eu balançando minha Army Bomb aos prantos enquanto via a apresentação épica de SUGA, RM e J-Hope.

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Por falar em fritar o Medley de “Dope”, “Baepsae”, “Fire” e o remix de “IDOL” foram alucinantes. Não sei como foram nos outros países, mas os ARMYs foram à loucura enquanto cantavam e dançavam. Era claro, também, como foi o momento em que o BTS simplesmente deixou se levar pela energia do público. É sério, eu nunca vi nenhum deles daquele jeito, eles estavam simplesmente elétricos, era claro como eles estavam se divertindo.

A verdade é que durante esses dois dias de show, tanto o BTS como nós nos surpreendemos. Eu não posso falar por todos, mas acho que a parada da Speak Yourself Tour no Brasil foi sim a mais memorável. Sim, nós fomos o menor público da turnê, mas acho que o único a canalizar o objetivo desta. Durante a conferência de imprensa para o show de Wembley, SUGA mencionou que eles queriam trazer a sensação de um festival com essa turnê e o Brasil deu isso a eles. Aproveitamos até o último segundo e priorizando criar lembranças com eles. Cantamos, dançamos, rimos, choramos e compartilhamos momentos com amigos, familiares ou até mesmo com desconhecidos que estavam sentindo as mesmas emoções.

O BTS percebeu isso e se emocionou. Ver o respeito e o agradecimento no olhar de cada um, é de uma humildade que poucos artistas possuem. É perceber como esses momentos conosco são importantes para eles. Não se deixem se contaminar por comentários maldosos e invejosos, o show em nosso país foi sim inesquecível e o BTS fez questão de tornar isso claro a todo momento.

A BTS World Tour: Speak Yourself se tornou um ambiente seguro, repleto de amor e respeito. Onde ser “diferente” como certas pessoas gostam de rotular não é um divisor, mas sim um unificador. Speak Yourself, nunca fez tanto sentido como neste show. Nos manifestamos nas mais diversas formas, demonstrando de cada maneira nossa individualidade e o mais importante relembramos ao som de “Mikrokosmos” porque amamos tanto eles. Enfim, um show realmente construído para emocionar.

Artigos | por em 25/06/2019
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