“Um ato de esperança”: Antony Gormley conta porque aceitou participar do Connect, BTS

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“Um ato de esperança”: Antony Gormley conta porque aceitou participar do Connect, BTS

A estrutura de metal de aproximadamente 18 quilômetros traz o projeto
artístico global do BTS para o parque Brooklyn Bridge!

Na margem do East River no parque Brooklyn Bridge, um aglomerado de espirais de alumínio se parece com uma mola de 15 metros. As grandes voltas formam uma caverna porosa na luz de uma quinta-feira chuvosa, as pessoas posam para fotos nas bordas, enquanto uma criança pisa nos tubos quadrados com suas botinhas pequenas. O grande aglomerado de alumínio, que provavelmente chama a atenção das pessoas que correm à noite, se chama “New York Clearing”, uma obra feita pelo renomado escultor britânico Antony Gormley, e é um experimento de arte local apoiado por uma das maiores boybands do mundo.

“CONNECT, BTS”, é um projeto global de arte liderado pelo BTS, atualmente um dos grupos mais populares do mundo. Interessados em uma maneira diferente de conectar as pessoas, o BTS patrocinou locais em Londres, Buenos Aires, Seul, Berlin e Nova York, contando com obras interativas de 22 artistas. O projeto “CONNECT, BTS”, que revelará mais elementos ao longo deste ano, compartilha com o grupo, de acordo com seu curador Daehyung Lee em uma coletiva de imprensa, “uma porosidade deliberada, e uma realização da possibilidade de ver o mundo de uma forma diferente.” 

Baseado em uma série sediada pela Royal Academy de Londres, a obra “New York Clearing” de Gormley, conta com as mesmas espirais flutuantes — um rabisco que virou realidade graças à uma única linha de mais de 17 quilômetros de tubos de alumínio, amarrados e soldados juntos, sem começo ou fim. Também é o primeiro projeto da série “Clearing” de Gormley a ser realizado ao ar livre, sem precisar de ingressos.

O potencial de alcançar novos públicos inicialmente atraiu Gormley, conhecido pela sua estátua de 20 metros “Angel of the North” em Gateshead, ao projeto. “Eu senti desde o início que o projeto Connect, BTS era um ato de esperança”.

Ele admirava o senso do grupo de que muitos de seus fãs, onde a maioria faz parte da Geração Z, acham que o mundo está em chamas — o planeta está aquecendo, as redes sociais podem separar e envenenar tanto quanto conectar —, e mesmo assim a missão do BTS e de Lee de transmitir uma mensagem através da arte visual para uma audiência maior e influenciada pela cultura pop é “idealista de uma forma inovadora” 

A colaboração entre um grupo de muito sucesso, com um grande apelo comercial e o mundo rarefeito das artes visuais pode parecer improvável, mas o BTS “está tentando contar sua verdade individual e torná-la universal, e nesse sentido estamos no mesmo campo”, disse Gormley. Ainda assim, Gormley aponta que “o mundo da arte é relativamente isolado e egoísta…e esses meninos vêm junto com o seus milhões de seguidores e oferecem uma ponte para um tipo de audiência completamente novo — como você poderia recusar isso?

 

Gormley disse que admirava tanto Lee quanto o BTS por seus desejos de conectividade e envolvimento com um ambiente sensorial imediato. “É uma indústria diferente, uma metodologia diferente, mas estamos imaginando o mesmo futuro que será compartilhado com toda a humanidade, todos juntos”, contou Lee ao jornal The Guardian. 

“Esse é o nosso capítulo final e o auge do projeto Connect, BTS”, disse ele em um discurso de boas vindas para os visitantes do “New York Clearing” na terça-feira, dia 4/02, “Mas eu espero que esse seja o começo de uma iniciativa coletiva de despertar o nosso sensorial esquecido, para valorizar a diversidade, para entender as pessoas diferentes ao redor do mundo.”

Uma parte da missão do projeto (ou como Gormley chama, “experimento”) é redirecionar a atenção de volta ao tátil e ao analógico. “Por causa da nossa consciência motivada pelos objetivos, temos a tendência de ignorar muitos sinais que aparecem”, disse Gormley em uma mensagem que parece ter saído do livro “How To Do Nothing” de Jenny Odell, ou de muitos outros livros sobre se desconectar dos celulares para reconectar com o ambiente à sua volta. “Nossos corpos são instrumentos extraordinariamente aguçados que estão nos contando sobre o nosso ambiente o tempo todo, mas temos a tendência de ignorar tudo isso porque estamos nos concentrando nas nossas telas” 

Na obra “New York Clearing”, montada no frio ao longo de algumas semanas, você tem que pisar nas espirais, se abaixar e reavaliar o seu caminho. A interação com a peça produz uma sensação circular, observando outras pessoas observando você observar o ambiente.

Quando se pressiona levemente uma espiral, é possível vê-la balançar sob a mão de outra pessoa do outro lado da escultura. “Nós temos empatia corporal, talvez essa seja a forma de comunicação mais forte de todas”, disse Gormley, “O observador vira o observado para outros observadores, mas principalmente, o observador sendo o sujeito do espaço. É o espaço que o artista está proporcionando à você, não uma imagem ou uma representação”.

Ao invés disso, “New York Clearing”, é simplesmente um convite e um questionamento: “venha ver como é estar nessa coisa que não é bem um objeto — é mais um lugar, um fenômeno. É um ambiente em que você pode simplesmente fazer parte”. Você entra no desenho, ou você o examina de longe? Como você se vê nesse espaço? Como você está se sentindo nessa luz, nesse momento, nesse lugar? “Eu gosto da ideia de que, se você aceitar o convite, você pode vir e ver como se sente”, disse Gormley.

Ele apontou para o horizonte de Manhattan,  uma grade fixa pairando sobre o cenário descontrolado de “New York Clearing”: “aqui está a condição, a condição urbana e contemporânea, mas aqui está o potencial, aqui está a energia como uma possibilidade.”

A obra “New York Clearing” de Antony Gormley é gratuita e aberta ao público no Pier 3, no parque Brooklyn Bridge, de 5 de fevereiro à 27 de março de 2020.

Fonte: The Guardian 

Artigos | por em 20/02/2020
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