J-Hope: “Já é incrível ser amado só uma vez, mas estamos recebendo amor de todo o mundo”

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J-Hope: “Já é incrível ser amado só uma vez, mas estamos recebendo amor de todo o mundo”

Em 28 de abril, J-Hope transmitiu um vídeo de seu aquecimento de dança no canal do YouTube do BTS, BANGTANTV. Durante uma hora e quatro minutos, ele alonga todo o corpo, gradualmente avançando de pequenos a grandes movimentos, demonstrando cada vez mais suas outras técnicas. E ele não deixou de lado os exercícios ao final do treino, para resfriar seu corpo. Essa tem sido a vida de J-Hope como um integrante do BTS pelos últimos sete anos.

Muito aconteceu esse ano.

J-Hope: Como eu disse em outra entrevista, esse ano tem sido uma montanha russa. Tudo começou com nossa apresentação no Grammy, que foi muito muito bom, depois Map of the Soul: 7 foi lançado, o que foi incrível também, e então tudo despencou. Com o COVID-19 acontecendo, eu pensei muito, estudei bastante, e então o mundo conheceu “Dynamite”, e nós tivemos ótimos resultados. E a volta da montanha russa se repetiu. As montanhas russas são assustadoras, mas você continua pensando nelas mesmo depois de descer. É assim que me sinto sobre esse ano: foi assustador, mas memorável.

Uma dessas coisas memoráveis deve ser o fato de “Dynamite” chegar ao topo da Billboard Hot 100, mas vocês nunca tiveram a chance de ir realmente para os EUA.

J-Hope: Então, quando conquistamos o primeiro lugar, nós nem pudemos conferir os charts. Estávamos dormindo. Nós vimos ao acordar, e lá estávamos nós, no topo. Mas então fomos direto para o trabalho (risos). Tivemos que filmar algo aqui na Coreia. Não conseguimos  aproveitarmos toda essa situação da forma como ela merecia, mas estava tudo bem, porque ainda pudemos estar juntos. 

Você deve ter muito sobre o que pensar, fazendo o BE esse ano difícil…

J-Hope: Eu tendo a pensar nos álbuns do BTS como sendo um reflexo de todo o time, mas desta vez, pensei nisso como uma forma de incluir as histórias que eu queria contar, fazer dele a minha música e me infundir no novo álbum, mas com ele ainda sendo um álbum do BTS como um todo também. Acabou combinando exatamente com o estilo do BTS, e toda a energia da equipe levou a uma sinergia maior ainda.

O que fez você pensar em ir nessa direção?

J-Hope: Nós começamos este álbum nos reunindo e perguntando que tipo de história queríamos contar. O resultado final dessa conversa foi: “Bem, ainda temos que viver com essa situação; não podemos desistir”. E a partir daí, nasceu “Life Goes On”, e então começamos a trabalhar nas histórias que cada um de nós queria contar. Acho que soa mais cru, já que tentamos capturar as emoções que sentimos durante a pandemia.

Imagino que cada um de vocês tenha várias músicas que gostaria de incluir, e que suas opiniões provavelmente eram um pouco diferentes. Como você se comprometeu no produto final?

J-Hope: Nenhum de nós fez nenhum plano. Ouvíamos uma faixa e alguém perguntava: “Ei, alguém quer tentar?” e outra pessoa dizia: “Eu! Eu vou fazer isso.” Nós apenas fizemos assim. Também houve confrontos. Quando cada pessoa começa a falar mais alto, é difícil encontrar algo em comum. Mas nós sempre fomos bons em nos comunicar uns com os outros, e sabemos quando recuar ou ser corteses, então tudo ocorreu bem, incluindo o planejamento das músicas das units.

Como cada um de vocês escolheu suas músicas? Você colocou “Dis-ease” no álbum.

J-Hope: Se estávamos trabalhando no estúdio em alguma música, e alguém dizia: “Essa faixa não era muito boa, né?” A do JungKook de antes era melhor,” nós trocávamos na hora. A gravação da música era finalizada, e nós conversávamos com a empresa, mas acabávamos trocando de novo. Nós ouvíamos tudo juntos, e alguém dizia: “E quando a isso?”. E foi assim que decidimos. Então, “Life Goes On” estava pronta, e eu não tinha certeza se “Dis-ease” entraria no álbum. Nós demos as sete músicas de cada integrante para o Jimin, que era o gerente de projeto, e ele sugeria que as escutássemos primeiro, mas então ter o feedback das pessoas da empresa. Acho que cada integrante pode sentir que uma das histórias era sua.

De onde surgiu a ideia para “Dis-ease”?

J-Hope: Primeiro, eu queria entrar na ideia de que essa música é uma doença. Quando faço uma música, trabalho primeiro no refrão, e depois passo para o primeiro verso. Quando tinha acabado só o refrão, a música parecia animada, mas achei que o tema geral não deveria ser muito divertido. Isso não refletiria como estava me sentindo. Mas, embora o tema de Dis-ease” não seja muito leve, quando se funde com a batida, parece que a música está tentando se superar e se manter positiva. Então coloquei alguns arranhões no refrão, e um pouco de “bbyap bbyap bbyap”, e comecei a pensar, “Ah, melhor chamar essa música de ‘Dis-ease’.”

Eu não esperava que você escrevesse uma música retratando sua relação de amor e ódio com o trabalho como uma doença. Muitas pessoas esperam que você tenha uma atitude positiva e esperançosa, dado seu nome.

J-Hope: Eu estava muito ocupado para pensar muito sobre o trabalho em si. Mas, como você sabe, isso mudou de repente, e havia muitas coisas que não podíamos mais fazer. Quando eu estava trabalhando, eu sempre pensava que precisava dar uma pausa, mas assim que tínhamos uma pausa, eu pensava “Ah, quero trabalhar”. Foi isso que me fez pensar mais. “Por que isso está me incomodando? Eu tenho uma chance de descansar – apenas aproveite. Porque eu sinto que preciso trabalhar desse jeito? Isso é uma doença ocupacional?”. Eu senti que essa era uma parte de mim que eu poderia expressar nesse momento.

Essa é a primeira vez em suas letras que ouço como você se esforça para ter sucesso. Isso me faz pensar sobre o peso que você sentiu em relação ao seu trabalho nos últimos sete anos.

J-Hope: Por hábito, eu diria que estou bem, que tenho esperança, e continuaria trabalhando. Mas acho que estava apenas evitando meus problemas relacionados ao trabalho, em vez de enfrentá-los de frente. O bom da música é que eu posso dizer o que estou pensando, até mesmo sobre depressão e tristeza, de maneiras lindas. Eu geralmente não expresso esses sentimentos, mas desta vez, eu queria tentar.

Para que você tem muitos pensamentos distintos sobre o trabalho.

J-Hope: Sobre o meu trabalho? Bem, na verdade, não tenho certeza. O trabalho é um patinho feio. Ele me dá boa energia, mas você também ganha energia descansando. Mas alguém como eu se sente vivo quando está trabalhando, então preciso continuar trabalhando. Fico ansioso quando paro, e contente quando me movo. De vez em quando não quero trabalhar, mas eu não posso deixar de trabalhar.

Você está dizendo que você combina com o trabalho?

J-Hope: Exatamente. É mais fácil pensar de forma simples. Quando você pensa demais, as coisas ficam mais complicadas. Porque eu sou eu, não posso simplesmente manter as coisas simples o tempo todo, mas estou tentando o meu melhor para fazer o meu melhor.

Pensar simples nem sempre é tão simples.

J-Hope: Sim. Talvez seja porque eu não tenho muitos problemas para lidar. Sinto incerteza por causa disso. Não tenho certeza de como minha identidade será afetada se eu passar por grandes dificuldades.

O BTS enfrentou muitas dificuldades, certo?

J-Hope: Isso também é verdade. (risos) Mas o grupo não teria continuado se fosse apenas eu torcendo por nós. Estamos aqui porque todos pensamos da mesma maneira. Eu me pergunto se nós teríamos sido capazes de chegar tão longe se fosse apenas eu dizendo: “Vamos lá, pessoal!” É por isso que estou ainda mais grato aos outros integrantes.

O que essas mudanças emocionais afetam sua música?

J-Hope: Não queria fazer uma música excessivamente alegre desta vez. Achei que seria melhor fazer algumas músicas mais suaves sobre como eu estava me sentindo esse tempo todo, então escolhi “Dis-ease” e “Fly to My Room”. Os outros também pensaram: “Sim, nós fizemos muitas músicas alegres, então não haverá problema se tentarmos desta forma também”. “Blue & Gray” é assim também. Eu amo essa música.

Seu rap está bem diferente em “Blue & Grey”. Seu estilo de rap também mudou, junto com suas emoções?

J-Hope: Eu queria que “Blue & Gray” soasse como se eu estivesse falando, na verdade. O tom e a sensação da minha voz mudam muito dependendo de como eu vocalizo meu rap. Percebi muito isso dessa vez, e o RM realmente me ajudou muito. A parte dele era depois da minha, então me virei para ele e disse: “Talvez soasse melhor se eu fizesse assim”, e experimentei. Então usei seu conselho e encontrei o som certo.

Como é se afastar do seu estilo usual?

J-Hope: É bem refrescante. Achei que não funcionaria, deu certo afinal. E sempre tive vontade de experimentar. Para mim, BE é como o primeiro passo em um caminho desconhecido, então houve partes que foram desafiadoras e também partes que foram uma mudança bem-vinda.

Acho que seu rap em “Dis-ease” demonstra bem essa mudança. Em vez de tentar manter o tempo na introdução, seu fluxo apenas segue a história.

J-Hope: Eu fiz questão de não pensar demais em nada dessa vez. Acabou soando natural porque eu apenas acompanhei o ritmo das palavras quando elas saíram da minha boca. E foi revigorante porque eu não escrevia um verso longo como em “Dis-ease” há muito tempo. Quando fazemos rap, a tendência é de quatro ou oito versos; Pensei em tentar unir um verso com dezesseis. Também ajudou porque a letra saiu antes de muitas das outras coisas dessa música.

A música faz “Dis-ease” soar otimista, mas depois há uma mensagem surpreendente: “Para ser honesto, estou com esse problema”. É como se você estivesse se segurando para não cruzar a linha.

J-Hope: Foi algo assim. Não deveríamos permanecer nesta linha? Talvez isso também seja uma doença (risos). Eu pensei que se eu tendesse muito para um lado só, as pessoas poderiam achar isso estranho também. É por isso que tentei seguir meus padrões, mas como também sou humano, também expressei emoções que não conseguia articular na música.

Você não quer tentar cruzar essa linha?

J-Hope: Eu pensei sobre isso, obviamente. Eu quero, mas na minha própria vida e na minha mente, eu sempre acho que se há uma linha, ela não deveria ser cruzada. Mas estou me tornando mais generoso comigo sobre cruzar a linha quando se trata de música.

Então isso ainda não aconteceu, mas agora você quer dizer: “Eu tenho mais a dizer” e ir mais longe?

J-Hope: Sim. Talvez exista um momento onde eu realmente precise cruzar essa linha. Tive sorte porque conheci ótimas pessoas, tive sucesso e cheguei onde estou agora. Agora que estou aqui, sempre quero experimentar coisas novas e continuar crescendo. É por isso que estou trabalhando muito e pensando sobre que tipo de música devo fazer.

Há uma parte em “Fly to My Room” em que você canta: “Você pode mudar a maneira como você pensa.” É como se você estivesse explicando os últimos sete anos de sua vida.

J-Hope: Tudo depende de interpretação. Digamos que haja algum tipo de comida. Você pode se sentir solitário enquanto come sozinho, mas se você esquecer sua solidão por um minuto e pensar: “Não há diferença na comida que eu comeria fora (com outras pessoas) de qualquer maneira”, então é como comer fora. Então, embora eu estivesse preso e me sentindo sozinho em casa, comecei a pensar nisso como outra viagem. Pensei no meu quarto como o meu mundo e na comida de delivery como uma refeição de hotel três estrelas. Como você pode ver pelo título, trabalhei na música pensando em como agüentei este ano até agora.

E porque você decidiu “mudar a maneira como você pensa”?

J-Hope: Porque eu recebo muito amor. Porque como estou nesta posição e neste lugar, há coisas com as quais tenho que lidar, e devo fazer e pensar em coisas que sou capaz de suportar. Pensei muito nisso e aceitei. Então, pensei no que poderia fazer durante esses tempos difíceis e como poderia ajudar meus amigos, meu grupo. Ainda estou passando por esse processo também, então tudo é incerto.

Qual é o efeito de estar cercado por tanto amor?

J-Hope: Já é algo incrível ser amado por apenas uma pessoa. Mesmo que seja apenas uma pessoa, o amor é lindo, mas estamos recebendo amor de todo o mundo. E eu sei que isso não é algo para se dar por garantido. Sou tão incrivelmente grato que às vezes me emociono só de pensar: ‘Uau, como posso retribuir tanto amor?’ Quero expressar isso de qualquer maneira possível, a cada momento que puder, porque estou muito honrado em ser tão amado que nem consigo colocar em palavras.

Há pouco tempo, em entrevista à Rolling Stone India, você disse que, quando era jovem, comparava fazer seu debut ao sucesso. O que sucesso significa para você agora, agora que obteve sucesso após sucesso?

J-Hope: Sucesso … É uma ideia simples, mas pode pesar em você. Em todos os aspectos da vida, acho que sucesso significa estar satisfeito com o que você é capaz de fazer. Quando você perde a fé no seu trabalho e começa a se tornar uma tarefa árdua, é quando começa a ficar deprimido.

Inevitavelmente, há momentos em que você não consegue aproveitar.

J-Hope: É só que, sabe, é muito simples. Se você não pode fazer isso agora, você sempre pode fazer mais tarde. Faça isso e você poderá relaxar. E eu acho que esse é o segredo para viver uma vida longa e feliz. Tudo o que você não pode fazer aos 20 anos, você pode simplesmente fazer aos 40. Claro, haverá coisas que você deve fazer agora, enquanto ainda tem energia (risos). Mas se essa é a posição em que você está agora, você apenas tem que aguentar. Tente novamente mais tarde se não conseguir se divertir agora. Você provavelmente se sentirá diferente no futuro de qualquer maneira. Sim, essa foi praticamente a chave para minha autopreservação.

Onde você encontra força para se manter pensando assim?

J-Hope: Do grupo, e dos ARMYs, é claro. Tínhamos que sobreviver, pelos fãs. A qualquer hora do dia, os fãs vêm em primeiro lugar. Eu fico pensando sobre como seria doloroso para os fãs se apenas escondessemos algo ou sentíssemos vontade de desistir só porque estamos passando por um momento difícil. Eu tinha 20 anos quando fizemos nosso debut. Eu não sabia muito sobre ter uma vida social, mas as mensagens que nossos fãs enviaram foram um grande conforto e nos deram esperança. Aprendi muito lendo cartas de fãs e entendendo seus pensamentos. Fãs e artistas realmente se entendem.

Isso me faz pensar em uma frase de “Life Goes On”: “As pessoas dizem que o mundo mudou, mas felizmente entre você e eu, nada mudou.”

J-Hope: Sim. Achei que essa frase expressa esse sentimento muito bem desde que a ouvi pela primeira vez. SUGA escreveu isso. Ele é muito bom. (risos) Acho que isso descreve nosso relacionamento com nossos fãs.

Fonte: Weverse Magazine

Entrevistas | por em 27/11/2020
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