Crítica: ‘Black Swan’ é um emaranhado perturbador e melancólico

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Crítica: ‘Black Swan’ é um emaranhado perturbador e melancólico

O segundo gostinho dissonante de Map of the Soul: 7 coloca o talento artístico acima do apelo às massas

“Um dançarino morre duas vezes – a primeira, quando para de dançar e essa primeira morte é a mais dolorosa,” disse a coreógrafa e maior dançarina do século 20, escolhida pela revista TIME, Martha Graham. É uma ideia que pode ser adaptada para outros campos e paixões – o conceito de perder o amor pela coisa que lhe move, que lhe inspira, que lhe motiva e que também lhe cura.

Essa é a citação que abre o belíssimo filme artístico para o mais recente single do BTS, ‘Black Swan’, onde vemos o grupo refletindo acerca do medo de que a música não mais ressona como costumava ressonar. “O coração não acelera mais quando a música toca,” SUGA diz de forma desolada no primeiro verso. “Tentando me erguer, parece que o tempo parou / Oh, essa seria a minha primeira morte de que eu sempre tive medo.”

É uma noção preocupante que parece pesar na mente dos integrantes do BTS. Durante a participação no álbum Manic, de Halsey, com a faixa ‘SUGA’s Interlude’, SUGA e a cantora de Nova Jersey compartilham seus pensamentos sobre perder o amor pelo âmago das suas profissões. “Como você vive e como você ama pode mudar,” ele expõe na faixa, parecendo entrar em conformidade com essa possibilidade. Aqui, no entanto, alarmes soam dolorosamente com essa perspectiva, como se o grupo coreano realmente não estivesse pronto para a chegada dessa primeira morte.

Suas vozes – processadas em camadas – são obscuras, sombreadas por dúvidas e ansiedade, enquanto uma melodia nervosa se entrelaça para dentro e para fora das batidas de trap, tremendo como um navio que veleja de forma turbulenta por entre seus medos. Em vários pontos, as vozes de Jimin, Jin e V flutuam como um monólogo interno dividido entre continuar normalmente (“Faça a sua coisa / Faça a sua coisa comigo agora”) ou ser permeado por incertezas e hesitações (“Qual é a minha coisa / Qual é a minha coisa, me diga agora”).

Há duas versões desse balé de trap inquieto; a disponível nos serviços de streaming é perturbadora, mas menos dissonante que a outra, já o filme artístico da MN Dance Company, é chocante e claustrofóbico, amontoando a faixa original com cordas clássicas. Quando se aventuram por corridas trêmulas através das notas altas, a ansiedade cresce, trazendo um quê de pânico em algumas partes (“Nenhuma música me afeta mais / Gritando um grito silencioso”) e uma força desafiante para outras (“Nada pode me devorar / Eu grito com ferocidade”).

Até onde singles vão, ‘Black Swan’ é um emaranhado. Distante de ser uma escolha imediata e amigável às rádios, o gancho é sutil e engolido pela produção distorcida. Mas isso não é ruim – nosso segundo gostinho do Map of the Soul: 7, coloca talento artístico à frente do apelo ao grande público e consegue ficar no topo.

Fonte: NME

Artigos | por em 20/01/2020
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