‘Map of the Soul: 7’ é uma carta de amor à todas as memórias do BTS ao longo dos anos

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‘Map of the Soul: 7’ é uma carta de amor à todas as memórias do BTS ao longo dos anos

Nota do álbum: 10

A série Map of the Soul do BTS continua e, presumivelmente, termina em Map of the Soul: 7, um registro de 20 faixas que mistura habilmente diversos gêneros – desde o emo-rap em “Interlude: Shadow” até as modernas batidas de trap misturadas com instrumentos tradicionais coreanos em “Black Swan”, além de “Filter” com inspiração latina pop, um álbum que mostra a impressionante versatilidade do grupo mais de dez vezes.

Enquanto o capítulo Persona da série parecia muito externo – faixas como “Boy With Luv” focavam em encontrar alegria no amor e olhar o mundo em busca de significado – o arco principal de 7 explora muito mais a vida interna dos membros. Em “Interlude: Shadow”, o rapper Min Yoongi explora o lado sombrio de estar no topo e expressa suas ansiedades sobre a responsabilidade de sua posição. Como ele pede: “por favor, não me deixe brilhar, não me decepcione, não me deixe voar”, ele fala sobre a natureza contraditória de suas emoções, oferecendo uma visão singularmente honesta e inabalável de uma situação que é frequentemente simplificado demais.

O primeiro single de divulgação do álbum – um movimento sem precedentes para o BTS – “Black Swan” dá sequência à “Shadow”, e vê os membros se encarando como artistas. Eles mergulham profundamente no medo de que um dia a música, a dança e a performance não possam mais movê-los, embora reconheçam que é tudo o que eles têm. Eles até se perguntam “e se esse momento for agora?”, sugerindo que a perda do amor já chegou, pelo menos brevemente – outras músicas do álbum mostram que eles passaram por esse sentimento. Ele fala com qualquer pessoa que tenha passado por depressão, a experiência única e esmagadora de perder o interesse no que antes dava sentido a sua vida. Estende a mão para reconhecer a dor e fornece um lembrete para lutar – “nada pode me devorar, eu clamo com toda a minha força”.

É um tema que se estende ao longo de MOTS: 7 – explorar e reconhecer as sombras, mas incentivando a lutar contra a escuridão, construindo resiliência e buscando apoio. A faixa-título – o single principal, em termos de K-Pop – “ON” enfatiza isso acima de tudo, as mais notáveis ​​são as frases “não podem me segurar porque você sabe que sou um lutador” e “traga a dor”. É uma música alta e animada com infusão de hip-hop que sem dúvida brilhará durante a turnê mundial do grupo neste verão, com centenas de milhares de ARMYs encantados e empoderados pelo BTS cantando ao lado deles. Mas a mensagem também é transmitida de forma mais silenciosa, na suave “00:00 (Zero O’Clock)”, faixa exclusiva dos vocalistas. É uma promessa de que você será feliz novamente, mesmo que apenas por um momento, mesmo que não o sinta agora. É um sentimento que pode parecer cafona, parecer vazio, mas como sempre a sinceridade da banda brilha. Os quatro tons únicos dos vocalistas – o estilo tradicional de balada coreana do integrante mais velho Kim Seokjin, os falsetes suaves de Jeon JungKook, os tons quentes e sensuais de Park Jimin e a qualidade familiar e excepcionalmente reconfortante da voz de Kim Taehyung – se misturam e parecem muito com um grande abraço no final do dia. Mesmo quando o significado exato não é claro – embora as traduções precisas e ponderadas sejam comoventes – isso não importa. O sentimento é claro e o enche de confiança.

É claro que os fãs do BTS, os ARMYs, permanecem no coração do álbum – é introspectivo, sim, mas de alguma forma eles fazem parte disso. É um relacionamento que vai muito além da dinâmica típica artista/fã evidente nas músicas, as mensagens do grupo sejam online, em transmissões ao vivo ou em shows, é que o BTS encontra o mesmo amor em seus ARMYs, que os fãs encontram neles. A música solo de Jin, “Moon”, se concentra mais nesse vínculo. É uma expressão divertida e alegre de amor durante um ritmo saltitante, mas é sério e sincero também. Em coreano, ele canta: “Eu nem tinha nome antes de conhecer você, você me deu amor e agora se tornou minha razão”. É uma ideia que os integrantes ecoam nas notas de agradecimento do álbum e declararam várias vezes antes.

É um álbum impressionante, emocionante e comovente, com produção sofisticada, acompanhado de arte instigante (a performance de dança interpretativa no vídeo “Black Swan”, as exposições de arte do CONNECT, BTS), mas é muito mais do que um álbum pop. É uma carta de amor para a dor, para as sombras que vivem dentro de nós. É uma carta de amor do grupo para si mesmos e para os ARMYs. É um lembrete de que onde há escuridão, há luz e é sempre possível encontrá-la. É um lembrete de que sempre há alguém estendendo a mão – seja uma versão passada ou futura de si mesmo, um melhor amigo ou uma banda.

N/T: No momento de postagem desse artigo, o Metascore (média das notas de todos os críticos) do álbum era positivo, acumulando 82 pontos e superando Love Yourself: Tear (2018) e Map of the Soul: Persona (2019) que obtiveram 74 pontos à época de seus lançamentos. Para conferir a nota atual, clique aqui.

Fonte: The Line of Best Fit

Artigos | por em 06/03/2020
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