Um canto à ‘Yoontro’ e como SUGA é a voz perfeita para esse momento do BTS

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Um canto à ‘Yoontro’ e como SUGA é a voz perfeita para esse momento do BTS

Nada mais correto do que o BTS iniciar a corrida de Map of the Soul: 7 colocando os holofotes sobre o franco e ardente SUGA.

Aqui na redação do The Ringer, eu sou a fã de K-pop mais ativa, o que significa que frequentemente recebo perguntas curiosas e bem-intencionadas dos meus colegas de trabalho. No ano passado, meu colega Michael Baumann estava escrevendo sobre o então jogador do time de baseball LA Dodgers, Hyun-jin Ryu, e me mandou no Slack o que parecia ser a mensagem mais inocente do mundo:

[TRAD] Quem é Yoongi
ele é grande coisa?

Dei uma resposta desinteressante sobre como SUGA é um rapper do BTS — é melhor manter as coisas simples com os locais. Mas qualquer super fã sabe o quanto é difícil descrever com precisão o apelo do honesto e ardente SUGA.

Se eu tivesse sido um pouco mais corajosa, talvez tivesse dito a Baumann que o rapper é como uma dessas obras em ponto-cruz que às vezes vemos pendurados nas paredes das casas das pessoas; parece fofo e doce de longe, mas de perto o texto diz “Hoje não, Satã” ou “Se f*de, otário”. Por isso é notável que o BTS tenha escolhido iniciar seu comeback de Map of the Soul: 7 com “Interlude : Shadow” de SUGA (ou a “Yoontro”, junção do nome do rapper com a palavra Intro, como os fãs apelidaram). Ele é a voz perfeita para esse momento em particular por diversas razões, mas principalmente porque ele nunca ligou muito para coisas as quais ele não se importa e coloca tudo de si naquilo que considera significativo.

SUGA sempre foi o integrante do BTS que mais esteve confortável em falar publicamente sobre a dicotomia entre fama e o eu, discutindo abertamente sobre suas dificuldades com depressão e ansiedade. E, com a chegada do BTS a um patamar de fama que o mundo nunca viu antes, os sete rapazes estão caminhando em uma linha tênue entre reconhecer o nível absurdo de estrelato em que chegaram e aproveitar tudo que vem com ele.

Em “Shadow”, SUGA diz, em coreano:

“As pessoas dizem, há esplendor nestas luzes brilhantes
Mas minha sombra crescente me engole e se torna um monstro;
Para cima, para cima e mais alto, mais alto / Eu vou ainda mais alto, e a vertigem toma conta de mim
Eu cresço, cresço. Eu odeio isso.
Eu rezo, rezo, esperando que fique tudo bem.”

O MV traz o rapper em pé sobre uma multidão de fãs sem rosto, impassíveis, que gravam todos os seus movimentos — para o bem ou para o mal.

A música é abrasiva e audaciosa na mesma medida em que é vulnerável, assim como o próprio rapper. O refrão de “Shadow” não deixa dúvidas quanto aos objetivos profissionais de SUGA: “Eu quero ser uma estrela do rap / Eu quero estar no topo / Eu quero ser uma estrela do rock / Eu quero tudo meu / Eu quero ser rico / Eu quero ser o rei”.

Muitos fãs do BTS, e talvez os próprios integrantes, diriam que muitos desses objetivos já foram riscados da lista. Isso me lembra da apresentação que o BTS fez em 2018 de “No More Dream”, o primeiro lançamento do grupo, onde o SUGA mudou a letra original — “Eu quero uma casa grande, carros grandes e anéis grandes” — para uma versão que representava a situação atual do BTS de forma mais realista: simplesmente “casa grande, carros grandes e anéis grandes”.

Talvez, em alguns anos, SUGA nos dará uma versão de “Shadow” que tira todos os “eu quero ser” de uma vez por todas.

Fonte: Kate Halliwell @ The Ringer

Artigos | por em 09/01/2020
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