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Bulletproof Boy Scouts (em coreano: 방탄소년단) é um grupo masculino sul coreano de hip-hop formado pela Big Hit Entertainment. Geralmente conhecidos como BTS, são também chamados de Bangtan ou Bangtan Boys. Eles estrearam em 13 de junho de 2013 com sua... LEIA MAIS
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Tag: artigo original

Publicado em 05.11.2018
SUGA só precisou de 9 segundos para dominar a internet e nossos corações! 💖
Fancam do rapper apresentando "Seesaw" está ganhando views na velocidade da luz

A essa altura do campeonato, com 5 anos desde o seu debut com o BTS e uma mixtape solo sob o pseudônimo Agust D, muitos de nós já sabemos do que SUGA é capaz, além de conhecermos bem o poder de sua tongue technology, sempre admirados pela maestria com a qual o rapper canta os versos mais rápidos do universo K-Pop.

Seus versos ágeis e ferozes têm o poder de deixar fãs, críticos e curiosos simplesmente abismados, sem palavras para explicar tamanha imponência e entrega.

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Entretanto, em Love Yourself 結 ‘Answer’ o rapper surpreendeu à todos com a melódica “Seesaw”, seu solo para o álbum, que nos trouxe uma faceta até então pouco explorada por SUGA, mostrando que também há espaço no BTS para que os rappers mostrem suas habilidades vocais.

Com o lançamento do álbum, veio a BTS World Tour: Love Yourself e a tão esperada apresentação solo preparada por cada integrante do grupo para seus fãs.

Para o deleite de suas ARMYs, SUGA domina e encanta o público em um belo figurino, que serve apenas como complemento para a melhor parte de sua performance: a coreografia.

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Durante a passagem do grupo pela Alemanha com dois shows de casa cheia em Berlim, uma fã capturou e compartilhou diversos momentos de “Seesaw” em vídeo via Twitter, todos com foco no rapper que estava especialmente radiante na data.

A maior parte dos vídeos compartilhados pela ARMY rapidamente alcançou milhares de visualizações, mas um vídeo em particular teve um desempenho além do imaginado…

Em apenas 4 dias, o vídeo com apenas 9 segundos alcançou 1 milhão de visualizações. E era apenas o início.

Em 23 de outubro, completando uma semana desde a sua postagem, o contador já apontava a casa dos 3 milhões.

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Em duas semanas, eram 10 milhões de visualizações. E assim, Min Yoongi viralizou com a captura de seu sorriso tão doce quanto seu stage name sugere.

ARMYs no Twitter chegaram à conclusão de que o rapper é capaz não apenas de cuspir fogo e prever as façanhas do grupo, mas também possui o superpoder de dominar a internet na velocidade da luz.

Em 5 de novembro, ao momento em que encerro este post, o vídeo possui 14 milhões de visualizações e talvez eu tenha contribuído com ao menos 100 mil delas.

Quantas visualizações você acha que SUGA terá recebido no dia em que o vídeo completar seu primeiro mês? Não o subestime…

Escrito por Caroline Piazza @ BTSBR


Publicado em 29.10.2018
Entrevista exclusiva! Bastidores de filmagem do BTS com a Team Maverick
Confira com exclusividade da BTSBR os bastidores de "DNA" e "Epiphany"!

Os MVs são um das grandes identificações do K-Pop no mundo da música, sendo seus conceitos elaborados, com o uso extravagante de cores e luzes, foco em coreografias ou enredos que chamam mais atenção do que a própria música sendo lançada. O BTS passou a ganhar popularidade online na mesma época que seus clipes passaram a expor histórias complexas, os integrantes do grupo sendo personagens desse mundo paralelo criado pelo grupo para acompanhar seus lançamentos.

A Team Maverick, desenvolvida pela RANDI, se especializa em soluções de filmagem, aplicando uma grande variedade de tecnologias robóticas em gravações de MVs. O resultado são vídeos como “DNA,” grande produções de mídia exclusivas e inovadoras. Tivémos a oportunidade de conversar com Kyle, integrante da divisão de filmagem robótica da Team Maverick que nos contou um pouco do processo de filmagem, nos trazendo conteúdo exclusivo das filmagens de “DNA” e “Epiphany”!

Pergunta: Você pode nos contar um pouco sobre a Maverick e seu trabalho com MVs?
Kyle: Sim, claro! Fãs do BTS do Brasil, meu nome é Kyle, sou da Coreia e integrante da Team Maverick. Aqui fazemos engenharia visual. Podemos criar cenas incríveis ou algo que ninguém tenha imaginado antes. Fizemos parte da produção de “DNA” para o BTS e “Epiphany” para o Jin, e também trabalhamos com diversos músicos.

P: O que é filmagem robótica?
K: O que criamos aqui são movimentos com um braço robótico. Antes gravávamos rápidos comerciais, mas agora criamos diversos tipos de movimentos para MVs e filmes aqui na Coreia. Tudo depende do projeto.

P: MVs de artistas coreanos sempre foram aplaudidos por artistas do mundo todos. O que você acha que destaca os MVs coreanos?
K: Na minha opinião, MVs coreanos estão dando um sentimento que vai além da língua. É difícil expressar emoções por vídeos de três, quatro minutos, mas eles estão fazendo um ótimo trabalho com isso. Nós trabalhamos duro para criar novos ângulos e emoções que podem surpreender as pessoas.

P: Você pode nos contar um pouco sobre seu trabalho com filmagem robótica nos MVs do BTS?
K: Com filmagem robótica, robôs podem criar movimentos exatos repetitivamente, nos dando filmagens que antes não podiam ser feitas. Para o MV de “Epiphany” com Jin, colocamos trilhos no robô e capturamos os mesmos exatos movimento diversas vezes para que pudéssemos ter dois ou três “Jins” no mesmo movimento de câmera para trazer a emoção de como ele se sente. Para “DNA” nós tivémos o JungKook na primeira cena e movemos o robô rapidamente do ponto A ao ponto B, o que nos deu um novo tipo de movimento. Também quando há dança, gravamos com o robô no trilho. Conforme fomos parte da cena, eu pessoalmente admiro o trabalho que o BTS coloca em seus MVs para seus fãs. Não foi nada fácil criar algo novo, mas valeu a pena tentar. Espero que todos os fãs do Brasil estejam gostando do conteúdo que estamos produzindo. Obrigada.

Confira os MVs de “DNA” e “Epiphany”!

Nota: As respostas foram traduzidas e editadas para maior clareza.
Todo conteúdo foi dado à BTSBR com exclusividade, favor não repostar ou editar. Dê os devidos créditos!

Entrevista por gigi @ btsbr


Publicado em 13.10.2018
[#HappyJiminDay] Feliz aniversário, Jimin!
Artigo original em comemoração ao aniversário de 23 anos do Jimin

Quando penso em Park Jimin, a primeira coisa que me vem à cabeça é a sua personalidade. Mesmo após inúmeras dificuldades, Jimin sempre continuou seguindo em frente, tentando conquistar seu sonho. Para muitos, isso pode passar despercebido e eu não os culpo, realmente. Em uma indústria onde a personalidade dos idols normalmente se é escondida atrás de diversos estereótipos e âmbitos, muitas pessoas se esquecem de reparar no que o idol é por trás das câmeras.

Entrei para essa febre hallyu em 2015, mal conhecia BTS e muito menos sabia algo sobre seu país, mas, de longe, Park Jimin foi a pessoa que mais me chamou a atenção logo no primeiro mês.

Com apresentações impecáveis, canto no ponto certo e um carisma de tirar o fôlego, ele sempre rouba os holofotes para si, porém, seu fator de destaque foi a sua personalidade.

Tendo sido considerado um dos idols mais gentis da indústria, Jimin derrete o coração das pessoas onde quer que vá, – ele é, inclusive, conhecido por “maltratar” o coração de apresentadores de TV shows com seu sorriso e personalidade encantadoras.

Para mim, o que mais me impressiona é como ele permanece o mesmo garoto gentil que se apresentou com o BTS em seu debut, mostrando que, ao decorrer dos anos, não deixou-se ser corrompido pela sociedade em que está inserido. Perante tantas dificuldades enfrentadas logo em seu pré-debut com o BTS, Jimin nunca desistiu.

Caracterizado por uma afinidade com o perfeccionismo, ele sempre levou suas obrigações e hobby em um outro nível, como aconteceu com a dança, por exemplo. Jimin é aquela pessoa que nunca faz algo pela metade, ou ele faz bem feito, ou simplesmente não faz, e, mesmo que essa característica não agrade a todos, é ela que me faz, muitas vezes, ter uma vontade maior de levantar da cama para correr atrás do que eu acredito.

Quando passei a reparar mais nesses aspectos de sua personalidade, finalmente percebi que ele é simplesmente vários tons de um arco-íris que me ajuda a seguir em frente. Jimin é a resiliência em pessoa, é o significado de dar o seu melhor sempre, é a junção de cair e logo após se levantar e aceitar todos os seus machucados adquiridos no meio dessa trajetória. Por fim, logo me veio a cabeça de que sim, Park Jimin é alguém mais do que um ídolo em minha vida. Ele é mais que a performance, mais do que uma entrevista dada ou que um simples fanservice. Park Jimin engloba tantos aspectos bons em sua composição que é notório o quanto sua presença irradia onde quer que vá, como se toda uma galáxia estivesse presente em seu peito e fosse revelada pouco a pouco, nos mínimos detalhes.

Esses pequenos detalhes mostram-se cada vez mais encantadores e motivadores, pois ele possui uma aura tão boa que consegue transmiti-la para mim através de uma simples tela de computador, sempre sendo minha loja mágica em momentos difíceis.

Jimin me surpreende dia após dia com sua bondade e amor pelo próximo, mostrando-se em variadas situações como um exemplo a ser seguido. Além de todas essas qualidades, ele também é um ótimo cantor e dançarino e exerce com perfeição todo seu papel no BTS, deixando muitas pessoas (inclusive eu) babando por sua paixão transparente em tudo que faz.

É indispensável dizer que ele também é extremamente carinhoso com todos à sua volta, muitas das vezes colocando as pessoas acima de si mesmo para dar um conforto maior à elas. Após três anos me caracterizando como uma árdua Jimin biased, sinto um enorme prazer em dizer que sim, ele é uma das pessoas mais incríveis que esse mundo já viu. Ele é a minha maior inspiração de vida e eu sempre sentirei um orgulho imenso em dizer sobre o quanto ele me ajuda todos os dias, sempre serei grata por fazer parte de sua história e por contribuir para que sua galáxia interior se expanda.

★ Não deixe de acompanhar a Bangtan Brasil no dia de hoje para relembrar alguns dos momentos mais marcantes ao lado do nosso adorável Park Jimin. Aproveite também para o conhecer melhor! Acompanhe a hashtag #HappyJiminDay e a @BTS_BR no Twitter e deixe mensagens bonitas para o príncipe do grupo. ♥

★ Texto por Jumaria @ BTSBR Tradução, e arte por Emi @ BTSBR Design. Por favor, não retire os créditos ou redistribua sem os mesmos.


Publicado em 02.10.2018
BTS e os paralelos histórico-políticos entre Brasil e Coreia do Sul
O voto é seu, mas o futuro é nosso. Como você vai usá-lo?

Aviso de gatilho: Este artigo trata de assuntos históricos que envolvem, dentre outros assuntos, a ditadura militar no Brasil e na Coreia do Sul, e aborda questões como massacres e assassinatos estudantis. Se esses assuntos lhe causam qualquer tipo de desconforto, leia com cautela.

Brasil e Coreia do Sul dividem mais semelhanças do que diferenças em suas trajetórias, ainda que em momentos distintos das suas histórias. Ambos países foram colônias de exploração e tiveram sua cultura nativa praticamente apagada no período colonial — Brasil, por Portugal; Coreia (que só seria dividida em definitivo em 1948), pelo Império Japonês; passaram por regimes militares que ditaram cruelmente seu futuro e, hoje, representam duas das maiores democracias das suas regiões com eleições democráticas periódicas.

Em meados dos anos 1960, Brasil e Coreia do Sul vislumbravam contextos políticos que demonstravam as dificuldades que essas duas nações ainda enfrentariam ao longo da sua história. O Brasil encarava o final da sua Quarta República, o período populista de Getúlio Vargas também conhecido como República Nova, e o despertar da Ditadura Militar de 1964, e a Coreia do Sul enfrentava as consequências da sangrenta Guerra da Coreia, que terminara em armistício e sem acordo de paz em 1953, lidando com a pobreza da sua população e insustentabilidade das suas instituições políticas.

Nesse período, ambos países viviam a fragilidade da democracia. Segundo Richard Kimber, no artigo “On Democracy” (1989, p. 200), o que entendemos por “democracia” hoje em dia é um conceito moderno e deve ser analisado de forma moderna. Ainda que estudiosos e especialistas hesitem em dar definições sólidas e resolutivas para o termo, o autor argumenta que a democracia é, por fim, “uma série de princípios colocados em prática de diferentes maneiras em diferentes contextos” e não deve ser vista através de “um padrão fixo particular de acordos institucionais” (KIMBER, 1989, p. 213). Ou seja, cada país e instituição política que pratica a democracia, a pratica a partir do seu próprio contexto histórico que é único e distinto de qualquer outro.

De 1964 a 1985, o Brasil passou pelo Período Militar que, sob a justificativa de “livrar o país da corrupção e do comunismo” e de “restaurar a democracia” após o período getulista, passou a mudar as instituições do país através dos Atos Constitucionais (AI) e modificações na Constituição Federal de 1946 (FAUSTO, 2001, p. 257). Pouco antes, na Coreia do Sul, a Segunda República, liderada pelo Presidente Yoon Po-seon, foi derrubada pelo General Park Chung-hee no que hoje é conhecido como Golpe Militar de 16 de maio de 1961, acreditando que conseguiria endereçar a pobreza generalizada da Coreia do Sul através de restrições da liberdade diplomática da população, tendo como lema do seu governo “economia agora, democracia depois” (KIM, 2005, p. 168).

Nos primeiros anos da ditadura no Brasil, em 1968, o estudante Edson Luís de Lima Souto foi assassinado por policiais militares em um restaurante na região central do Rio de Janeiro durante uma manifestação estudantil contra o regime. Segundo o Memórias da Ditadura (2018), “estudantes conseguiram resgatar o corpo de Edson Luís e o carregaram em passeata pelo centro do Rio até as escadarias da Assembleia Legislativa, na Cinelândia, onde foi velado”. O assassinato de Edson causou revolta e protestos em várias regiões do país, incluindo na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), na Escola Politécnica da USP, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

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Caixão com o corpo do estudante Edson Luís é carregado por estudantes pelo centro do Rio de Janeiro, 28 de março de 1968 (Fonte: Memórias da Ditadura, 2018).

De maneira semelhante, em 1980, em meio ao contragolpe instaurado por Chun Doo-hwan após a morte de Park Chung-hee, ocorre o Massacre de Gwangju (também reconhecido como Movimento Democrático de 18 de Maio pela UNESCO) onde estudantes da Universidade de Chonnam, que protestavam contra a lei marcial, foram agredidos e assassinados, causando a revolta da população local contra os militares (KINGSTON, 2014; UNESCO, 2018). Os números oficiais do governo divulgaram 190 mortos, no entanto estudiosos como Sallie Yea falam em cerca de duas mil pessoas mortas no massacre, entre estudantes e cidadãos (YEA, 2002, p. 1557; KINGSTON, 2014).

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Soldado agride homem durante os protestos contra o regime militar em Gwangju, 18 de maio de 1980 (Fonte: Japan Times, 2014).

SUGA, quando ainda era integrante do grupo de hip-hop D-TOWN e atendia pelo nome artístico Gloss, endereçou o Massacre de Gwangju na canção “518-062” (“518” se refere à data do massacre, 18 de maio, e “062” é o código de área da região de Gwangju). Ainda que não seja o artista interpretando o rap, SUGA compôs e produziu a música, que traz trechos como: “Seus estômagos e seus corpos estão tomados pelos ferimentos da bandeira / Querido, vou acender seus anseios novamente / Irmãos, vou memorizar suas feridas sem pausa” e “O vento turvo, o chão cheio, as sementes caindo do céu / 5-1-8 o dia do passado sombrio / Para essa nova história que / Nasceu desse tempo que passou / Levante suas mãos”. Com o rap, SUGA enfatiza que o Massacre de Gwangju não pode ser esquecido para que jamais volte a acontecer. Como o Massacre de Gwangju, Edson Luís é a nossa memória de tempos que não podem nunca voltar.

As primeiras eleições presidenciais pós-ditadura aconteceram com dois anos de diferença no Brasil e na Coreia do Sul. Em 1985, o Brasil elege (indiretamente, ou seja, por meio de colégio eleitoral e não por voto direto) Tancredo Neves e, em 1987, a Coreia do Sul elege Roh Tae-woo. No entanto, Tancredo Neves morre antes de assumir o posto e José Sarney, seu vice, se torna Presidente do Brasil em seu lugar. Roh Tae-woo, General do Exército da República da Coreia, por outro lado, mantinha laços suspeitos com Chun Doo-hwan, responsável pelo segundo golpe de Estado no país e o Massacre de Gwangju. As primeiras eleições diretas brasileiras ocorreriam somente em 1989, elegendo Fernando Collor de Mello. O primeiro presidente civil eleito da Coreia do Sul, Kim Young-sam, assumiria o posto somente em 1993.

A democracia no Brasil e na República da Coreia é tão frágil quanto recente, e todas essas circunstâncias somente acrescentam à importância do voto consciente e democrático. Antes da criação do BTS, RM compôs a música “닥투 (Vote, or Just Shut Up)”, onde critica as medidas governamentais que proíbem menores de 19 anos (idade internacional) não só de votar nas eleições gerais mas também de manifestar suas opiniões e participar de campanhas eleitorais em qualquer âmbito, seja online ou offline. RM, então com 18 anos em 2012, diz:

“Tenho 19 anos* e não tenho direito de votar
Você sabe que o futuro também é meu, vamos!
(…) Então, desistir do seu voto não está deixando as coisas neutras. É apenas um voto não declarado.
Vá votar ou fazer algo, antes de culpar qualquer um e fazer críticas.
É como o vestibular (por quê?)
Porque tudo depende de como você faz.
Se você não pegar alguma coisa, então não espere nada de significativo.
Durante os 5 anos, você vai notar a importância daquele pedaço de papel?
Voz de todos, vote apenas
Se você quiser expressar as suas opiniões, então vá em frente pelo voto.
O poder que você e eu possuímos.
A fim de não eleger o adversário, continuamos a campanha.
Chamar-nos de uma nação é errado enquanto você está sendo apático.
O voto é seu, mas o futuro é nosso.”

*N/T: idade coreana

O BTS, enquanto grupo, já deixou claro diversas vezes que o dever cívico do voto é um que precisa ser levado a sério, ainda que a Coreia do Sul não possua lei de voto obrigatório. É através dele que exercemos nosso papel de cidadão em uma democracia e esclarecemos nosso poder.

RM posa com o carimbo símbolo das eleições na Coreia do Sul após votar para as eleições presidenciais de 2017.

Para nós, brasileiros, o dever cível do voto está marcado para o dia 7 de outubro. Nessa data, vamos escolher presidente, governador, dois senadores, deputado estadual e deputado federal. As pessoas eleitas irão compor o poder executivo — no caso do presidente e dos governadores — e o poder legislativo — no caso dos senadores e deputados. Por isso, é muito importante que se leve esse dever e poder a sério.

Não somente por nós, agora, mas por nosso passado e futuro. Por Edson Luís, pelos mortos da ditadura, por aqueles que foram torturados e aqueles que jamais serão encontrados. Também por Gwangju, um exemplo tão distante mas que serve de lembrança do que pode ser ameaçado junto com a fragilidade da democracia. Por mulheres, pessoas LGBTQ+, negros, pobres, minorias. Pela geração que vem, crianças e jovens que viverão no futuro que nós temos a capacidade de moldar.

O voto é seu, mas o futuro é nosso. Como você vai usá-lo?

 

“Um povo sem memória é um povo sem história.
E um povo sem história está fadado a cometer,
no presente e no futuro, os mesmos erros do passado.”

Emília Viotti da Costa

Escrito por Ana Luiza Rivera @ BTSBR

REFERÊNCIAS
FAUSTO, B. História Concisa do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2001.
KIM, D. K. The History of Korea. Westport: Greenwood Press, 2005.
KIMBER, R. On Democracy. Scandinavian Political Studies, v. 12, n. 3, p. 199-219, 1989.
KINGSTON, J. Dying for democracy: 1980 Gwangju uprising transformed South Korea. Japan Times, 17 maio 2014. Disponível em <https://www.japantimes.co.jp/news/2014/05/17/asia-pacific/politics-diplomacy-asia-pacific/dying-democracy-1980-gwangju-uprising-transformed-south-korea/#.W5sXw-hKjIV> Acesso em 13 set. 2018.
MEMÓRIAS DA DITADURA. Edson Luís de Lima Souto. Disponível em <http://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/edson-luis-de-lima-souto/index.html> Acesso em 13 set. 2018.
UNESCO. Human Rights Documentary Heritage 1980 Archives for the May 18th Democratic Uprising against Military Regime, in Gwangju, Republic of Korea. Disponível em <http://www.unesco.org/new/en/communication-and-information/flagship-project-activities/memory-of-the-world/register/full-list-of-registered-heritage/registered-heritage-page-4/human-rights-documentary-heritage-1980-archives-for-the-may-18th-democratic-uprising-against-military-regime-in-gwangju-republic-of-korea/> Acesso em 13 set. 2018.
YEA, S. Rewriting Rebellion and Mapping Memory in South Korea: The (Re)presentation of the 1980 Kwangju Uprising through Mangwol-dong Cemetery. Urban Studies, v. 39, n. 9, p. 1551-1572, 2002.

Publicado em 30.09.2018
Setembro Amarelo: BTS e a importância do diálogo e conscientização
Ensinamentos sobre saúde mental que o BTS nos trouxe ao longo dos anos

10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, e para conscientização da causa separamos alguns ensinamentos que o BTS nos trouxe ao longo da carreira.

No Brasil, desde 2015, através do Centro de Valorização da Vida, Conselho Federal de Medicina e Associação Brasileira de Psiquiatria, o Setembro Amarelo tem como objetivo educar as pessoas trazendo um diálogo sobre o assunto, acolhendo àqueles em situação de risco para que saibam que não estão sozinhos e conscientizando a sociedade com intuito de salvar vidas.

O assunto, que ainda é um tabu, deve ser tratado com cuidado, comprometimento e sensibilidade, por isso a OMS (Organização Mundial da Saúde) desaconselha exposições sobre métodos e processos, mas aprova a conversa sobre o tema com o objetivo de redução das pessoas em situações vulneráveis e entendimento social da complexidade que envolve o ato.

O suicídio possui uma complexa gama de motivações que são estudadas por diversas áreas do conhecimento, mas está quase sempre relacionado à uma condição de saúde mental (como transtornos de personalidade, depressão e muitos outros), por isso a importância de dialogar sobre o assunto, para que, se você alguma vez já pensou nisso ou conhece pessoas em situação de risco, saiba que com auxílio profissional as saídas e soluções que podem não ser visíveis se tornarão ao longo do tempo com ajuda, e com isso os problemas serão combatidos.

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O BTS é conhecido exatamente por tratar de assuntos marginalizados por muitos e que são de grande relevância social. Desde o início da carreira tem sido desta forma, e não seria diferente sobre este tema. O grupo já se manifestou algumas vezes sobre a importância da saúde mental em músicas como “Tomorrow” por exemplo, onde cantam sobre passar por um período sombrio da vida e almejar pelo amanhã: “Porque o amanhecer, logo antes do nascer do sol, é o mais escuro / Onde quer que você esteja agora, você está fazendo apenas uma pausa / Não desista, você sabe”.  

Em “Always” lançada no primeiro dia de 2017, RM fala sobre a sensação de impotência derivada de se sentir incompreendido pelo mundo e irreconhecível para si mesmo. Em uma live realizada alguns dias após o lançamento da música solo, RM fala que escreveu a música em um período sombrio e que já não se sentia mais daquela maneira.

SUGA, em seu trabalho solo Agust D, também reflete sobre depressão e transtorno obsessivo compulsivo (TOC); em “The Last” o rapper reforça a importância de buscar ajuda, relata todos os seus problemas vividos na juventude, e tranquiliza aqueles ao seu redor ao proclamar com esperança sua melhora: “Meus fãs, meus amigos, minha família, espero que não se preocupem porque eu realmente estou bem agora.”

Em 2017, SUGA também se manifestou sobre a importância da empatia e de buscar ajuda em entrevista com a Billboard. “Eu realmente quero dizer que todos no mundo estão solitários e tristes, e se nós tomarmos consciência de que todos estão passando por sofrimentos e solidão, espero que possamos criar um movimento onde seja possível pedir ajuda, e dizer que as coisas estão difíceis quando eles ficarem pesadas, dizer que sentimos falta de alguém quando sentimos saudades.”

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A importância de não estar sozinho em situações e momentos ruins é a mensagem principal de “2! 3!”, no refrão da música que foi lançada especialmente para os ARMYs, o grupo pede para que a esperança de dias melhores não se perca, e que por estarmos todos juntos é possível sorrir em meio às dores.

Quebrar com os estigmas e preconceitos é o primeiro passo para uma mudança social, é necessário ter empatia, sair da zona de conforto, olhar ao nosso redor e enxergar as dificuldades que muitas vezes limitam os outros, tentar oferecer nosso apoio e, principalmente, não compactuar com aqueles que disseminam discursos errôneos e prejudiciais sobre assuntos e temas tão delicados.

Se você está em alguma situação que não parece ter fim ou solução, saiba que você nunca está sozinho e que existem formas de melhorar e profissionais qualificados para te ajudar.

Peça ajuda, fale com alguém que confie e conte para essa pessoa as suas aflições, ou então ligue 188 ou 141 e converse com voluntários do Centro de Valorização da Vida, eles estão lá para te ajudar! (O atendimento é anônimo e gratuito).

Busque também ajuda especializada, muitas universidades, centros de estudo e projetos voluntários oferecem tratamento psicológico gratuito, para aqueles que não tem acesso ao tratamento privado.  

E se conhece alguém que já deu sinais de alerta procure escutar aquela pessoa, seja um ouvinte e evite dar ‘opiniões’ e ‘soluções’ o melhor caminho é oferecer apoio, incentive-a a buscar ajuda profissional. Conversar com amigos e parentes é importante, mas é com o apoio profissional que se dará início à um tratamento para a melhora do quadro de saúde. E após o início do tratamento mantenha contato, com uma mente aberta e livre de preconceitos apoie a pessoa no tratamento de sua doença.

Escrito por Bia Rehm @ BTSBR


Publicado em 12.09.2018
[#RMGalaxyDay] Feliz Aniversário, Namjoon!
Artigo original em comemoração ao aniversário de 24 anos do RM

Palavras, apenas palavras (alternativamente: feliz aniversário, Namjoon)

Eu não consigo me lembrar quando, exatamente, comecei a escrever. Foi em algum ponto da infância, algum momento em que eu precisava colocar pra fora todas as ideias que usavam minha cabeça de moradia, todas as inquietações infantis que preenchiam meus dias. Escrever é grande parte da minha vida – provavelmente a maior e mais consistente dela – ao ponto de já ter parado pra me perguntar para que eu existiria se não fosse pela escrita.

A escrita é a minha resposta, é o que me motiva a continuar e o que me dá a sensação de estar fazendo alguma coisa pelo mundo, ou ao menos por alguém – mesmo que esse alguém seja eu mesma. Muitos dias, a minha maior paixão também é a minha tarefa mais ingrata – a falta de confiança em mim e no meu trabalho me afoga em um oceano de dúvidas e as palavras se perdem em uma orla que, por mais que eu nade e nade e nade, nunca consigo alcançar.

O texto que você está lendo agora foi um desses momentos, onde eu acreditei que barquinho algum apareceria para me salvar. Introduções foram escritas e reescritas, parágrafos deletados, centenas de palavras jogadas fora porque não pareciam ser as corretas. Mas talvez todo esse fracasso não seja de todo ruim – talvez seja exatamente sobre isso que eu precise falar aqui.

Vamos do princípio.

Eu sou uma ARMY da turma de 2016, uma guria do interior do Rio Grande do Sul que ouviu a melhor amiga argumentar durante cinco anos a favor do K-pop, mas nunca realmente me interessando por alguma coisa específica. Meu primeiro contato de verdade com alguma coisa relacionada ao BTS foi o bendito A to the G to the U to the STD que ficou grudado na minha cabeça por semanas, mas o que roubou meu coração de verdade foi o peaches and cream, sweeter than sweet, o tecnobrega entre paredes de museu que me fez realmente querer saber quem eram aqueles sete meninos.

Como dá para perceber pelo título e por toda a ladainha até aqui, um deles em especial me chamou a atenção. Primeiro por suas expressões características – ele era sempre o primeiro que eu conseguia reconhecer nas primeiras maratonas de mvs -, depois por tudo que ele representa.

Kim Namjoon nasceu em Ilsan em 12 de setembro de 1994, cinco meses antes da autora que vos fala chegar neste mundo em fevereiro de 1995. A proximidade de idade – uma novidade pra mim, acostumada a anos de fandom de músicos mais velhos que eu que no final das contas não mereciam toda a minha admiração assim – foi o primeiro fator que me fez realmente me identificar com ele.

E então vieram as palavras.

Durante uma entrevista recente, um produtor disse que a música do BTS te move. Eu peço aqui licença para utilizar da mesma ideia e dizer que as palavras do Namjoon tocam a sua alma.

Acredita-se que a expressão abracadabra veio do aramaico e significa “eu crio enquanto falo”, e essa é uma boa palavra para descrever o que o Namjoon faz toda vez que divide suas ideias com o mundo: mágica, com certeza. Eu lembro de checar a letra de “Cypher Pt 4” pela primeira vez e sentir um soco no estômago, porque mesmo que as situações e as metáforas fossem diferentes ali, eu conseguia entender o sentimento exatamente. Eu me via ali. “Reflection” é uma música que tenho muita dificuldade em ouvir – é muito pessoal. Pra mim. São palavras que não saíram da minha cabeça, mas que cabiam à minha vida como uma luva.

Esse dom que o Namjoon tem de se comunicar, de observar o mundo em seus pequenos detalhes e transmitir as coisas que o assustam e o encantam é algo muito grandioso para ser explicado. É um olhar cuidadoso, um absorver de cada informação possível não só pelo ato em si, mas para analisar o que aquilo significa e qual sua relevância para o universo – material, cósmico, sentimental, que seja. É conseguir juntar, num amontoado de letras, experiências que se perdem em qualquer outra tradução.

Ele transforma seu mundo em poesia – literal e figurativamente. Em cada uma de suas composições, tanto para o BTS quanto para seus projetos solo, ele faz jus a expressão que levou a sigla conhecida como rap ritmo e poesia. Eu sinto sua falta e dizer isso me faz sentir mais ainda”, de “Spring Day”, “Você já sentiu como é difícil ser alguém? Viver, respirar, não escolher ser um cadáver?” do remix de “Champion” com o Fall Out Boy, “Rezando por caminhos melhores para você e para mim, eu vejo grama crescendo nos olhos do inverno”, de “Change”,  sua parceria com Wale, “Sea”, por completo, são apenas alguns dos muitos versos que levo comigo onde quer que eu vá, que me acalmam e me acalentam e me dão a sensação de ser ouvida. De não estar sozinha.

Não só as músicas: o modo como ele se expressa fora dos palcos e dentro deles, com seus discursos no final de um show (ainda não superei o “espero que o BTS possa ser uma das muitas respostas na vida de vocês”) ou o modo como ele fala da criação dos álbuns durante suas aparições no VApp, tentando seguir uma linha lógica, mas se distraindo e mencionando outras histórias, perdendo o fio da meada e encontrando de novo, falando de um jeito tão genuíno que você se sente parte da conversa, sente que aquilo não é apenas um monólogo da era digital de um artista de sucesso no outro lado do mundo.

Kim Namjoon é um garoto de agora 24 anos que nunca encontrei pessoalmente, com quem nunca troquei nenhuma palavra, vivendo a milhares de quilômetros de distância de mim com uma vida e uma história muito diferentes da minha e… ele faz com que eu sinta que não estou sozinha. Que eu tenho um amigo em algum lugar, alguém que entende. Alguém que entende.

E alguém que não tem todas as respostas. O Namjoon poderia sim esconder as falhas, compartilhar apenas os bons momentos e os sucessos, mas a relação de confiança mútua que ele cria com o público ao expôr, ao se expôr, suas dores, seus medos, suas frustrações é mais preciosa do que qualquer troféu, qualquer certificado de ouro. É um afirmar de que “eu sou humano, você é humano, passamos pelas mesmas coisas, somos feitos do mesmo pó de estrelas.”  A quebra da ideia de ídolo perfeito que não precisa melhorar em nada e está sempre certo é o ponto principal disso tudo – a aposentadoria necessária que vários advogados de oppa por aí precisavam. Ao aceitar suas falhas e realmente pensar em como se tornar uma pessoa melhor, ele torna o mundo um pouco melhor também. Ele não resolve os meus problemas, mas me inspira a querer lutar por mim mesma.

Você me deu o melhor de mim, então dê a você o melhor de você.”

Então, nesse aniversário, eu resgato uma das minhas frases favoritas da minha época de emo gótica etc etc (make Brazil emo again!) e afirmo que “tudo que eu posso oferecer são minhas palavras pra você”.

Porque eu sei que, para ele, elas são tão preciosas quanto pra mim.

★ Não deixe de acompanhar a Bangtan Brasil no dia de hoje para relembrar alguns dos momentos mais marcantes ao lado do nosso extraordinário Kim Namjoon. Aproveite também para o conhecer melhor! Acompanhe a hashtag #RMGalaxyDay e a @BTS_BR no Twitter e deixe mensagens bonitas para o líder do grupo. ♥

★ Escrito por Maureen H. @ BTSBR Tradução e arte por Emi @ BTSBR Design. Por favor, não retire os créditos ou redistribua sem os mesmos.


Publicado em 12.09.2018
Como Kim Namjoon me ensinou a importância da busca pelo amor-próprio
Coragem e um ídolo que me ofereceu suas mãos para juntos aprendermos a nos amar

I wish I could love myself” era o refrão entoado por RM no seu solo “Reflection” em 2016. Nesta época nem sabíamos que o próximo passo do BTS seria discutir a importância de amar a si mesmo.

Enquanto relembrava os ARMYs brasileiros entoando – em resposta ao desejo de Namjoon em descobrir o amor-próprio – o fanchant “We Love You”, me questionei se o mesmo nunca percebeu como sua busca inspirou tantas pessoas a ingressar nesta complexa jornada.

O caminho para a autoaceitação exige paciência e coragem, pois é através dela que ganhamos a consciência de todas as nossas qualidades e limitações. Estamos em uma busca não apenas por reconhecer nossos pontos positivos, como também, negativos, sendo o último o mais difícil de se aceitar.

Reconhecer a imperfeição é algo que nenhum ser humano está preparado para fazer. Nos despirmos de todas as nossas proteções e mostrarmos nosso verdadeiro eu é árduo, principalmente diante de todas as expectativas e códigos de conduta que a sociedade intrinsecamente dispõe sobre nossas costas.

Contudo, aceitar-se não é resignar-se, e Namjoon me mostrou isso. Seja por meio de sua constante desconstrução, por reconhecer seus erros, por expôr seus conflitos pessoais ou por seus ensinamentos e palavras de consolo. Momentos tão pessoais e dos quais ele teve a bravura de deixar transparecer, me inspiraram a perceber que eu também poderia embarcar nessa trajetória.

Com a chegada de “Love Yourself: Answer”,  muitos acharam que o BTS havia encontrado a famosa receita para o amor-próprio, mas parafraseando Namjoon: “Nós não estamos pregando que todos deveriam se amar pelo fato do título da era ser ‘Love Yourself’, mas sim de que também não sabemos amar a nós mesmos, então ouça nossa música e aproveite, e com isso vamos buscar o amor-próprio juntos, independente dessa jornada ser bem-sucedida ou não”.

Tal afirmação me trouxe dúvidas, pois se nem mesmo Namjoon havia encontrado as respostas para seus questionamentos diante de um crescimento pessoal tão grande, como eu poderia me amar? Foi então que percebi a principal mensagem que este queria passar: o ato de amar a si mesmo é mais um meio do que um fim.

O amor-próprio não é a resposta para alcançarmos a felicidade. Ele não irá trazer todas as respostas para nossas dúvidas, mas ajudará a aceitarmos quem realmente somos, admitindo nossas imperfeições e exaltando nossas qualidades. É um trabalho que devemos praticar diversas vezes ao longo de nossas vidas, possuindo pontos altos e baixos no meio disso.

Se René Descartes é o autor da célebre frase “Penso, logo existo”, Namjoon com “Trivia: Love” trouxe como complemento “Eu vivo, então eu amo”. Viver e amar, duas palavras essenciais para nossa existência e que Namjoon me fez refletir como o amor-próprio está presente em mim – mesmo que adormecido – só esperando que eu o cultive.

Kim Namjoon me fez perceber que o primeiro passo é aceitar que sou merecedora desse amor, se minha busca será bem sucedida ou não, não importa, mas espero que suas palavras e músicas estejam sempre presentes ao reiniciar esta caminhada, para que enfim eu possa gritar em alto e bom som, “Yes, I do love myself”.

Escrito por Fernanda Azevedo @ btsbr


Publicado em 01.09.2018
Por que é tão fácil se apaixonar por JungKook?
Muito mais que um rosto bonito e uma presença de palco intensa e arrebatadora

Você alguma vez já se perguntou o porquê é tão fácil se encantar pelo maknae de ouro? Muito mais que um rosto bonito e uma presença de palco intensa, JungKook tem muito a nos ensinar mesmo com a pouca idade. E refletindo um pouco na sua história, de um garotinho tímido com voz angelical a um ganhador de Daesang e Billboard Music Awards, fica um tanto mais fácil de descobrir os muitos encantos que esse garoto tem.

Chamando atenção de grande parte dos holofotes desde o debut, JungKook é conhecido por sua voz doce e angelical, motivo de ser o main-vocalist do BTS. Decidiu se tornar um cantor após assistir uma apresentação do grupo BigBang, onde se fascinou pela presença de palco de G-dragon. “Eu tenho uma confissão a fazer. Eu te amo, G-Dragon sunbaenim” disse JungKook em uma entrevista nos bastidores do The Show em 2014.

A verdade é que JungKook é um grande apaixonado e o fato dele ser bom em tudo, Golden Maknae, pode ser em parte por essa facilidade de se encantar o que o leva a dedicação instantânea pelo o que for. “Eu me apego facilmente às coisas” disse ele durante o Summer Package 2017, na situação ele se referia a sentir-se um pouco triste de ter que voltar para a Coreia após passar alguns dias em Coron, Filipinas.

Essa maneira apaixonada de viver a vida é provavelmente uma das características mais marcantes do caçula que além de – cantar, dançar, fazer rap é também um exímio fotógrafo, editor, diretor de vídeos, amante dos esportes e jogos eletrônicos. Essa paixão porém se torna ainda mais evidente quando se trata de seus hyungs e o ARMY.

É de conhecimento geral que “Begin”, sua primeira música solo do álbum WINGS, é uma declaração de amor para os seis companheiros mais velhos de grupo que estão diariamente com ele desde os seus 15 anos. “Eu não consigo esquecer a imagem do JungKook chorando enquanto dizia, ‘Eu acho difícil quando vejos [vocês] hyungs passando por períodos difíceis’. Mais ainda porque ele normalmente não expressa suas emoções.” disse RM em entrevista para a D-icon Magazine.

 

 

Foi através da música também que JK resolveu reafirmar mais uma vez o seu grande amor pelo ARMY, “Magic Shop” que é a primeira música que ele produziu para o BTS é dedicada aos fãs do grupo. “Você me deu o melhor de mim, então dê a si mesmo o melhor de você” é um dos trechos presentes na música que conta como o amor recíproco entre o BTS e o ARMY ajuda ambos a superarem tempos difíceis e a encontrar forças quando tudo parece perdido.

JungKook também encontrou recentemente uma forma de demonstrar seu amor pelos hyungs e ARMYs ao mesmo tempo através dos vídeos denominados G.C.F (Golden Closet Films), enquanto grava seus companheiros de grupo por lugares diversos no mundo ele presenteia o ARMY com seu talento e chance única de poder enxergar o BTS da forma íntima que o maknae enxerga.

 

 

Ele pode estar completando seus 22 anos (idade coreana), porém como o próprio já disse em diferentes oportunidades, JungKook ainda se sente como o garoto de 15 anos que entrou na Big Hit Entertainment após se impressionar com RM, e carrega em si um espírito jovial e brincalhão que segundo os próprios integrantes do BTS ajuda a relaxar em uma rotina cheia de responsabilidades e compromissos.

A verdade é, JungKook possui um carisma e bondade encantadores e seus muitos talentos nos fazem admirá-lo cada vez mais. Seja pela sua maneira característica de virar levemente a cabeça quando está em dúvida ou pensativo, ou pela sua presença de palco sempre muito intensa ou pela maneira que ele demonstra suas paixões não se limitando à palavras. Existem muitos motivos para amar JungKook, e poder acompanhar seu amadurecimento como artista é uma verdadeira honra para o ARMY.

 

Escrito por Bia Rehm @BTSBR


Publicado em 01.09.2018
Vários momentos em que JungKook poderia ser seu vizinho de infância!
O maknae é famoso pelos seus talentos. Então, quem é o JungKook da sua vida?

JungKook é famoso pelos seus diversos talentos. Sejam pelos seus lindos vocais, poderosos passos de dança ou seus vlogs cuidadosamente editados, é inegável que seu apelido de “Maknae de Ouro” tenha um bom fundamento.

Além de ser extremamente talentoso, JungKook já mostrou traços bem mais simples e corriqueiros da sua personalidade. Embora pequenos, esses detalhes são especiais o suficiente para fazê-lo parecer aquele seu amigo gente boa de infância que você não vê há um tempo e queria muito saber por onde está. Quem sabe, talvez, ele seja um famoso por aí!

Ele já tentou gameplay.

Todos tem algum amigo ou parente próximo que é um gamer incontrolável. Se não

conhece, essa pessoa talvez seja você mesma. Mas todos que carregam esse título já ouviram falar de Overwatch, e com JungKook, isso não é diferente!

O maknae já afirmou amar Overwatch e se chamar Seagull no jogo. No dia 26 de março de 2017, postou no Twitter um gameplay das suas habilidades com a personagem Widowmaker, dizendo que gostaria de tornar a personagem a sua principal no jogo.

No dia 30 de janeiro de 2018, postou mais uma vez jogando como Widowmaker, dessa vez como o melhor jogador da partida! Isso que é evolução, não é?

Ele é fã das salas de karaokê.

Que JungKook ama cantar (e o faz incrivelmente bem) não é novidade para ninguém, porém seu amor por karaokê é algo um tanto inesperado para um artista que já passa boa parte do seu tempo cantando.

No canal oficial do grupo no Youtube (BANGTANTV) é possível encontrar diversos vídeos em que nosso maknae não consegue resistir a uma máquina de karaokê e um microfone. Isso aconteceu na sessão de fotos de Love Yourself: Her e nos bastidores da Mnet, porém os vídeos mais íntimos foram filmados por ele próprio, sozinho em uma sala de karaokê.

Dividido em duas partes, JungKook canta Thick Rice Wine e It’s Hard To Face, de Busker Busker. Nos comentários, ARMYs dizem ouvir, ao final da música, a máquina dizendo que JungKook conseguiu a pontuação máxima! Embora ninguém esteja surpreso, fica nítido que JungKook seria aquele seu parente que não desgruda do karaokê na festa de réveillon, não é mesmo?

Ele é o rei das caixinhas de som.

Se você é brasileiro, provavelmente já teve que lidar com algum adolescente tocando música altíssima naquelas malditas caixinhas de som… Sinto lhe informar que, considerando seu histórico, Jeon JungKook provavelmente seria uma dessas pessoas!

Entusiasta declarado das caixas de som com Bluetooth, JungKook já exibiu diversos modelos nos últimos anos. Seja viajando com o resto do grupo na série do VLive Bon Voyage ou fazendo uma transmissão ao vivo pelo mesmo aplicativo, JungKook parece sempre estar com uma caixa de som perto de si, e geralmente tocando música bem alta.

No dia 23 de abril de 2017, JungKook disse em uma dessas transmissões ter comprado uma caixa tão grande que teve que carregá-la com uma corda até em casa (já que era ansioso demais para esperar a entrega), além de ter quatro aparelhos de som parecidos em casa.

Os seus hyungs já mencionaram que chamam a atenção do mais novo frequentemente pelo seu hábito. Além de ouvir música alta na caixa de som por quase 20 horas seguidas, segundo Jin, SUGA também afirmou que ele é incapaz de usar fones de ouvido.

Com certeza JungKook está lhe parecendo mais familiar agora, não é?

“…And his name is Jeon Cena!”

Além de todos esses traços, um recorrente hobby de seus amigos pode ser praticar esportes. Todos já conheceram aquele grupo da turma que se encontra após a aula no campinho ou que tem uma paixão fora do normal pelas aulas de Educação Física.

JungKook é conhecido pelo seu ótimo desempenho esportivo. Luta livre, atletismo, taekwondo… Nosso maknae tem o maior prazer em praticar todo desportos que puder e também em malhar quando pode.

Uma das amostras mais famosas dessa disposição é a corrida de 400 metros no Idol Star Athletic Championship de 2016. Deixado por último no revezamento como uma carta na manga, JungKook corre tão rápido que até a câmera tem que se esforçar para acompanhá-lo.  

Aparentemente Jeon JungKook não é o oponente que você quer em uma partida de queimada na escola!

Embora tais hobbies pareçam pequenos demais, eles são parte essencial da pessoa verdadeira e apaixonante que Jungkook se tornou. São eles que tornam sua personalidade tão fascinantemente convidativa, nos dando a impressão de que conversar com ele seria a coisa mais simples e agradável do mundo. Vamos ver quais outras semelhanças com a nossa realidade ele irá relevar com o tempo!

E então, qual é o JungKook da sua vida? O seu irmão mais velho, um colega de classe, um cara que você vê sempre na academia ou aquele seu amigo que é sempre o encarregado do som nas festas? Seus costumes e manias com certeza estão por aí, disfarçados no meio da sua rotina, então é hora de encontrá-los! Vocês podem estar mais próximos do que imaginam.

 

Escrito por Gabriela Gonçalves @ BTSBR

 


Publicado em 01.09.2018
[#MagicJKDay] Feliz aniversário, JungKook!
ARTIGO ORIGINAL EM COMEMORAÇÃO AOS 21 ANOS DO JUNGKOOK.

É difícil encontrar as palavras corretas para começar um texto sobre o JungKook, em especial um texto de aniversário. Por isso eu pedi a ajuda da nossa equipe. Mais de quarenta pessoas que se juntaram pelo amor e dedicação ao BTS, e acabaram criando um laço de amizade imenso entre si. Isso não parece familiar?

O resultado foi unânime: JungKook é alguém que nunca perdeu sua essência. É exemplo de esforço e força de vontade. É inspiração e motivação para continuar correndo atrás dos próprios sonhos. O que me leva a acreditar que apesar de o aniversário ser dele, quem ganha o presente, mais uma vez, somos nós.

O BTS é um grupo de pessoas que se juntou pelo amor e dedicação à música, em busca da realização de seus sonhos, criando laços fortíssimos entre si. A presença de cada um é essencial e indispensável, mas me sinto segura o suficiente para afirmar que cada um dos seis garotos mais velhos tentou exibir o seu melhor enquanto JungKook crescia.

Não apenas pelo JungKook ser mais novo, mas por ser esse o efeito que ele causa nas pessoas.

You gave me the best of me, so you’ll give you the best of you. You’ll find it in your galaxy. Você me deu o melhor de mim, então você vai se dar o melhor de você. Você vai encontrar isso na sua galáxia.

JungKook, o aniversário é seu, mas quem sempre nos presenteia é você. Por isso, eu te agradeço. Você inspira o melhor tanto do BTS quando dos ARMYs. Você desperta o melhor de todos que te cercam. Feliz aniversário. ♥

★ Não deixe de acompanhar a Bangtan Brasil no dia de hoje para relembrar alguns dos momentos mais marcantes ao lado do nosso JungKook. Aproveite também para o conhecer melhor! Acompanhe a hashtag e a @BTS_BR no Twitter e deixe mensagens bonitas para o maknae do grupo. ♥

★ Texto por Beccs @ BTSBR Administração, arte por Emi @ BTSBR Design e lettering por Gabriela @ BTSBR Tradução. Por favor, não retire os créditos ou redistribua sem os mesmos.


Publicado em 19.08.2018
Afeto que transborda: sobre BTS, Queer Eye e mais amor, por favor
O BTS nos fez esquecer que no princípio eles eram apenas colegas de trabalho

“Que alívio que somos sete,
Que alívio que temos uns aos outros.”

 

As lágrimas raramente são contidas quando se trata do BTS abrindo o coração sobre o significado que os sete integrantes têm um para o outro – se para as fotos da versão U do Love Yourself: Tear os meninos assistiram o vídeo mais triste do mundo para chorar para os cliques, tudo que bastaria para mim era a carta do Taehyung para o Jimin no último episódio da segunda temporada do Bon Voyage. Exceto que, nesse caso, difícil seria conter toda a emoção.

Porque sejamos bem honestos, convívio social não é a coisa mais simples do mundo. Sim, o ser humano precisa de companhia, de estar em contato com os seus, mas isso não torna a tarefa de se dedicar a construir uma relação com alguém algo fácil. Famílias não são perfeitas, as complicações surgem no dia-a-dia mesmo junto àqueles com quem compartilhamos laços de sangue, e a vontade de se isolar e viver junto dos pinguins em algum lugar distante depois de um momento de tensão sempre aparece. O que dirá então conviver com colegas de trabalho, pessoas de lugares e vivências tão diferentes das nossas, unidas por um objetivo e não exatamente o afeto desenvolvido entre elas? É comum demais encontrarmos grupos de pessoas que apenas aturam umas as outras nesses meios, que existem em um mesmo espaço, porque precisam, não porque querem.

O BTS nos fez esquecer que no princípio eles eram apenas colegas de trabalho.

Muito se discute na mídia o que faz o BTS ser o BTS, estudos longos e detalhados sobre como eles se tornaram a potência musical que são hoje, e todos eles trazem argumentos muito corretos em suas análises. Sim, é a música e seus temas e melodias, é o visual elaborado e os clipes bem produzidos e as coreografias incríveis, sim, é o fato de que podemos nos identificar com cada um dos garotos e de que sentimentos eles falam conosco, sim, é o mercado e as redes sociais e o momento e fazer a coisa certa na hora certa. É tudo isso, mas o que atrai o público a esses sete meninos tanto quanto as outras coisas é o afeto que eles têm um pelo outro.

O mundo do entretenimento é cruel e frio e todos os adjetivos possíveis usados para definir  esse mercado de maneira justa. As pessoas trabalham juntas o tempo todo e sorriem para as câmeras em abraços de lado e sinais de paz e amor, enquanto sites de fofoca continuam ganhando seus cliques com notícias de fulano odeia secretamente sicrano – e não sempre, mas boa parte das vezes é verdade. Não é preciso ter nenhum Oscar na prateleira para fingir afeição entre colegas – se ela é acreditável ou não, bom, esse já é um buraco mais profundo, mas interessante de se cavar.

Às vezes achamos ouro nos lugares onde menos esperávamos.

Como por exemplo… Queer Eye. Até não muito tempo atrás, tudo que eu sabia sobre o reality show consistia de: a) a Netflix estava fazendo um remake;  b) era algum tipo de programa de transformação; c) um dos jurados fixos de RuPaul’s Drag Race tinha feito parte do elenco original. Informações aleatórias e desconexas que me fizeram começar a assistir pra espantar o tédio de um domingo dias depois da segunda temporada estrear. Manter o foco em alguma coisa por tempo prolongado tem sido uma tarefa difícil pra mim no último ano, o que entre outras atividades muito mais importantes, me fez perder também o costume de assistir séries – perceber que eu já não era a adolescente que tinha um calendário de quais séries saiam em qual dia da semana e em que momento do meu dia eu poderia assistir um episódio foi um choque no início, pra ser sincera (maratonas, então? Um termo que meu vocabulário quase não conhece mais).

Eu não estava esperando muito de Queer Eye. Talvez uma mistura de Irmãos a Obra com Esquadrão da Moda. Não querendo expor meu sulismo, mas… bah. Que tapa na cara foi o primeiro episódio. E o seguinte. E o depois daquele. E todos os outros, até o minuto final da segunda temporada, misturado com a dor no coração por tudo ter terminado tão rápido, deixando para trás uma sede por mais.

Mais histórias, mais momentos para rir e para chorar. Mais casas lindas e cortes de cabelos e barras de mangas dobradas. Mais amor, por favor.

Ao longo dos dezesseis episódios de Queer Eye,  o que mais me intrigou foi a química entre os tais (incríveis, doces, sensacionais) Fabulous 5. Mais do que empatia e construção de um diálogo com o participante da vez, as interações entre Antoni, Bobby, Jonathan, Karamo e Tan entretêm, emocionam, deixam aquela sensação quentinha no peito e a vontade de abraçar cada um deles (e proteger de todo o mal do mundo). Tudo tão bonito que a dúvida fica no ar: será que essa amizade é de verdade?

É triste que esse questionamento seja a primeira coisa a vir na cabeça, mas em tempos de confiança que toma forma de cacos de vidro, bom, não é de se admirar. A investigação, então, começou com a reação mais natural do mundo: buscar todas as @s do elenco nas redes sociais e me afogar numa abundância de genuidade, carinho e respeito mútuo. Apesar da possibilidade de maquiar nossa vida online o máximo possível, existem coisas que não podem ser fingidas, principalmente por muito tempo. O vídeo em que os fabulosos abraçam Jonathan, todos ao mesmo tempo, após a descoberta de que seu show foi indicado ao Emmy, foi um dos momentos mais puros que lembro de ter visto em muito tempo – principalmente porque nenhum deles sabia que estava sendo gravado.

Curiosamente, durante toda essa pesquisa para determinar que ainda existe esperança nos seres humanos, tudo que eu conseguia me lembrar era de sete meninos do outro lado do oceano.

O afeto entre Seokjin, Yoongi, Hoseok, Namjoon, Jimin, Taehyung e Jungkook é tanto que transborda.

Por todas as coisas que viveram juntos nesses últimos anos – as boas, as ruins, o limbo de não saber o que esperar do futuro – e, simplesmente, porque são estes sete garotos, crescendo e aprendendo juntos. É enxergar além das palavras colocadas no papel no Run e no Bon Voyage: é como eles olham uns para os outros quando ninguém está prestando muita atenção, como agem, silenciosamente, para garantir que todos estejam bem, como conhecem cada detalhe como a palma de sua própria mão. O BTS não precisa ficar bradando aos sete ventos como gostam um do outro e a importância de estarem juntos. A gente consegue ver, nos abraços e nas lágrimas, nas risadas e nos silêncios. Por tudo que sabemos e vimos, e aquilo que apenas os sete compartilham.

Talvez o BTS seja o mais próximo da existência de almas gêmeas nesse mundo.

E por que isso é tão importante pra gente aqui, no nosso cantinho, amando de longe essas pessoas?

Cada um tem sua própria resposta, mas pra mim, em particular, é uma chama de esperança. É saber que se essas pessoas se encontraram – por obra do destino ou não – talvez eu também encontre os meus próprios pedacinhos de quebra-cabeça. É conseguir confiar nas pessoas e não me sentir boba por acreditar. E acreditar, no meio de todas as vozes que não se calam na guerra da minha mente, que faz sentido estar aqui. Que não estou sozinha. Que o hoje pode ter deixado um gosto amargo na boca, mas o futuro também pode ser doce.

Nesses anos em que eu me divido entre escrever fanfic e histórias originais e textos absurdos nos campos da internet, conheci alguns autores que diziam que o que tornava histórias mais reais era a dor e a violência  e as manchas de sangue escorrendo no final da página. Mas o amor e o afeto são reais, tão genuínos quanto a escuridão. A gente precisa normalizar a ideia de que relacionamentos – de todos os tipos – saudáveis e afetuosos são tão reais e possíveis quanto qualquer outra coisa. O BTS ajuda, talvez até sem perceber, a reforçar essa ideia, a espalhar por aí o poder dos laços afetivos e o quanto eles impactam nossas vidas.

Existe sim amor em São Paulo, em Seul, aqui no interior do Rio Grande do Sul e através dos sete mares.

Existe amor em todos os lugares, e você ainda vai encontrar também.


Por maureen h. @ btsbr


Publicado em 10.07.2018
BUniverse: Convergência de mídias na construção de uma narrativa
O BTS abraçou o storytelling desde os primórdios de sua carreira!

Em maio de 2018, a Lucasfilm e a Disney entregaram para o mundo seu ambicioso Han Solo: Uma História Star Wars, o segundo título de uma antologia dedicada a histórias paralelas da famosa franquia iniciada em 1977. O objetivo dessa produção é simples: expandir ainda mais um universo já cativo do público, utilizando uma história não contada de um personagem amado e importante no espectro da cultura pop. Mas enquanto o primeiro título dessa antologia, Rogue One – lançado em 2017 e focado na história preliminar ao filme original da saga -, foi um sucesso de público e crítica, Han Solo gerou um prejuízo de entre 60 a 90 milhões de dólares, jogando um balde de água fria nos projetos já em desenvolvimento para outros longas do mesmo estilo.

A palavra universo vem sido usada em larga escala para classificar grandes arcos de histórias construídas por franquias cinematográficas nos últimos anos. Populares entre o público estão sagas como Transformers, Jurassic Park, Matrix e até mesmo os filmes do diretor Quentin Tarantino. A Marvel Studios, também propriedade da Disney, talvez tenha a maior referência atual do chamado universo compartilhado, tendo começado em 2008 com o lançamento do primeiro Homem de Ferro. O sucesso dessa empreitada completa dez anos com seu último lançamento, Vingadores: Guerra Infinita, se tornando a quarta maior bilheteria de todos os tempos. A estratégia da Marvel deu tão certo que praticamente obrigou sua maior concorrente, a DC Comics, a trabalhar em seu próprio arco de histórias, embora o mesmo ainda engatinhe para encontrar o mesmo tipo de aclamação do público.

O admirável nesse tipo de entretenimento é que durante a sua expansão o conteúdo já não pertence mais apenas a mídia onde originalmente surgiram. Voltando a Star Wars, por exemplo, a primeira imersão nesse universo se deu pelos três primeiros filmes nos anos 70 – Uma Nova Esperança, O Império Contra-ataca e O Retorno do Jedi – e continuou com a segunda parte da trilogia lançada entre 1999 e 2005 – A Ameaça Fantasma, Ataque dos Clones e a Vingança dos Sith. Em 2015, o primeiro filme de uma terceira trilogia, chamado o Despertar da Força, chegava às telas, seguido de Os Últimos Jedi em 2017. Em 41 anos de existência da franquia, 10 longa-metragens foram entregues ao público, mas a história de Star Wars não ficou presa a esses filmes. Filmes e séries de animação, jogos de videogame, livros e histórias em quadrinhos deram aos fãs outros personagens e cenários dentro do mesmo mundo em diferentes épocas, preenchendo (ou em alguns casos aumentos) os buracos que o cinema não conseguiu cobrir. Aqueles que apenas assistiram os filmes não reconhecem nomes como Ezra Bridger ou Kanan Jarrus, personagens da série animada Star Wars Rebels que acompanha os anos entre A Vingança dos Sith e Uma Nova Esperança.

Esse tipo de construção de universo de entretenimento recebeu o nome de cultura de convergência, abordada por Henry Jenkins em seu livro de mesmo título. É diferente de uma adaptação, onde a mesma história é contada através de duas mídias diferentes – como Harry Potter em seus primeiros anos, embora nos últimos tempos a autora tenha expandido sua narrativa na internet e no teatro, com seu próprio mundo compartilhado, ou a própria Marvel, que primeiramente adaptou seus quadrinhos, mas aumentando seu conteúdo através de suas séries originais na Netflix e curtas-metragens lançados em seu site -, na convergência, cada capítulo ou trecho pode ser entregue por um veículo diferente – um jogo, uma série para a TV, um vídeo no YouTube, um aplicativo para celular: as possibilidades são infinitas.

A convergência de conteúdos acaba sendo uma ferramenta atrativa tanto em questões financeiras quanto criativas. Fãs encantados por essas franquias são mais propensos a adquirir qualquer tipo de material que sacie essa necessidade constante de novas informações,movimentando diversos setores da indústria, enquanto desenvolvedores podem contar histórias que ficariam na gaveta por não se adaptar a um determinado formato. Além disso, a longevidade também é estendida quando compartilhada entre mídias – os quase cinquenta anos de Star Wars e os cinquenta e cinco da britânica Doctor Who na cultura popular não deixam dúvidas disso.

Fórmula perfeita para a indústria cinematográfica multimilionária dos Estados Unidos, mas também para certo grupo de hip-hop/pop de uma pequena empresa da Coreia do Sul.

O BTS abraçou o storytelling desde os primórdios de sua carreira. O pontapé inicial para suas aventuras no mundo da narrativa musical foi a Trilogia Escolar, com o 2 Cool 4 Skool e o O!RUL82? de 2013 e o Skool Luv Affair de 2014. Os três trabalhos entregaram histórias sobre temas comum a jovens estudantes – na Coreia e no mundo: a rigidez dos professores e o sistema escolar, a pressão dos pais e as expectativas para o futuro, os romances nascidos em salas de aula. Para seu primeiro álbum completo de estúdio, o Dark&Wild, de 2014, a consistência de um mesmo tema para todas as canções foi mantida, e as dores de um coração partido foram abordadas.

Mas o império criativo que o BTS possui em mãos atualmente começou a ser construído em 2015, com o The Most Beautiful Moment in Life Part 1. O termo BUniverse não seria usado até 2017, tendo aparecido pela primeira vez com a sigla B.U na contracapa do Wings Concept Book, mas o primeiro capítulo dessa história tomou forma com o vídeo de I NEED U. Sete garotos lidando com a própria juventude e os desafios do momento mais belo da vida são a base de uma estratégia criativa que vai muito além da dita “popularidade nas redes sociais” a que o sucesso do grupo é erroneamente creditado.

Nos últimos três anos, o BTS usou suas músicas, vídeos, turnês, ensaios fotográficos, redes sociais e álbuns físicos para contar sua história de narrativa não-linear – assim como Star Wars, os fatos não seguem uma ordem de início, meio e fim. Os curtas produzidos para anunciar o álbum Wings, de 2016, fazem alusão a elementos presentes nos clipes de I NEED U e Run, enquanto os álbuns Love Yourself: Her e Love Yourself: Tear trazem mini-livros com cartas escritas antes e depois dos acontecimentos mostrados naqueles clipes. Vídeos exibidos na The Wings Tour davam pistas de clipes futuros e explicavam alguns momentos do passado. Apresentações em premiações de final de ano na Coreia mostraram títulos de futuros álbuns e músicas e temas que o grupo exploraria no futuro.

O grande trunfo do grupo, na realidade, não está apenas na criação de seu próprio universo, mas em dar ao seu público a chance de participar da construção do mesmo. Diferentemente de universos cinematográficos onde o conteúdo é entregue pronto, aqui são os fãs que precisam juntar os pontos, encontrar as referências e interpretá-las, criando suas próprias teorias em cima do material fornecido. O BTS transformou seu universo em um grande quebra-cabeça e deu para o seu ARMY a liberdade de montá-lo do jeito que para eles fizesse mais sentido, guiando-os em alguns momentos cruciais. O grupo assim estimula o engajamento e a lealdade de seus fãs, dando a eles algo pelo que esperar e se surpreender.

Um dos momentos mais interessantes dessa trajetória aconteceu em 2017, para promover o lançamento do mini-álbum Love Yourself: Her. Com boatos de um comeback se aproximando, os fãs começaram a ficar atentos às informações divulgadas pelo próprio BTS e a BigHit Entertainment. Em 9 de agosto, Jin postou no Twitter do grupo uma selfie, acontecimento comum no cotidiano dos fãs, mas o buquê de flores que ele segurava e a legenda que apenas continha a palavra Smeraldo levou os mais antenados a uma pesquisa rápida no Google sobre a palavra em questão. Um resultado chamou atenção: um blog de uma floricultura prestes a abrir em Seul especializada em Smeraldo, a exata mesma flor mostrada por Jin. No blog também foram encontradas histórias de como essa floricultura foi concebida, além da história da flor. Fotos no instagram da loja mostravam um bilhete com uma caligrafia absurdamente similar a de Jin, alegando que aquele era o bilhete do primeiro comprador a encomendar um buquê de Smeraldos. Um concurso realizado no blog também prometeu enviar buquês para “sete histórias” que confessassem os verdadeiros sentimentos em relação a alguém. Quando salvas, as imagens do blog tinham a legenda de BTS_Smeraldo.

Com o lançamento do primeiro Highlight Reel no YouTube em 15 de agosto, os fãs puderam confirmar que todas as informações presentes no blog da floricultura eram pistas para o novo trabalho – a flor aparece no diário que uma garota deixa cair perto do Jin nos primeiros segundos de vídeo. No terceiro Highlight Reel, é possível ver o caminhão da floricultura entregando um buquê de Smeraldos para ele. O conteúdo da mensagem do cartão, em português “A verdade não dita”, apareceu novamente em 2018 no título da canção The Truth Untold, do Love Yourself: Tear, e existem referências a história da Cidade de Smeraldo, postada no blog, nas canções Singularity e The Truth Untold.

É importante notar, porém, que de nada adianta um universo bem construído sem a qualidade do conteúdo principal: a música. O BUniverse aproximou o BTS dos fãs e garantiu uma conversa entre eles, mas ele serve apenas como pano de fundo para o talento musical e a beleza do trabalho entregue pelo grupo em suas canções. Sem elas, não haveria um interesse na narrativa construída. Vale ressaltar também que o BUniverse não atrapalha o alcance do grupo ao público geral. É possível aproveitar a música e os clipes sem usar toda a energia possível no entender de teoria e nas buscas de pistas em livros como Demian, de Hermann Hesse ou Into The Magic Shop, de James R. Doty.

Os próximos capítulos e como será a conclusão do BUniverse, só o tempo e a BigHit podem dizer, mas o seu alcance e o sucesso de sua narrativa são incomparáveis desde já.

 

Escrito por Maureen Heinrich @ BTSBR