Como o BTS fez com que eu me aproximasse mais da minha mãe 💜

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Como o BTS fez com que eu me aproximasse mais da minha mãe 💜

Presentes de Dia das Mães são muito fáceis quando você é criança. Seja um colar feito de macarrão, um cartão feito à mão ou um livro cheio de cupons de “Vale um (1) abraço grátis”, literalmente qualquer coisa que você dê para a sua mãe vira automaticamente fofo porque você é pequeno.

Não é até você ficar mais velho que presentes de Dia das Mães se tornam um problema. Para mim, ficar mais velha significou entender quanto esforço minha mãe botou em ser uma boa mãe e o quanto ela e meu pai sacrificaram para criar a mim e meus dois irmãos.

Sempre fui muito próxima da minha família e, em particular, da minha mãe. Depois que eu e meu irmão nos mudamos de casa há um ano, no entanto, nosso tempo juntos vem se tornando cada vez mais e mais raro.

Então, sabendo de tudo isso, como somente um presente anual poderia retribuir o tempo de uma vida inteira que minha mãe dedicou a nós?

Acho que, neste ano, eu descobri: ingressos para um show do BTS comigo e com minha irmã.

O BTS tem tido sucesso massivo por algum tempo agora, mas foi há um ano, quando minha irmã mais nova, Julie, começou a falar sobre eles que eu finalmente comecei a entender quem eles eram.

Achei que meu tempo em fandoms adolescentes já tinha passado, mas o BTS provou que eu estava errada. Eu me afundei até o pescoço, mas também se tornou algo divertido que me aproximou de minha irmã. Nós tivemos interesses em comum no passado, mas foi a primeira vez que nós duas compartilhamos o mesmo amor por algo. Quando vi Julie durante as festas de final de ano, nós ficamos fazendo piadas internas e assistindo vídeos do BTS juntas.

Quando vi que o BTS faria um show no Rose Bowl no fim de semana anterior ao Dia das Mães, sabia que seria perfeito: eu poderia viajar para casa, em Los Angeles, no fim de semana e ver o show com a minha irmã, além de fazer uma comemoração adiantada do Dia das Mães com a minha família.

Eu contei a ideia para o meu pai, que perguntou: “Você acha que consegue comprar três ingressos?” Fiquei confusa, para quem eu daria o terceiro ingressos?

“Sua mãe,” meu pai respondeu.

Para o meu espanto, enquanto eu e minha irmã assistíamos aos vídeos do BTS juntas, nossa mãe estava fazendo pesquisas por trás das câmeras. No Natal passado, ela fez pequenos bottons com tema do BTS para mim e minha irmã e, no processo, encontrou entrevistas dos meninos no YouTube.

“Quer dizer, claro que no começo eu estava tentando entender o que a sua irmã gostava tanto,” minha mãe me contou. “Mas, quanto mais eu assistia aos clipes e entrevistas, mais eu ficava intrigada a respeito do marketing e como tudo começou. E quando você, minha filha mais velha, começou a gostar do BTS, eu soube que tinha que descobrir o que os tornava tão especiais.”

Eu me surpreendi porque, ainda que minha mãe seja muito brilhante, no geral ela não se interessa muito por cultura pop. Ela ainda tem problemas para lembrar todos os nomes — até hoje se refere ao JungKook como “John Cook” — mas aprecia o grupo e não só porque eu e minha irmã gostamos deles.

Então, com a dica do meu pai, minha irmã e eu decidimos levar nossa mãe a um show do BTS como presente de Dia das Mães.

Eu peguei um voo para Los Angeles alguns dias antes. Quando cheguei do aeroporto na casa dos meus pais, minha mãe declarou em alto e bom som: “EU SEI QUEM É O J-HOPE AGORA!”

Ao longo do final de semana, minha irmã e eu mostramos mais clipes do BTS para mamãe e fizemos perguntas sobre qual integrante era qual. De certa maneira, isso tudo mudou o meu carinho pelo BTS; claro que eu gosto das músicas, mas agora era algo que eu podia compartilhar com a minha família.

No show, fiquei surpresa em ver o quão diverso era o público. Fãs de boybands são, no geral, descritos injustamente como meninas adolescentes histéricas, mas lá eu vi pessoas de todas as etnias, gêneros e idades.

Há algo inerentemente comunal a respeito da experiência de fandom do BTS. Frequentemente, os fandoms evoluem para calabouços isolados, somente para “fãs verdadeiros”, mas os ARMYs lutam fortemente contra essa noção e recebem de braços abertos qualquer um disposto a apreciar o BTS junto com eles. Os ARMYs se orgulham de ser um grupo inclusivo, encorajando uns aos outros a se respeitarem e praticar o lema do grupo: “Love yourself.”

Eu poderia dedicar um artigo inteiro somente ao show, mas, resumindo, o BTS é nada mais, nada menos, que uma usina de performances incríveis, com cada momento planejado até o último detalhe. Eu pensei que talvez conseguiria me segurar, já que estava com a minha mãe e tal, mas quando JungKook começou a voar pelo palco, nós duas perdemos completamente as estribeiras.

Nunca pensei que gritar à vista de um monte de garotos coreanos lindos e talentosos seria uma experiência que eu viveria para compartilhar com a minha mãe, mas lá estávamos nós, fazendo exatamente isso.

Mais para o fim do show, minha mãe puxou minha irmã e eu para um abraço apertado. Uma mulher que acompanhava a filha e estava sentada atrás de nós, bateu no ombro de minha mãe e comentou: “Eu amo ver todos esses momentos entre mães e filhas aqui!”

Depois do show, minha irmã pegou uma carona com uns amigos que a levariam de volta para a faculdade no norte da Califórnia, então eu e minha mãe caminhamos para o carro juntas. Sabendo que eu teria que ir embora no dia seguinte, não consegui evitar de sentir uma pontinha de tristeza.

Ainda que eu tenha o imenso privilégio de poder visitar minha família com bastante frequência, há certo sentimento agridoce toda vez que preciso deixá-los. Quando vou embora de casa, parece que estou colocando minha vida em Los Angeles no modo pausado, e dando play novamente na minha vida em Seattle. Tenho a sensação de que minha mãe sente isso, também.

Todos os meus parentes vivem na Califórnia; eu sou a única que saiu do estado. Mesmo que vivamos na era da tecnologia, onde podemos nos conectar via FaceTime e mensagens, parece que, cada vez que volto para casa é um momento passageiro que precisa ser apreciado.

E, às vezes, esses momentos especiais são shows do BTS. Levar a minha mãe para vê-los provavelmente não foi o suficiente para retribuir todo os sacrifícios que ela fez por mim, mas parece que encontramos algo novo para compartilhar e aproveitar juntas. Não há nada comparado com cantar uma música, em uma língua que você não entende, junto com a sua mãe, sua irmã e 50 mil estranhos.

No final do show, enquanto o BTS dizia tchau para os seus fãs, JungKook disse que ele jamais esqueceria aquela noite. E, mesmo que fosse por razões diferentes, eu pensei: “Eu também.”

Fonte: Amy Wong @ Seattle Times

Artigos | por em 13/05/2019
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