O BTS é eleito como a ‘Banda do Ano’ de 2020 pela Consequence of Sound!

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O BTS é eleito como a ‘Banda do Ano’ de 2020 pela Consequence of Sound!

Às vezes, existem certos momentos no mundo artístico que soam como a mudança de um paradigma — um momento que sempre será lembrado como uma linha divisória entre o que era antes e o que está por vir (Pré-James Brown. Pós-Hamilton. O efeito de Pantera Negra). Tão raro quanto, é um ato que dispara como um trem bala, seguindo em frente de forma incontrolável, deixando para trás os retardatários que estavam enroscados demais em seus trejeitos retrógrados para se juntar à aventura extasiante. De alguma forma, o BTS é ambos.

Para listar todas as conquistas, recordes quebrados, e os “BTS é o primeiro” que o septeto alcançou, teríamos que escrever páginas e mais páginas, então vamos considerar apenas a decolagem de 2020: primeiro ato coreano a conseguir #1 nos charts da Billboard (com “Dynamite”). Então, apenas algumas semanas depois, o primeiro ato na história a estrear uma música — não cantada em inglês — na primeira posição (com “Life Goes On”). Primeiro grupo coreano a ser indicado ao Grammys. Primeiro grupo na história a estrear uma música e álbum N°1 na mesma semana. Freneticamente, todos esses eventos são dos últimos meses, mas o BTS lançou dois full álbuns esse ano, Map of the Soul: 7 e BE, ambos foram número 1. Garantir qualquer uma dessas conquistas durante o curso inteiro de uma carreira seria excepcional; ter alcançado todos eles apenas em 2020 é quase milagroso.

Reconhecidamente, aqueles que ainda não embarcaram no trem bala que é o BTS parecem estar, finalmente, ultrapassando a fase de coçar a cabeça em perplexidade acerca de como eles sequer “aconteceram” em primeiro lugar. Embora os sete sejam ótimos dançarinos, eles não ganharam o mundo apenas através de suas coreografias. Sim, eles são cativantes, e educados, e carismáticos, e eles produzem horas e mais horas de conteúdos intrínsecos e pessoais em forma de documentários para que nós possamos conhecê-los, mas esses fatores não são suficientes para garantir a atenção global no cenário supersaturado da mídia moderna.

Ao invés disso, é a paixão que eles possuem pela própria arte que parece transcender qualquer uma das barreiras, ou noções pré concebidas, que bloqueavam o caminho deles. O BTS é único, não apenas no molde de boy bands, mas até mesmo dentro do mundo pop coreano, a confirmação disso é que o catálogo do septeto é majoritariamente composto por letras escritas pelos próprios integrantes. “É um processo orgânico enquanto trabalhamos… E nós temos o desejo de expandir nossos limites,” J-Hope explicou para a Consequence of Sound. “As reações [dos fãs] me motivam a mergulhar ainda mais profundamente nas minhas pesquisas e a fazer músicas ainda melhores.” Os sete são escritores e produtores dedicados e curiosos que, ao compartilhar honestamente as próprias histórias, garantiram sete anos de conhecimentos em diversos gêneros musicais e narrativas crônicas das transformações pessoais que vivenciaram, desde jovens ambiciosos e audaciosos até adultos reflexivos e confiantes.

O BTS lançou cinco álbuns #1 nos EUA mais rápido que qualquer outra banda desde outro grupo pop internacional muito amado: Os Beatles. As comparações são tentadoras, e muitas são válidas. Os Beatles também foram inicialmente descritos como o resultado de um fandom apaixonado e predominantemente feminino, mas eles viraram mais do que isso, se tornaram artistas e escritores à frente de seu tempo. A diferença encontra-se primariamente no fato de que Os Beatles não precisaram ultrapassar uma das barreiras mais espessas de todas, a linguagem, não precisaram trabalhar horas extras para influenciar o circuito de uma premiação ou para serem incluídos em uma indústria de rádio que permanece indiferente a músicas que as letras não são acessíveis ou fáceis de entender. Talvez eles não sejam os próximos Beatles; talvez eles sejam apenas o primeiro BTS.

No passado, nosso prêmio de Banda/Grupo do Ano foi para grupos como Pearl Jam, Arcade Fire, The Roots, e Tool. Enquanto o BTS marca algo como uma espécie de desvio da nossa coleção, os tópicos comuns entre nossas seleções anteriores são: autenticidade, alcance, perseverança, voz genuína e comprometimento com a música. Quando vistos através dessa lente, os meninos do BTS estão facilmente no topo. Também vale lembrar que “Dynamite” foi lançada com o simples e explícito intuito de trazer um pouco de felicidade para a vida das pessoas em um momento profundamente difícil (recordes quebrados e uma indicação ao Grammy são apenas uma feliz consequência). Anteriormente, eu havia escrito que de vez em quando lembro da mensagem de um amigo dizendo que BTS deveria ser “Boys To Stan,” que significa “Garotos Para Ser Stan.” Penso também que, em 2020, poderia significar “Bring The Serotonin,” ou “Traga A Serotonina” em português.

2020 tem sido um ano marcante para a arte coreana, e parece que faz séculos que Parasita, de Bong Joon-Ho, dominou o Oscar. A primeira apresentação do BTS em uma premiação americana foi no AMAs em 2017. Relembrar aquela primeira apresentação é esclarecedor, e não é apenas porque ultimamente seja difícil lembrar qual a sensação de estar em uma arena lotada. As reações da audiência para a apresentação de “DNA” são extremamente diferentes: algumas pessoas, que presumidamente fazem parte dos ARMYs, estão em lágrimas. Ansel Elgort está gravando com seu celular. Mas muitas pessoas na multidão parecem não ter a mínima ideia do que está acontecendo. O impacto do BTS desde aquela primeira apresentação é inegável — os garotos estão com a chance de se apresentar no Grammys esse ano (o que não deve dar muita dor de cabeça para a Recording Academy), eles não serão mais considerados novidade ou uma moda passageira.

Em sua recusa de ser escanteados, o BTS abriu portas para outros artistas internacionais nos Estados Unidos, particularmente aqueles da Ásia, garantindo que eles não sejam vistos como estranhos, mas sim que sejam assistidos com os mesmos olhos que enxergam todos os outros. Me lembro mais uma vez do que Bong Joon-Ho disse no Oscar: “Uma vez que você ultrapassa a pequena barreira de legendas, você será introduzido a vários filmes incríveis.” Em tempos onde traduções do Genius e interpretações de letras são feitas diretamente através de nossos aplicativos de música favoritos, praticamos um desserviço com nós mesmos ao ignorarmos o mundo que nos aguarda além das fronteiras de nossas línguas maternas.

Se você ainda não tirou um momento para assistir à recente apresentação do BTS para o Tiny Desk da NPR, as três músicas apresentadas carregam um inegável impacto. A apresentação começa com a com a rendição arrebatadora de “Dynamite,” logo mudando a direção de sua marcha com a inclusão de “Save Me” ao repertório, uma faixa pop eletrônica lançada a quase cinco anos atrás. Os meninos finalizam o set com “Spring Day”, que é um hip-hop lírico que guarda significado especial tanto para o grupo quanto para os fãs. A música é conhecida por sua imbatível reputação, fazendo aparições nos charts e ressurgindo depois de qualquer novo lançamento do BTS, os ARMYs sempre voltam para a agora-nostálgica faixa em busca de conforto. A escolha das músicas é intencional: o set é a encapsulação perfeita da dimensão da discografia do grupo, demonstrando simultaneamente o fato de que existem diamantes brilhantes colocados como B-sides que são extremamente reluzentes. Não existem músicas ruins.

Na semana que o BTS recebeu sua tão atrasada indicação ao Grammy, seis dos sete integrantes responderam algumas das nossas perguntas. Mesmo que SUGA estivesse incapacitado de se juntar, já que ele está se recuperando da cirurgia no ombro, a presença dele é impossível de ser esquecida ao mencionar essa indicação histórica. Ao longo de entrevistas durante os anos, SUGA se tornou o porta voz do grupo quando perguntados sobre a esquiva Recording Academy — no passado, quando tal feito ainda parecia distante demais de se tornar realidade, os garotos costumavam brincar que estavam sonhando alto demais, porém SUGA reforçava, “Quanto maior o sonho, melhor ele será”. ARMYs consideram que as metas de SUGA são o mais próximo que possuímos de profecias: indicação ao Grammy? Confere. Música do BTS com letra inteiramente em coreano conseguindo #1 nos charts? Confere. Agora, tudo que nós podemos fazer é esperar para escutar o próximo sonho maluco do septeto. E então assisti-los conquistar aquilo.

“É um sentimento incrível,” J-Hope nos contou. “Ter pessoas que escutam suas músicas, é uma alegria sem tamanho.”

Tem um certo tipo específico de felicidade que vem com assistir pessoas fazendo o que aparentemente eles foram colocados na Terra para fazer, e essa mágica que emana entorno dos integrantes do BTS quando eles estão se apresentando, mesmo quando estão sentados em bancos acompanhados de uma pequena banda, é tão brilhante quanto quando eles estão executando dance breaks em estádios olímpicos. Existe outra forma de felicidade, uma que vem ao assistir pessoas que trabalham tremendamente duro para se tornarem mestres da própria arte alcançando um nível inovador de sucesso, que recebem cada vitória com êxtase ilimitado. É bom ter algo pelo qual torcer hoje em dia.

Em um momento tão imprevisível, uma coisa parece estar clara: o trem bala que é o BTS vai continuar seguindo em frente com sua trajetória, quer os céticos gostem ou não. A pergunta é — caso você ainda não tenha embarcado — você virá para o passeio?

Fonte: Consequence Of Sound

Notícias | por em 09/12/2020
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