Pesquisadora revela: Os ARMYs são os responsáveis pelo sucesso global do BTS

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Pesquisadora revela: Os ARMYs são os responsáveis pelo sucesso global do BTS

O BTS é hoje o grupo mais popular do mundo inteiro, com alguns chegando a dizer que seriam os próximos Beatles. Alguém será capaz de pará-los? Ninguém sabe. Mas uma coisa é clara: o BTS criou um verdadeiro milagre e, por trás desse milagre, está o fã-clube ARMY. Lee Jee-heng, pesquisadora cultural e autora do livro “BTS and ARMY Culture” (em português, “A cultura BTS e ARMY”), diz que o BTS evoluiu de um tipo conhecido de fandom para um grupo de fãs que acolhe a diversidade de gênero, idade e raça.

Lee também fez pesquisas sobre o BTSX50States, uma associação de ARMYs de todos os 50 estados dos Estados Unidos e que teve por alvo diversos DJs de rádios locais em 2017, conseguindo, inclusive, que músicas do BTS tocassem em estações de rádios conservadoras.

A pesquisadora, que também é ARMY, diz que o que fez o grupo conquistar esse sucesso sem precedentes é a existência desse fandom único.

Acompanhe abaixo a entrevista com Lee Jee-heng!

P: Quão grande é o fandom ARMY?

Lee Jee-heng: O número de integrantes no fã-clube oficial chega a 1,5 milhões de pessoas, mas ARMYs internacionais raramente se juntam ao fã clube, uma vez que é bastante difícil se ajustar ao sistema doméstico coreano. O número de seguidores do BTS no Twitter ultrapassa 20 milhões, mas isso não reflete completamente a realidade porque os fãs criam muitas contas para votações durante a temporada de premiações, por exemplo. Estima-se que 10 milhões de pessoas sejam parte do fandom ARMY. O fandom internacional é, na verdade, maior que o coreano. Eu pesquisei outras redes sociais, incluindo o Twitter e comunidades como reddit e Amino Apps, onde fãs internacionais se reúnem.

Antes do debut do grupo em 2013, o BTS falou sobre a história do grupo e deixou que as pessoas ouvissem suas músicas através de diversos canais, como os Bangtan Logs e o YouTube. Foi em 2014 que o fandom internacional foi reconhecido pela primeira vez na KCON realizada nos Estados Unidos. O BTS foi um dos novatos na convenção, mas teve a recepção mais calorosa dos fãs. Para que o BTS tivesse sucesso no mercado e com o grande público ocidental, ARMYs globais, em 2018, chegaram a criar objetivos como a “2018 Race For Gold” (em português, “Corrida pelo Ouro de 2018”), enviando listas de tarefas para fandoms de diversos países. As sete missões determinadas no início do ano foram todas realizadas e uma mudança drástica aconteceu nos charts de música dos Estados Unidos naquele ano. O BTS chegou ao primeiro lugar da Billboard Albums Chart por três vezes seguidas. Em 2019, os ARMYs levaram essas conquistas para charts de outros lugares do mundo — como França, Alemanha e Itália.

P: A sensação associada com o BTS também é reconhecida por ser uma exportação da cultura de fandom no estilo coreano. Você concorda?

Lee: Normalmente, fãs de K-Pop gostam de diversos grupos, mas os ARMYs só são fãs do BTS. Isto é, o BTS é diferente de outros idols do K-Pop. Por exemplo, os fãs demonstram sua incrível lealdade ao se juntarem em grupo para gritarem o nome do BTS, os apoiando ao comprar os produtos que endossam e votando em premiações. O streaming repetitivo para fazer com que músicas subam de colocação nos charts é frequentemente visto como problemático mas, na verdade, reprimir esse tipo de ação se tornou inefetivo, uma vez que os charts da Billboard são, hoje em dia, totalmente controlados pelos fandoms. Fãs de artistas ocidentais como Ariana Grande, Beyoncé, One Direction e Shawn Mendes também possuem atividades sistemáticas de stream.

P: Que tipo de pessoas são os integrantes do fandom ARMY?

Lee: Além da composição típica do fandom de grupos idol, com meninas adolescentes, o fandom ARMY é muito diverso. Homens, mulheres de meia idade com mais de 30 anos, pessoas não-brancas, integrantes da comunidade LGBTQ+ e até mesmo intelectuais e cientistas. Alguns fãs dizem que, por causa do BTS, eles passaram a pensar profundamente sobre o real significado de minorias e diversidade.

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P: Isso quer dizer que o fandom ARMY se tornou um símbolo de minorias?

Lee: O que o BTS representa é o que a maioria das minorias enfrenta: ser desfavorecido. Não é o neoliberalismo que tem parte da responsabilidade de fazer 99% de toda a população mundial se sentir desfavorecida? O BTS começou como os mais desfavorecido entre os desfavorecidos. Entre os artistas de K-Pop, eles começaram do lugar mais baixo, e essa é a razão pela qual os fãs encorajam os esforços do grupo em ultrapassar os limites. No começo de 2018, a Recording Academy, responsável pelo Grammy, perguntou aos seus seguidores no Twitter qual foi o álbum mais influente da vida deles. Quando uma pessoa respondeu que foi um álbum do BTS, ela foi ridicularizada, com pessoas dizendo que ela deveria falar sobre música “real”. Assim que os comentários maldosos foram postados, ARMYs de todo o mundo passaram a espalhar milhões de mensagens sobre como o BTS impactou suas vidas. Muitos também disseram que aceitar o BTS e dar um basta na discriminação racial é a melhor maneira de praticar a diversidade nos Estados Unidos.

P: Os fãs podem agir como divulgadores?

Lee: Quando uma nova música é lançada, os fãs não dormem pelas 24 horas seguintes e assistem o MV no YouTube. Isso acontece porque, quando 45 milhões de espectadores assistiram ao MV de “IDOL” em apenas 24 horas em 2018, a CNN fez uma reportagem sobre isso. Ao quebrarem recordes como esse, os fãs viram o impacto que podem fazer. Eles mudaram a opinião de outros. Esse espírito indomável dos fãs também foi a força por trás dos 300 milhões de votos que o BTS recebeu para o prêmio Top Social Artist do Billboard Music Awards 2017, o mesmo que destronou Justin Bieber.

P: Como é formado o fandom ARMY?

Lee: Não há uma representação singular dos ARMYs. Claro que, quando se fala de votações ou eventos, existem organizações que as preparam. Essas organizações vêm de contas voluntárias no Twitter. Elas só atuam como mensageiros e não representam os fãs na sua totalidade. Me parece que fandoms anônimos na internet tentam praticar a democracia de forma perfeita. A maioria dos fandoms de artistas ocidentais têm apenas contas informativas, onde postam sobre quando álbuns serão lançados, quantos álbuns foram vendidos, etc. Mas os ARMYs vão além disso: existem contas dedicadas a clubes de leitura; clubes de psicologia, onde terapeutas e estudantes de psicologia se juntam; contar de teor cultural, onde diferenças entre culturas e diversidade entre os ARMYs são explicadas; além de contar dedicadas exclusivamente para projetos de caridade. Existe até uma conta de tradução, onde mais de 20 coreanos e estudantes internacionais traduzem cada um dos conteúdos produzidos e lançados pelo BTS, como letras e entrevistas, em tempo real e de graça. Eles também fazem notas sobre o contexto cultural das traduções.

P: Qual é a grande diferença dos fandoms do K-Pop?

Lee: Fandoms no geral se sentem renovados quando gostam de um artista, mas os fandoms no K-Pop, na verdade, colocam a mão na massa: eles apoiam os artistas. O fandom ARMY, por exemplo, vai além disso e tenta ativamente usar da sua influência para fazer o bem. Da mesma maneira, a população diversificada de ARMYs também exerce efeito sobre a música do BTS.

P: Existem problemas que acontecem quando os fandoms aumentam de tamanho?

Lee: É muito comum que exista embates culturais entre ARMYs coreanos e internacionais. Como o BTS se apresenta principalmente no exterior, o fandom coreano se sente abandonado. No entanto, sempre que o BTS sofre discriminação racial por parte da imprensa ocidental ou é envolvido em alguma controvérsia, ARMYs de todo o mundo agem para consertar esses problemas. O K-Pop é comumente menosprezado porque os cantores masculinos usam maquiagem, o que é percebido por muitos como “feminilizante”. O interessante é que o tipo de masculinidade que o BTS representa é exatamente o que atrai intelectuais do ocidente para o fandom. Muitos entendem que o BTS expressa uma masculinidade alternativa que rompe com a ideia de que homens devem ser e agir de certa maneira, com os integrantes expressando suas ansiedade e fraquezas abertamente em suas músicas.

P: Qual é o verdadeiro poder do fandom ARMY?

Lee: Muitas coisas acontecem por dentro do fandom. Ainda assim, a habilidade que os ARMYs têm de se purificarem e se renovarem é surpreendentemente extraordinária. Isso acontece porque os ARMYs dividem a mentalidade de que devem ser fãs dos quais o BTS possa sentir orgulho. O BTS criou essa nova comunidade de consumidores, e os ARMYs estão fazendo com que o grupo cresça cada vez mais. É por isso que eu acho que “a BTS mania” é, fundamentalmente, sobre os ARMYs.

Fonte:  Yang Sung-hee @ Korea JoongAng Daily (Adaptado)

Artigos | por em 29/08/2019
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