BTS: A entrevista para a Rolling Stone India

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BTS: A entrevista para a Rolling Stone India

Um dia antes de começar a escrever isso aqui, eu decidi escutar a discografia completa do BTS. Não foi meu primeiro embarque no arsenal impressionante de hip-hop, jazz, blues e pop que o grupo possui — longe disso, na verdade —, mas foi um poderoso lembrete acerca da razão de estarmos fazendo essa entrevista em primeiro lugar.

BTS não é uma sensação que surgiu do dia pra noite como você (provavelmente) foi levado a acreditar. A subida até o topo das paradas não foi um acaso, muito menos o resultado de um fandom “fanático” ou visualizações pagas. Vi diversos artigos nos principais canais de imprensa e vídeos de reação no YouTube que exigem saber como tudo isso aconteceu, ou exatamente de onde o BTS emergiu. Tem de tudo, desde admiração e descaso, até obsessão e ceticismo, tudo sempre levando às perguntas “como?” e “por quê?”.

A música do septeto não é feita para um específico e seleto grupo de pessoas; é para todos que ultrapassam os estágios da vida. As letras do BTS citam momentos que a maioria de nós que vivemos neste planeta temos em comum, incluem momentos passados na escola, laços (esquecidos e quebrados) com amigos, expectativas que nossos responsáveis colocam sobre nós e os papéis que a sociedade impõe, nos levando ao aparente inevitável destino de cair nessa corrida de ratos. Ao abordar essas fases das nossas vidas, o núcleo da mensagem do BTS está entrelaçado com o entendimento do que significa ser humano, para entender onde você se encontra no grandioso esquema de todas as coisas. Não existe limite de quem pode ou não ser fã do grupo, ou quem se vê nesses sete homens sul coreanos, e, é com essa simples verdade, que o BTS pavimentou um caminho para diversas gerações se descobrirem e se apaixonarem.

BTS para B-ARMYs on Twitter: "Rolling Stone Collectors Edition: The Ultimate Guide To BTS O @BTS_twt na capa edição de novembro da Rolling Stone Índia 🔗 https://t.co/bjzBakBJ3c #BTSxRollingStoneIndia… https://t.co/QAakrHqJRd"

Enquanto trabalhava com o BTS nesses últimos meses, eu aprendi muito sobre eles como profissionais. A agenda deles é extremamente apertada, enquanto fazem photoshoots, vídeos, produzem conteúdos e todas as outras coisas que estão envolvidas no processo de lançar um disco. Naquelas semanas em particular, eles também estavam ensaiando para o Map of the Soul ON:E, a live que quebrou recordes online e que tomou lugar dos shows para a turnê do álbum Map of the Soul: 7 que eles fariam em 2020, mas que foi cancelada devido à pandemia de COVID-19. Apesar da quantidade de atividades diárias na vida dos sete integrantes do BTS, todos os encontros e prazos com a Rolling Stone Índia foram cumpridos, todas as datas foram agendadas e eu realmente entendi o quanto a equipe do grupo foca em tempo e precisão. Existe atenção aos detalhes em um nível que a maioria do público não sabe — e provavelmente nunca saberá. Mas é esse comprometimento à arte e ao trabalho em equipe que diferencia o BTS de qualquer outro ato musical no planeta.

Os sete estiveram na capa da Rolling Stone Índia em 2017, logo antes do grupo começar sua jornada avassaladora até o topo das paradas ocidentais. Naquele ponto, durante nossa conversa, o líder do grupo, RM, sentia que a crescente popularidade deles se devia ao fascínio que a audiência ocidental possui por tendências, afirmando: “Acho que nossa audiência internacional é mais suscetível às tendências. [Eles sabem] o que está acontecendo na Billboard, no mundo da música.” Mas desde que o BTS passou a quebrar e estabelecer múltiplos recordes, se consolidando como titãs numa indústria que, em outro momento, veria boybands (especialmente as estrangeiras e de cor) como uma onda rápida e passageira. O septeto destruiu as noções pré concebidas em torno de homens asiáticos, K-pop e fandoms majoritariamente compostos por pessoas do sexo feminino, pavimentando um caminho que abre portas para todos aqueles que eram anteriormente rejeitados pelos padrões ocidentais. Depois de três anos estavelmente subindo até o topo, está bem claro que o BTS não é uma moda passageira — eles estão aqui para ficar e mudar os trejeitos que o mundo acredita serem essenciais para transformar um artista em um ícone da indústria. Há certo consolo em saber que eles não vão embora. É uma espécie de força que todos nós, pessoas de cor (especialmente asiáticos e os que são esquecidos), sentimos ao ver os sete lutando para construir essa plataforma para todos como nós.

BTS e eu nos contatamos diversas vezes durante algumas semanas de outubro. É um vibrante vai e vem entre Coreia e Índia, conversas bastante ansiadas que se estenderam por vários dias para encaixar na agenda agitada do grupo. Eles responderam mais perguntas do que eu esperava, e se abrem sobre facetas de sua arte e identidades que eles não conheciam antes, incluindo suas linhas de pensamento ao escrever determinadas músicas, os medos que inspiraram os temas de seu glorioso universo cinemático, suas ambições e o significado da palavra sucesso, que está em constante evolução. Nós debatemos tópicos que geralmente não são trazidos à tona durante entrevistas, focada em reviver o trabalho passado do grupo e a evolução do ponto de vista dos integrantes sobre a vida. É um raro vislumbre acerca do processo criativo de um dos atos mais importantes da nossa geração, e faz com que eu sinta que algo monumental foi confiado a mim.

Parabéns ao estrear em #1 na Billboard Hot 100. Vocês sentiam que a música que finalmente conseguiria esse feito seria “Dynamite”?

V: Nós não tínhamos a mínima ideia de que “Dynamite” faria tanto sucesso. Nós só queríamos compartilhar uma explosão de energia e entregar uma mensagem de esperança neste tempo tão difícil.

Vocês lançam, frequentemente, músicas em japonês, e agora com “Dynamite” escolheram a língua inglesa, quais as diferenças durante o processo criativo e quais os desafios de gravar e apresentar uma música em uma língua estrangeira?

V: Nós prestamos ainda mais atenção na hora de pronunciar as palavras em inglês, já que essa é nossa primeira faixa cantada inteiramente na língua, mas foi um processo divertido, afinal. No geral, nós colocamos muito esforço em passar nossa mensagem de forma clara sempre que cantamos em uma língua estrangeira.

Além de todo o sucesso nos charts, o que vocês consideram um ponto marcante na evolução como artistas, tanto como time quanto como indivíduos?

SUGA: Quando começamos a fazer turnês e apresentações para diversos públicos ao redor do mundo, sentimos como se tivéssemos subido um nível na nossa jornada como artistas.

Qual é o processo que leva à escolha da faixa-título? É a música que mais representa o álbum, ou existem outros fatores a serem considerados?

RM: A faixa-título geralmente é a música que sentimos que incorpora melhor o tema geral do álbum.

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RM, me lembro quando você fez uma live para Love Yourself 轉 ‘Tear’ e você nos mostrou uma demo para “FAKE LOVE” que possuía uma vibe mais crua de rock comparada a versão final da faixa. O que gera as mudanças que uma música sofre quando você compõe ou recebe uma demo, para a versão que finalmente entra para um álbum?

RM: Como nós somos sete, muitos ajustes sempre serão feitos antes de lançar uma música. Nossos vocais e tons são tão únicos que às vezes fica difícil entrar num acordo de qual tom a música será. Entretanto, nós repetimos constantemente o processo de tentativa e erro a medida que experimentamos coisas diferentes, até finalmente descobrirmos o que dá certo para todos nós.

Quando vocês estão lançando uma música, o quanto o feedback é importante para vocês? Ou vocês são do tipo que lançam o que desejam, permanecem verdadeiros a si mesmos e não olham os comentários do público?

Jin: A opinião da nossa gravadora, produtores e dos fãs são importantes. O feedback deles é inestimável, já que sabemos que eles só querem o nosso melhor. Entretanto, nós tentamos focar na mensagem que queremos entregar para o nosso público, já que esse é o nosso propósito número um por trás do motivo de escrevermos músicas. Fatores externos também tem um papel importante, eles nos influenciam a desenvolver ainda mais profundamente nossa mensagem e isso reflete em nossas músicas.

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Quando estão gravando, vocês se concentram em expressar os sentimentos certos, ou em soar perfeitos?

JungKook: Eu prefiro capturar o sentimento certo. Não gosto de me restringir a limites.

Como vocês lidam com a falta de criatividade e inspiração? Vocês se sentem pressionados pelos cronogramas de produção?

JungKook: Eu tento não me afetar com a pressão e apenas fazer como me sinto. Se me sinto criativo, está ótimo, se não, está tudo bem também.

Muito da alma de vocês como artistas é a relacionalidade. The Most Beautiful Moment In Life é o que me tornou uma fã de longa data de vocês em 2015. Quando vocês estavam fazendo essa série de álbuns, vocês imaginavam que faria todo aquele sucesso grandioso? Se não, o que foi surpreendente em saber que aquele foi o álbum que iniciou tudo isso?

Jimin: The Most Beautiful Moment In Life Part 1 foi o primeiro álbum que nos fez ganhar prêmios nos music shows coreanos e atraiu fãs. Ninguém esperava que seria nossa primeira vitória e muito menos um hit, mas se tornou a chave que abriu as portas que nos permitiram seguir em frente. Nós ainda não temos certeza do motivo específico desse álbum ter sido o responsável por esse papel. Jin, entretanto, diz que previu todo o sucesso, já que sempre que J-Hope diz que uma música não terá bom desempenho, ela acaba tendo.

Existe uma mudança fascinante na forma que suas letras demonstram o sucesso que veio com o tempo. Para mim, um ótimo exemplo é a frase “Eu quero uma casa grande, carros grandes, anéis grandes” que aparece em três músicas ao longo dos anos, em “No More Dream”, “Home” do Map of the Soul: Persona e “Interlude: Shadow” do Map of the Soul: 7 — cada uma usada em contextos diferentes. Ao vivo vocês também cantam versões que omitem o “eu quero”. Como sua definição de sucesso mudou desde o debut até agora?

J-Hope: Quando era mais novo, havia um tempo em que eu pensava que fazer o debut era sinônimo de sucesso. Quando me deparei com o que eu acreditava ser ‘sucesso,’ eu descobri como era falho, e esse foi o começo da minha jornada de aprendizado. Me sinto envergonhado de falar sobre sucesso, porque acho que ainda estou aprendendo. Todo mundo tem uma definição e um padrão diferentes para definir sucesso. Me sinto confortável em saber que farei meu melhor para alcançar o nível de sucesso que estabeleci para mim. É assim que vejo o sucesso atualmente.

Por falar nisso, J-Hope, uma vez você disse que “Airplane”, música da sua mixtape de 2018, Hope World, era um produto do momento em que você percebeu que estava vivendo a vida que sempre sonhou quando criança. Você ainda tem momentos em que tudo ainda parece inacreditável?

J-Hope: Ainda é inacreditável que nosso canto e dança, que começou apenas por puro prazer, tenha propagado um impacto tão grande ao redor do mundo. O que torna tudo ainda melhor é que ninguém esperava que isso acontecesse. Eu ainda não consigo acreditar que nós conseguimos #1 na Billboard Hot 100.

Quando escreveram seus álbuns antigos, como Dark & Wild e a série The Most Beautiful Moment In Life, vocês eram adolescentes. Agora, quando vocês olham para essas gravações como adultos bem sucedidos, como a percepção de vocês acerca do que a juventude precisa escutar evoluiu?

RM: Quando eu era mais novo, eu acreditava que tristeza tinha que ser tratada com tristeza. Agora que estou mais velho, percebo que este não é sempre o caso. Nós precisamos de uma mistura equilibrada de felicidade e tristeza, de luz e escuridão, para atuar como elementos nutritivos nas nossas vidas.

Map Of The Soul: 7 lida com os diversos níveis que compõem a psique humana, mas também está profundamente conectado à evolução do BTS conforme vocês sobem a escada da fama. Foi muito difícil mostrar para uma audiência global esse lado mais pessoal do BTS?

J-Hope: O álbum olha para nossa trajetória de 7 anos como um grupo formado por 7 pessoas. Fala sobre as histórias que nos fizeram quem nós somos hoje e nossos verdadeiros sentimentos, ditos de maneira sincera. É como se tivéssemos aberto um grande e detalhado capítulo do nosso diário nos últimos anos. Mostra como nós somos de verdade — então nos sentimos orgulhosos e abençoados por podermos nos apresentar dessa forma.

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“Black Swan” fala sobre o medo de perder o amor pela arte. Existem momentos pessoais que inspiraram a composição da música, ou é apenas um medo do que pode acontecer no futuro?

Jimin: Eu costumava temer que minhas intenções puras começassem a se deteriorar e que eu olharia tudo isso estritamente como meu trabalho, quando eu ficasse exausto demais de uma agenda tão apertada e de tanto comprometimento.

Existem vários bons momentos nesse álbum que são throwbacks de trabalhos anteriores, especialmente Skool Luv Affair, WINGS, “Sea”, “Save Me,” O!RUL8,2? e muito mais. Por que o Map of the Soul: 7 foi o álbum certo e 2020 o ano escolhido para explorar esse momento?

Jin:Esse ano marca o nosso sétimo aniversário e, enquanto trabalhávamos nesse álbum, pudemos reviver todos aqueles momentos juntos. Viajamos de volta para o passado, e, naturalmente, o tema ‘nosso passado’ pareceu perfeito para esse projeto.

Existe um ditado entre os ARMYs que diz: “Vocês surgiram nas nossas vidas quando mais precisávamos de vocês.” Certamente aconteceu comigo quando encontrei suas músicas. Qual o pensamento de vocês acerca dessa opinião coletiva, o fato de que salvaram diversas vidas com suas músicas e que seu conteúdo contribuiu para o mundo?

SUGA: Escutar nossos fãs falarem que nós mudamos a vida deles muda a nossa vida também. Nós aprendemos sobre o peso que nossas palavras e músicas carregam, e estamos honestamente agradecidos por isso. Nós percebemos que, apesar do nosso amor pela música, a coisa mais importante desse trabalho é ter pessoas que te escutem. Somos agradecidos pelos ARMYs escutarem nossas mensagens e músicas.

Como vocês imaginam os ARMYs?

V: Os ARMYs são a luz que nos guiam na nossa jornada como músicos. Não estaríamos onde estamos hoje se não fosse pelos nossos fãs, eles continuarão nos guiando e motivando à melhorar cada vez mais musicalmente.

RM, em determinado momento, você disse que se conseguir diminuir a dor de alguém “de 100 para 99, 98 ou até mesmo 97, então o valor da existência [do BTS] é suficiente”. Como você se sente quando pessoas te procuram e contam que as músicas que você escreveu foi a salvação da vida delas?

RM: Duvido que eu seja merecedor de receber esses comentários. É o contrário, foram essas mesmas pessoas que me tiraram da beira do precipício diminuindo para 98 e 97, então podemos dizer que nós estamos salvando a vida uns dos outros.

Vocês trabalharam em diversos projetos fora do cenário musical que nos permitiu conhecer melhor cada um de vocês ao longo dos anos — ​como Run BTS!​, B​on Voyage​ e I​n The Soop​. Quais eram as intenções por trás do lançamento dessas séries e qual a maior recompensa que vocês receberam com isso?

Jin: Esses são projetos divertidos, não apenas para nós mostrarmos nosso lado confortável e relaxado para nossos fãs, mas também estreitar os laços entre nós mesmos. Como vocês devem ter visto no In The Soop recentemente, nós fomos capazes de aproveitar o belo cenário na Coreia e ter um tempo para nos atualizamos uns com os outros mais como amigos do que integrantes da mesma banda.

Como vocês equilibram a balança entre quem vocês são fora do BTS versus os integrantes que nós vemos nas telas? É difícil manter a persona pública?

V: Seria difícil se a minha personalidade pública fosse falsa, mas não é, então não é difícil.

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O crescimento de vocês foi exponencial — vindos de cidades pequenas e uma empresa pequena, foi uma série de conquistas que nem mesmo seus antecessores haviam visto. Como vocês direcionam esse sucesso? Quem são seus mentores ou figuras à se guiar?

JungKook: Nenhum de nós imaginava todo esse sucesso quando iniciamos. É por isso que às vezes ainda é difícil de acreditar. Temos bastante orgulho de tudo o que alcançamos, mas sempre nos lembramos de nunca perder de vista a razão pela qual todos nós embarcamos nessa jornada. Nos apresentar e fazer música é tudo para nós, e esperamos continuar espalhando nossa mensagem dessa forma, até mesmo através de todos os nossos sucessores. Nós somos especialmente gratos ao Mr. Bang que nos guiou desde o início e ajudou a chegar onde estamos hoje.

Qual é o ponto mais forte do BTS e o que ainda é um trabalho em progresso?

JungKook: Nossa relação uns com os outros é nossa maior força. A transparência do nosso grupo reflete na nossa música através das mensagens honestas que passamos para os nossos ouvintes. Nós, como indivíduos, assim como um grupo, sempre seremos um trabalho em andamento. Com o passar dos anos nós aprendemos que não importa o quanto a gente tente, sempre haverá espaço para melhorar.

Vocês são bem conhecidos pela sua filantropia, especialmente pela sua parceria com a UNICEF para a campanha Love Myself. Quando vocês se envolveram com caridade pela primeira vez e como gostaria de fazer crescer essa mensagem de altruísmo?

RM: Sempre quisemos ser uma boa influência para o mundo, seja através da música ou das nossas ações. Somos gratos por sermos capazes de nos aprofundar no assunto através de oportunidades de fazer parcerias, como foi com a UNICEF para a campanha Love Myself. Também somos agradecidos pelos nossos ARMYs, que estão envolvidos em diversos trabalhos de caridade.

Vamos falar um pouco sobre seus esforços solo também. SUGA, como produtor e compositor, você fez músicas para vários artistas. Como você diferencia as músicas que compôs como artista e produtor SUGA do BTS, de Agust D para Agust D, e do produtor SUGA para outros artistas como Epik High, Suran, Heize e IU?

SUGA: O foco desses três papéis é diferente, então definitivamente existem distinções na minha abordagem. Eu foco na harmonia do BTS como um integrante do grupo, na falta de polidez extremamente crua da música como Agust D, e na popularidade em massa do mercado como produtor para outros artistas.

No início do ano, eu escrevi um artigo chamado “A filosofia de Agust D”, sobre o que nós, como fãs, vislumbramos o que Agust D significa para nós e o que ele significa para nossa geração e sociedade. O que é o Agust D para você? Ele é sua catarse*, um messias para o povo ou talvez algo completamente diferente?

SUGA: É apenas um dos vários lados em mim. Talvez seja a descrição mais precisa de quem eu realmente sou. Eu não penso muito nisso, já que é apenas um dos diversos métodos que eu utilizo para expressar meus pensamentos livremente.

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*Catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional provocada por um trauma. Ou seja, é preciso que o herói trágico passe da “felicidade” para a “infelicidade” para que o espectador possa atingir a catarse.

Eu, particularmente, amei “People” da D-2, porque fala sobre a impermanência da humanidade, especialmente sobre como nós mudamos como seres humanos ao passarmos por diversas experiências. Existe algo que mudou ou evoluiu em você como pessoa nos últimos anos que te deixa particularmente orgulhoso?

SUGA: Todos mudamos, há pessoas que falam que mudar é algo ruim, dizendo que devemos nos manter às nossas intenções iniciais. Mudar é da nossa natureza, e eu acredito que mudar para o bem é positivo. Eu fico feliz de ter aprendido a pensar desta forma.

Você disse que estava trabalhando para desenvolver suas habilidades com o canto e para aprender a tocar violão. O que te inspirou a fazer isso, e como estão indo as coisas?

SUGA: Apenas passou pela minha cabeça que eu queria ser como os músicos dos anos 90 que eu ando escutando. Não estou tentando me limitar à um gênero musical específico. Eu apenas quero ser capaz de cantar enquanto toco violão quando for mais velho. É isto.

V, existe muita especulação sobre a sua mixtape graças à pequena prévia que você liberou no Twitter. Além da vibe Blues que pudemos escutar, que outros gêneros você explorou? eles são muito diferentes do som nos outros singles que você já lançou?

V: Estou explorando diversos gêneros musicais no momento. Estou experimentando estilos diferentes dentro de um conjunto mais amplo e profundo, então haverá músicas mais profundas, assim como estilos que vocês nunca viram vindos de mim antes.

Seu amor por arte e fotografia influenciam na sua música?

V: Arte, fotografia, minhas emoções no momento — Eu sou inspirado e influenciado por diversos fatores e faço questão de escrever o que eu sinto no momento.

Você é bastante expressivo com seus vocais diversificados, assim como suas expressões faciais — ambos são dois pontos fortíssimos da sua presença como artista. Isso foi algo natural seu ou precisou de certa prática?

V: Eu experimentei várias expressões faciais. Pratiquei muito e continuo praticando. Quero me tornar alguém que pode ser expressivo através de uma variedade de gêneros.

Jimin, você trabalhou em “Friends” junto do V — como melhores amigos que se consideram almas gêmeas, essa música é muito significativa. Quanto tempo demorou para compor? Foi difícil encapsular essa relação em uma música?

Jimin: Nossas habilidades de composição ainda são um pouco enferrujadas, então demoramos um pouco para finalizar essa música. Entretanto, foi uma experiência divertida para nós dois. Relembramos memórias antigas e incluímos cada uma delas em uma única música e criamos algo precioso para nós.

Existe uma diferença entre o Jimin cantor e o Jimin dançarino?

Jimin: Não necessariamente! Nunca considerei duas pessoas diferentes.

Sua disciplina e seu trabalho duro são características que muitos ARMYs realmente admiram em você. O que te motiva a buscar a excelência?

Jimin: Nossos fãs, que estão sempre esperando por nós, e o pensamento do meu futuro eu, que terá se tornado um artista ainda melhor.

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Jin, o que te fez querer abordar assuntos como aceitação própria e inseguranças com faixas como “Epiphany” e a série de álbuns Love Yourself? A letra de “Epiphany” até diz: ‘eu sou aquele a quem eu deveria amar’. Onde você se vê agora nessa jornada de autoaceitação?

Jin: Aceitação própria e insegurança são tópicos que eu, honestamente, não queria falar. Não queria expor esse meu lado, mas conversar com Mr. Bang ajudou a me abrir. Acredito que já aceitei essa parte de mim, aprendi a me entender e amar.

Quais são seus gêneros musicais favoritos para escutar no tempo livre? Você acha que poderá explorá-los como BTS?

Jin: Gosto bastante de escutar pop, mas também é o gênero que eu me sinto menos confiante. Mas eu estou naturalmente mais exposto à ele, conforme exploramos a música pop juntos como BTS.

Qual a filosofia, ou lema, que você leva pra vida?

Jin: Viva feliz.

Conforme vocês começam a atingir marcos cada vez mais lendários, para onde você olha ao pensar nos objetivos futuros?

Jin: Não penso muito sobre isso. Estou feliz o suficiente vivendo o agora com as pessoas que eu amo. Carpe Diem!**

**Carpe Diem: ‘Aproveite o dia.’

RM, em 2018, você lançou a mixtape mono., havia uma vulnerabilidade, um desabafo e uma suavidade distintiva da sua mixtape de 2015, denominada RM. Você pode falar sobre essa transição em sua música como artista solo?

RM: Minha cor e identidade mudaram completamente mais uma vez desde o lançamento de mono., mas eu queria mostrar esse lado mais escuro e monocromático de mim naquela época. Espero que conforte alguém que esteja passando por um capítulo parecido em sua vida.

O termo ‘Namjooning’ se tornou um sinônimo no fandom para quando alguém tira um tempo para si ou faz caminhadas na natureza. Como você se sente sabendo que os ARMYs adotam esses pequenos termos vindos de vocês e incorporam na vida deles?

RM: Me sinto agradecido, mas também com um senso de responsabilidade. Comecei a fazer música porque queria compartilhar minha história e me tornar uma boa influência para muitas pessoas, então ficaria honrado se pudesse continuar a mostrar meu trabalho duro e os resultados dos meus esforços.

Você ama ler livros, já considerou a ideia de escrever um?

RM: Quando eu leio, percebo que cada pessoa tem sua própria área de especialização. Se escreverei um livro algum dia? Não tenho certeza, mas não parece uma ideia impossível de acontecer algum dia, quando eu ganhar mais conhecimento e experiência.

J-Hope, você cita bastante o seu eu mais novo, tanto na sua arte quanto ao falar sobre suas dificuldades na vida. O que o J-Hope de hoje tem que deixaria o J-Hope jovem orgulhoso?

J-Hope: Minha paixão e trabalho duro com relação aos meus sonhos! Eu nunca quis nada além de estar nos palcos, então acredito que essa garra me fez quem eu sou hoje.

“Blue Side” nos deu um vislumbre de um lado mais melancólico e reflexivo da sua arte. Isso é algo que você gostaria de explorar mais detalhadamente no futuro? Existe um lado mais obscuro de J-Hope que você irá liberar artisticamente?

J-Hope: Acredito que, como humanos, todos temos nossas sombras. Sou grato que a música seja capaz de atuar como um mecanismo para expressar belamente esses lados mais obscuros. Pretendo continuar tentando coisas novas, explorando novos gêneros e contando as minhas histórias. Estou fazendo meu melhor para me preparar no momento, então, por favor, esperem por isso.

JungKook, eu sinto que você é a pessoa certa para responder isso: qual a melhor e a mais desafiadora parte de criar conteúdos fora do âmbito musical?

JungKook: Em primeiro lugar, acho que a ‘cor’ é a coisa mais importante, e como você naturalmente irá lidar com isso. Também considero importante encontrar novidades, conteúdos conhecidos, desconhecidos, e se esforçar para chegar longe, melhorar, o que é sempre difícil.

Que tipo de mídia inspira o seu estilo de filmagem?

JungKook: Não existe um conteúdo em específico que me inspire. O tempo que influencia meu estilo. Tenho certeza que se eu fizer tentativas específicas, iria melhorar meus conteúdos, mas eu prefiro que as coisas sejam naturais e sem muito esforço. Dito isso, acredito que a minha própria vida me inspire.

Tanto “Begin” quanto “My Time” são duas das minhas músicas favoritas compostas por você, por conta da forma honesta que você cantou suas emoções acerca da sua vida com o BTS. Como crescer nos holofotes com os outros integrantes lhe tornou o indivíduo que você é hoje? E como você espera que isso molde você como pessoa daqui a 10, 20 ou até 30 anos?

JungKook: Os integrantes foram as pessoas que me ensinaram a nunca estagnar, sempre me influenciando a melhorar e seguir em frente. Acredito que o tempo que passei com eles foi o que moldou a minha personalidade, meu canto, dança e estilo de filmagem. E é claro que os ARMYs me trouxeram coisas importantes e simples da vida como: conversar, estar em um palco, comer, gravar músicas, e eu compartilhei tudo isso com os outros seis integrantes do BTS, o que me tornou quem eu sou hoje. Acredito que eles ainda continuarão a desempenhar um papel importante no meu futuro também.

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Como vocês se sentiram ao estar de volta aos palcos com o live show Map of the Soul ON:E? E o que vocês citariam como a maior vantagem de um show online?

Jimin: Ficamos emocionados de encontrar nossos fãs através do nosso show online. Seria ainda melhor se pudéssemos ter nos encontrado com nossos ARMYs pessoalmente, mas ainda assim ficamos muito mexidos ao ver e ouvir nossos fãs através das telas. Foi um alívio poder fechar essa lacuna entre nós e eles, nos comunicamos com muitas pessoas de vários lugares do mundo ao mesmo tempo através de uma apresentação online, proporcionada pelas tecnologias atuais.

A produção do Map of the Soul ON:E foi excepcional — vocês foram ao infinito e além para incorporar efeitos especiais que não seriam possíveis numa apresentação ao vivo e entregaram à audiência uma experiência inesquecível, mesmo que não tenha sido pessoalmente. Qual foi o momento mais memorável desse show?

V: Eu fiquei bastante emocionado vendo os ARMYs durante a apresentação de “Inner Child” e isso me fez sentir ainda mais falta de todos eles ali.

Como a pandemia impactou seus processos artísticos de criação do álbum que está por vir? O que torna esse disco diferente de tudo que vocês já fizeram anteriormente?

Jimin: A pandemia interrompeu inesperadamente a maioria dos nossos planos originais. Entretanto, nos promoveu a oportunidade de parar, focar em nós mesmos e na nossa música. Nós refletimos as emoções que sentimos durante esse período e colocamos neste álbum. Também fomos capazes de dar um passo adiante ao assumirmos funções na produção geral do álbum, como desenvolvimento de conceito, composição e design visual.

Vocês podem nos contar por que escolheram o título BE como nome do próximo álbum? O que essa nova era dirá sobre a evolução do BTS até aqui?

Jin: Esse álbum é como uma página do nosso diário escrito nos tempos que estamos vivendo agora. O título BE representa ‘being’ (‘ser’), e captura pensamentos e emoções honestas que estamos sentindo atualmente. Incluímos muitas músicas calmas e descontraídas que todos podem desfrutar, então esperamos que muitas pessoas encontrem conforto nesse álbum. Acredito que o BE nos dará a oportunidade de crescer ainda mais como artistas que conseguem representar e cantar acerca de tempos atuais em suas músicas.

Vocês estão prestes a lançar mais um disco, se apresentaram novamente com o Map of the Soul ON:E e ainda possuem chances fantásticas de quebrar mais recordes mundiais com os lançamentos que estão por vir. O que vocês estão pensando agora que já estamos no final de 2020? Alguma última palavra de sabedoria?

J-Hope: Temos certeza que todo mundo concorda, mas 2020 não saiu nem um pouco como planejado. Nós teríamos feito uma turnê mundial se não fosse pela situação atual. Mas, em retorno, nós lançamos “Dynamite” e conseguimos o #1 na Billboard Hot 100. Entre muitos altos e baixos nós aprendemos que “a vida continua”, e essa é a mensagem que queríamos passar com o BE. Esperamos que os ARMYs possam encontrar cura e conforto através deste novo álbum.

Fonte: Rolling Stone India

Entrevistas | por em 13/12/2020
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